O conteúdo no reino da web-semântica

Em 1996, Bill Gates escreveu um artigo para o site corporativo da Microsoft intitulado: Content is king, em português seria: “conteúdo é rei”. Como o título do artigo sugere, para Gates, o sucesso da web está no conteúdo. No primeiro parágrafo, Bill Gates afirma: “Content is where I expect much of the real money will be made on the Internet”, ou seja, para um dos homens que mais souberam fazer dinheiro na era digital: conteúdo = $$$.

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Google+ se descola do Diaspora

Dias após o Facebook anunciar a compra, por 1 bilhão de dólares, do híbrido de aplicativo e rede social Instagram, o rival Google+ tratou de apresentar a seus usuários a nova interface do serviço. É a primeira grande reforma visual desde seu lançamento, em junho de 2011, de um produto que recebe cada vez mais atenção dentro da gigante de buscas. Trata-se, sobretudo, de uma aposta correta ao escolher um visual que se adapta facilmente em navegadores de dispositivos móveis com telas sensíveis ao toque.

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Google+ tem boas ideias, mas não convence: falta o ‘plus’ ao usuário

O Google apresentou na última terça-feira o Google+, mais novo e ambicioso projeto para desbravar terrenos, digamos, mais sociais. O serviço, projetado para que o usuário compartilhe conteúdos com pessoas específicas – em círculos, no caso – acerta ao reproduzir ideias desenvolvidas em outros serviços populares, como Twitter, Facebook e Skype. Mas a falta de um recurso exclusivo coloca em xeque seu uso. Indefinidamente, não há – por ora – motivos reais para o usuário migrar parte de seu tempo – e conteúdo – ao Google+.

Para provocar gritaria on-line, a gigante de buscas usou da velha estratégia de divulgação de seus novos serviços: escassos convites foram distribuídos, disputados virtualmente a tapas. A ferramenta, que não é descrita pela empresa como uma rede social, propõe uma nova maneira de compartilhamento de conteúdo a partir de recursos já disponíveis no Google, como o Maps e o Chat. A grande aposta da empresa é dar maior relevância a um recurso pouco usado em outros produtos similares no mercado – entenda-se aqui Facebook. A seção Grupos, presente na maior rede social do mundo, possui pouca visibilidade. O Google+ prega privacidade às informações do usuário. Cabe a ele, no caso, escolher o que vai exibir e com quem vai compartilhar o conteúdo em um espaço denominado de círculos (circles, em inglês).

Seu apelo estético é algo sem precedentes na história da empresa: apesar de estar apenas em uma única versão, em inglês, o serviço é belo, totalmente intuitivo e prático. A barra superior fixada à página do usuário, exibida quando estiver em qualquer ferramenta do Google, é outro atrativo: em tempo real, notificações do próprio Google+ aparecem no topo (imagem abaixo), provocando a ideia de que se trata uma rede dinâmica – e recheada de amigos, claro.

Mas nem todas as inovações apresentadas brotaram da cabeça dos desenvolvedores e engenheiros do Google. O projeto acerta ao apresentar recursos de sucesso em empresas de sucesso, como Twitter, Facebook e o próprio Skype, adquirido recentemente pela Microsoft. Não é por acaso que sua função Stream guarda semelhanças com a linha do tempo (timeline) do Twitter – copiada, por sua vez, na atual estrutura do Facebook, chamado de Feed de notícias (lista de atualizações dos amigos). A barra lateral à esquerda, que apresenta os grupos (chamados de Circles), é idêntica a da rede de Zuckerberg. O Hangout, por sua vez, recurso que permite realizar videoconferências com até dez pessoas, é a aposta do Google frente ao modelo pago apresentado no Skype. Talvez aqui seja possível delimitar os rivais do novo projeto da gigante de buscas: Facebook e Microsoft – parceiros em vários projetos, por sinal. O Google+ é a ferramenta mais eficiente e intuitiva para compartilhar documentos e arquivos com diferentes grupos de trabalho.

A lista de problemas, no entanto, é grande. Até o momento, o Google não disponibilizou URL´s customizáveis, artifício que permite ao usuário buscar de forma mais eficiente um usuário na rede. Twitter e Facebook usam deste artifício. A decisão de manter suas API´s fechadas também é outro fator determinante para seu crescimento: uma vez públicas, desenvolvedores independentes poderiam criar serviços úteis atrelados ao Google+. Especula-se que essa característica seja o fato de catapultar o Facebook como maior rede social do planeta. A estratégia permite que o site se renove à medida que mais terceiros criam jogos, enquetes e outras aplicações de interação.

É difícil vaticinar se o novo projeto da gigante de buscas irá arrancar pessoas do Facebook, Twitter ou Orkut. Mas, a isca para pescá-los o Google, por ora, não tem. Falta o ‘plus’ ao Google+.

O Google vai às compras. E contrata jornalista

Há quem diga que os olhos do Google estão voltados apenas para seu sistema de pesquisa e plataformas consolidadas de uso como o Gmail e YouTube. Mero engano. A gigante de buscas quer se aproximar da infraestrutura da internet – é só mapear a polêmica envolvendo a neutralidade de rede. Na esfera da comunicação, a empresa também mostra sua inquietação. E já tem uma mira – publicações e sites de notícia.

Ontem, o Google acertou a contratação de Madhav Chinnappa, um dos editores-executivos da BBC News. Sua tarefa será uma das mais árduas: aperfeiçoar o serviço de notícias da empresa – o Google News – e ser o personagem-chave para diminuir o ceticismo de empresários de publicações com a empresa. Há algum tempo, eles travam batalhas virtuais por considerar que o Google rouba conteúdo. Diz o magnata Murdoch, dono do Wall Street Journal: “apropiar-se do conteúdo alheio de forma inapropriada, utilizando trechos sem uma autorização prévia”, segundo.

Chinnappa será o responsável por fornecer parcerias do Google News no Velho Continente, área que não é tão demarcada pelo bate-boca virtual. A América do Norte, até o momento, é o foco de discussão mais intenso.

A aquisição mostra o interesse do Google – e de outras empresas do mercado – no segmento. Em 2008, Peter Barron, diretor de um programa da BBC, também fora fisgado pela gigante de buscas para trabalhar no departamento de comunicação e relações públicas na Europa. Em julho, o editor-senior da Newsweek Mark Coatney abandonou uma das publicações mais tradicionais do mundo para filiar-se ao Tumblr, serviço que conta com 6,6 milhões de usuários cadastrados. Chegamos à era da aspiração por startups com grande potencial de crescimento. Sai o cenário do sonho de trabalhar em um grande meio de comunicação para apostar em produtos – e marcas – mais distribuídas em rede.

Foto: Spencer Holtaway.

A “preocupação” do Google com a privacidade

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O Google foi uma das poucas empresas a lembrar o dia mundial da Privacidade dos Dados, comemorado nesta quinta-feira.

Para aproveitar o tema, um dos principais a serem discutidos no futuro, já que a geolocalização e o uso de redes sociais em plataformas móveis tornar-se-ão cada vez mais comum, o símbolo de buscas da web divulgou uma cartilha com cinco princípios adotados, porém só agora – em 2010 – foi colocada no papel:

1º Usar informações para dar aos usuários produtos e serviços de valor;
2º Criar produtos que refletem fortes padrões e práticas de privacidade;3º Tornar transparente a coleta de dados pessoais;
4º Dar aos usuários escolhas significativas para proteção da sua privacidade;
5º Ser um guardião responsável das informações que mantemos.

Apesar de um dos critérios soar como falso, o Google aproveitou o momento para não dar brechas a respeito da apropriação indevida e discutível de dados pessoais: acabou unificando sua política de privacidade no Google Privacy. O objetivo é claro: tentar ser o mais transparente possível com seus consumidores, fato já absorvido pelo Facebook há algum tempo.

Abaixo, um vídeo explica sua política de convergência de direitos:

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Como a Microsoft e a Google salvaram o Twitter

O grande problema das boas startups que são lançadas em todo o mundo é a velha questão de monetização e custos. O limite entre sobreviver sem anúncios e investimentos é lugar-comum no segmento.

Nesta semana, uma reportagem da Bloomberg mostrou que o Twitter começou a ser rentável e fechará o ano no azul. E graças aos acordos feitos recentemente com Microsoft e Google. As parcerias anunciadas em outubro passado para indexação de conteúdo da rede de mensgens de 140 caracteres nos sites de busca gerou aproximadamente 50 milhões de reais. É a revalorização da pesquisa em tempo real.

Trata-se do primeiro foco de rentabilidade do serviço, mesmo com os investimentos já feitos avaliados em 300 milhões de reais. O processo é similar ao pensamento de Biz Stone, um dos fundadores do Twitter. Ele mesmo já havia garantido a criação de um modelo de negócio em 2009.

Foto: Respres.

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O princípio sazonal do Google Living Stories

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Não tive tempo pra comentar, mas a Google encontrou uma resposta rápida para a discussão envolvendo apropriação de conteúdo e publicações impressas. Exatos quatro dias de sua posição oficial divulgada no Wall Street Journal, por meio de seu carro-chefe, Eric Schmidt, o principal símbolo de buscas da web anunciou uma aliança que pode ratificar sua força.

A Google lançou na quarta o Living Stories (Histórias Vivas), projeto experimental de seu labs que agrupa informações produzidas por dois dos maiores rivais impressos de Rupert Murdoch, “pivô” da ríspida discussão do suposto roubo de conteúdo: New York Times e Washington Post.

Trata-se de mais um formato de agregador para visualizar informação. O que não é novo. Ao invés de navegar por todo o ambiente virtual, você visualiza grandes painéis do momento, como a reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos. Acima de tudo, Living Stories é um produto de visibilidade de conteúdo sazonal. O que o deixa a passos de ter mais um princípio de hub.

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A resposta da Google contra Murdoch no WSJ

Há quase um mês, havia comentado no blog qual seria a discussão que mais me chamou atenção em 2009. Hoje, quarto dia do último mês do ano, tenho certeza. A ríspida batalha entre agregadores informacionais e publicações tradicionais é o grande assunto, principalmente pelo alarde em torno de uma simples questão: Murdoch x Google.

Ontem, saiu mais um capítulo do debate. Horas depois do anúncio de micropagamento no Google News. Eric Schmidt, carro-chefe da Google, produziu um artigo no próprio Wall Street Journal, de domínio de Murdoch, respondendo aos ataques desferidos sobre uma possível apropriação de conteúdo da principal marca de buscas da web.

A tônica do seu argumento é válida. A Google não é culpada pela crise dos impressos e uma possível transição aos meios online. Schmidt usa o termo frustrado para descrever o executivo da indústria do papel e acredita que a mídia de papel busca de forma desesperada um culpado pelo momento. E encontraram uma das maiores referências na internet.

A Arianna Huffington – que também já foi alvo do debate – entrou na discussão e possui um discurso extremamente pertinente. A indústria do jornal e seus próprios funcionários pararam no tempo. Não tem jeito. Qualquer site pode deixar de ser visível em qualquer mecanismo de busca. A própria Google ensinou a prática.

Fica a lição que nem sempre é bom dizer adeus a Google. Agregar e distribuir é bem diferente de apropriar-se.

A Google mostra seu lado fraco contra Murdoch

Saiu a decisão na noite de ontem. A Google anunciou pela primeira vez a restrição de notícias em seu canal informativo – o Google News – e estabeleceu como cinco o númerode conteúdos que os internautas podem acessar de forma gratuita. A decisão acontece dias após um possível acordo financeiro envolvendo empresas de comunicação, Rupert Murdoch e Bing, buscador da Microsoft.

Josh Cohen, um dos responsáveis do setor de negócios da Google, explicou que a reformulação é feita após perceber que “cada clique de um internauta era processado como um acesso gratuito”. Muitos usuários notaram que era possível acessar de graça conteúdos pagos em sites de notícias a partir do Google News.

Há alguns meses, Murdoch queria impedir que os buscadores (com grande ênfase em Google) parem de indexar todo e qualquer conteúdo distribuído por uma de suas empresas. Um pensamento que bato sempre aqui na blog: tornar-se mais centralizado e menos distribuído. E tudo com a premissa da defesa do lucro das velhas empresas midiáticas.

Ficou evidente que a pressão midiática, encabeçada por Murdoch, todo-poderoso da News Corp., fez a Google pensar em novos formatos. A solução, que antes era de demonstrar o desinteresse perante às publicações na web, foi tornar-se fazer a velha boa política da vizinhança. E, pelo jeito, senti pela primeira vez o lado fraco do principal símbolo de buscas da web, postura que pode fortalecer o argumento de Murdoch.

Foto: Spencer.

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A amizade entre a BBC e os buscadores

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Admito que fico impressionado a cada dia com a transparência que a BBC tem com o seu leitor digital. Acompanho há algum tempo o The Editors, blog do editor da rede que posta frequentemente conteúdos com um belo caráter de prestação de serviço. Nesta semana, um em especial me chamou a atenção.

Steve Harmann, um dos curadores do canal, confirmou uma mudança estratégica da empresa na web: menos refinamento nos títulos de notícias e maior valorização de palavras-chave em chamadas para tornar-se cada vez mais vísivel aos motores de buscas disponibilizados em rede.

Sai o beletrismo e o objetivo em atrair o internauta com palavras fora do lugar-comum do noticiário, e entra o simples, prático e objetivo para fortalecer ainda mais uma grande parcela de tráfego do ambiente virtual: a boa e velha tática do SEO. A atitude, que não é inovadora, chama atenção por uma única questão.

A BBC já tomou a vacina para não contrair a doença que infectou Murdoch e seus 38 jornais há algum tempo. Mesmo que o magnata midiático tenha um acordo prévio com o Bing, buscador da Microsoft, como noticiou o Financial Times nesta semana, ele ainda não pensa de forma mais distribuída e menos centralizada. Pelo contrário.

Meus últimos posts sobre Jornalismo e site de buscas evidenciam o conflito envolvendo apropriação de conteúdo jornalístico por meio de agregadores espalhados pela rede. Só que estudos já mostram que não é nada bom dizer adeus a Google.

Enquanto isso, a BBC mostra que sabe se adequar ao formato no qual produz informação. Não reinventa a roda, não promove mudanças radicais e busca fortalecer ainda mais laços com quem contribui para uma maior distribuição de informação.

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