O Brasil criou seu mercado de startups. O Jornalismo, por ora, não percebeu

O Brasil, enfim, começa a acompanhar o crescimento (e amadurecimento) das chamadas startups locais – empresas que têm geralmente em seu DNA a inovação e operam com lógica de experimentação rápida, segunda a qual apenas as ideias que logo se mostram promissoras recebem os maiores investimentos. Até recentemente, empreendedores e investidores brasileiros deslocavam seus negócios – e atenção – para o Vale do Silício, região na Califórnia, Estados Unidos, região que respira tecnologia. Hoje, contudo, os testes começam a ser verificados em solo nacional. O Jornalismo, uma das áreas que mais carece por inovação, acompanha atentamente o setor. Bem distante. Com um binóculo.

Continuar lendo

Por um Jornalismo Digital com a essência das startups

Na semana passada, o Pew Research Center´s Project for Excellence in Journalism divulgou o The State of The News Media 2013, relatório anual sobre as perspectivas de mercado do jornalismo americano. É a pesquisa mais importante no setor, que evidencia a crise que passar o setor – sobretudo no Brasil. Os problemas apresentados, contudo, chegam a uma solução descrita brevemente no relatório: o Jornalismo Digital precisa se reinventar. Para tanto, um ingrediente nada desprezível está disponível no mercado: a essência e inteligência do universo das startups, empresas que buscam a inovação em seu segmento e operam com uma lógica de experimentação rápida, segundo a qual apenas ideias que logo se mostram promissoras recebem mais investimentos.

Continuar lendo

New York Times cresce menos de 1% em 2012, e isso é sim uma boa notícia

O NYT parou de encolher, e pela primeira vez em seis anos apresentou um crescimento em sua receita. Quanto?! +0,3%. Pode parecer muito pouco, mas chegar no zero foi uma conquista e tanto. Dê uma olhada nos dados:

Receita do jornal americano New York Times cresce menos de 1% em 2012

Preste atenção: os números revelam outro dado importante; a receita com a circulação também voltou a crescer e ultrapassou a de anúncios no ano passado

Continuar lendo

O futuro do jornalismo digital não é movel. É, sobretudo, responsivo

Em 2012, Mark Zuckerberg, CEO e fundador do Facebook, acalmou seus investidores ao revelar que a empresa que ajudou a criar em fevereiro de 2004 tornaria-se também móvel. Diz o senhor das redes: “Nós somos uma companhia móvel”. Aos 28 anos, Zuck usa esse argumento para rebater o maior problema encontrado na rede: a falta de um modelo de negócio – e atenção – à plataforma. O mesmo poderia ser aplicado ao Jornalismo. Quem pensa assim, contudo, está enganado. O setor necessita de uma mudança maior: seu conteúdo precisa ser, sobretudo,  responsivo.

Continuar lendo

As Olimpíadas dos dados

30a edição dos Jogos Olímpicos, finalizada na noite deste domingo após uma bela cerimônia na cidade de Londres, protagonizou também boas surpresas fora dos ambientes de atividades esportivas. No Jornalismo, as medalhas para produção e visualização de dados ficam com The New York Times e The Guardian, que aproveitaram recursos escondidos nos porões da web  para apresentar, de maneira amigável, informações sobre o maior evento esportivo do planeta. O diário britânico, por sua vez, foi o maior destaque ao oferecer a seus leitores uma infinidade de conteúdos que ajudam a rediscutir o Jornalismo – fez jus ao espetáculo produzido em seu país. Tivemos, sobretudo, a Olimpíada dos Dados. Alguns destaques:

Continuar lendo

A díficil missão do paywall no Jornalismo Digital chega ao Brasil

Recentemente, fui cobrado por amigos e leitores do blog para comentar acerca da cobrança criada pelo jornal Folha de S. Paulo para acessar conteúdos de sua versão digital, anunciada em junho pela publicação. Trata-se da primeira grande iniciativa de uma empresa impressa no país em um modelo que, até então, é observado com lupa pela maioria das companhias de comunicação – e uma questão crucial que, se for mal desempenhada, pode redefinir o formato da internet como seus usuários a conheceram.

Continuar lendo

O futuro do Jornalismo é pensar ‘digital first’?

Um dos maiores questionamentos que recebo nos últimos anos acerca do Jornalismo é desvendar – se possível, claro -, quais elementos são imprescindíveis para o novo profissional, que emerge das universidades, chegar às tradicionais redações. Fornecer uma resposta simples e objetiva é, no mínimo, claudicante. Mas, independente dos ingredientes que são adicionados diariamente às novas estruturas da profissão, um fato jamais pode ser ignorado: a tecnologia – e seus aparatos – modificam a sociedade e, principalmente, o Jornalismo.

Continuar lendo

Huffington. Uma parada semanal para respirar

Capas da revista Huffington., do portal Huffington Post, exclusiva para iPad

Conhecido pelo alto volume de publicação e o poder de agregação, o lançamento da revista semanal do portal Huffington Post evidencia mais uma vez a importância da edição jornalística frente a velocidade do tempo real

Em sua passagem relâmpago pelo Brasil no ano passado, a mulher que empresta seu sobrenome para o maior (e mais veloz!) site de notícias do mundo me surpreendeu com seu andar sereno, a fala mansa, mas firme, e uma resposta que me intrigava muito até ontem.

Indagada pela platéia sobre como uma empresária com a agenda extremamente ocupada como ela conseguia se manter informada em meio a avalanche informativa da era das publicações em tempo real, incluindo aí seu próprio site, Arianna Huffington foi extremamente enfática: “Eu confio cegamente nos meus editores”.

Continuar lendo

API: fermento de gigantes da web

Se o Twitter fosse um bolo, seu fermento seria sua API pública – aberta aos olhos e criatividade de todos os programadores do mundo. A API (Application Programming Interface, ou interface de programação de aplicações) é um conjunto de padrões de programação que permite a programadores independentes criar aplicativos que “conversam” com o serviço original, inventando novas funcionalidades para ele. Hoje, o recurso virou gigante: só o Twitter recebe, diariamente, 13 bilhões de pedidos em sua API.

Desenvolvedores sedentos por visibilidade – e dinheiro, claro – buscam tapar deficiências apresentadas em serviços – ou às vezes – reinventar a roda. Sonham em ser um Tweetdeck ou Summize (foto acima), adquiridos pelo microblog. Ao todo, o Twitter gastou 58 milhões de dólares para tê-las.

Aos poucos, o que se percebe é que grande parte das boas funcionalidades ou novos recursos apresentados na web sai de startups que aproveitaram o recurso de API para desenvolver interfaces ou funcionalidades interessantes que, porventura, começam a ser usadas de forma freqüente. O Summize, atual sistema de buscas do Twitter, talvez seja o maior exemplo deste cenário. Dificilmente o microblog teria o poder e a influência que tem em rede sem um mecanismo de pesquisas em tempo real. A partir dele que o popular Trending Topics fora criado.

Nesta terça-feira, o WordPress começa a dar os primeiros sinais de que não quer parar no tempo – e busca se manter no topo de plataformas de blogs: se apropriou dos próprios recursos que são apresentados por terceiros em sua plataforma para lançar – tardiamente – uma funcionalidade preciosa em blogs (foto acima): a possibilidade em comentar a partir de Twitter e Facebook. Chegou o momento de revalorizar a caixa de comentários.

A versão da empresa é semelhante aos plugins gratuitos já disponíveis na própria plataforma, como Echo, Intense Debate e Disqus (usado, aqui, no blog). Após anos do uso maciço dos recursos, o WordPress descobriu que, a partir de construções sociais, há a possibilidade de descobrir com quem o como você se relaciona com o próximo. Pelo jeito, o WordPress aprendeu – só – em 2011 que o anonimato perde espaço.

A “1ª vez” do @nytimes no Tumblr

Parte da imprensa e blogs especializados em mídia encontraram, há algum tempo, um novo recurso presente na web para jogar confetes e, posteriormente, produzir alarde. É a vez do Tumblr, uma plataforma de conteúdo para preguiçosos – conforme descreve David Karp, de apenas 23 anos e dono do produto virtual.

A gritaria virtual se acentuou em 2010, quando o jornalista Mark Coatney deixou a poderosa publicação americana Newsweek para integrar a equipe do Tumblr. É o “evangelizador” do Tumblr e representante da plataforma junto aos outros meios.

Por ora, sua tática atrai adeptos. Entre as que aderiram recentemente estão The Atlantic, Rolling Stone, BlackBook Media Corporation, National Public Radio, The Paris Review, The Huffington Post. Chegou a “primeira vez” do New York Times.

A publicação começou a disponibilizar conteúdos relacionados a Style Magazine, voltado a temas como moda e comportamento. De fato, não é a entrada oficial da publicação na plataforma – mas a primeira ação diária na rede. Em junho de 2010, o jornalão já havia dado o pontapé inicial – e experimental – no Tumblr.