Por um Jornalismo Digital com a essência das startups

Na semana passada, o Pew Research Center´s Project for Excellence in Journalism divulgou o The State of The News Media 2013, relatório anual sobre as perspectivas de mercado do jornalismo americano. É a pesquisa mais importante no setor, que evidencia a crise que passar o setor – sobretudo no Brasil. Os problemas apresentados, contudo, chegam a uma solução descrita brevemente no relatório: o Jornalismo Digital precisa se reinventar. Para tanto, um ingrediente nada desprezível está disponível no mercado: a essência e inteligência do universo das startups, empresas que buscam a inovação em seu segmento e operam com uma lógica de experimentação rápida, segundo a qual apenas ideias que logo se mostram promissoras recebem mais investimentos.

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No Brasil, New York Times tem missão crucial para o Jornalismo

Na última segunda-feira, o jornal americano The New York Times revelou ao mundo sua intenção de produzir uma versão digital da publicação em português a partir do segundo semestre de 2013. A investida, uma prática já traçada por outros grandes e importantes grupos de mídia, reforça a importância que o Brasil ganhou, há poucos anos do início dos dois maiores eventos esportivos do planeta – a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Seu ingresso, contudo, pode acelerar um caminho sem volta: o desenvolvimento acelerado de conteúdos em parceria com a equipe de tecnologia.

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As Olimpíadas dos dados

30a edição dos Jogos Olímpicos, finalizada na noite deste domingo após uma bela cerimônia na cidade de Londres, protagonizou também boas surpresas fora dos ambientes de atividades esportivas. No Jornalismo, as medalhas para produção e visualização de dados ficam com The New York Times e The Guardian, que aproveitaram recursos escondidos nos porões da web  para apresentar, de maneira amigável, informações sobre o maior evento esportivo do planeta. O diário britânico, por sua vez, foi o maior destaque ao oferecer a seus leitores uma infinidade de conteúdos que ajudam a rediscutir o Jornalismo – fez jus ao espetáculo produzido em seu país. Tivemos, sobretudo, a Olimpíada dos Dados. Alguns destaques:

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Como selecionar parágrafos e grifar textos no New York Times

Na última sexta, alguns blogs especializados comemoraram como um gol os novos recursos apresentados pelo The New York Times. Entre as inovações apresentadas no First Look – blog de novidades da empresa – o destaque ficou por conta da ampliação de vínculos presentes em um texto, com o uso dos links entre parágrafos.

Na prática, o leitor tem a possibilidade, agora, de criar links de um excerto do texto – e não o artigo completo, caso o mesmo seja extenso. Além disso, o interagente tem a chance de “grifar” o conteúdo que considerar mais importante – o uso de letras como h ou p no fim de cada url permite filtrar e hierarquizar assuntos. No caso da imagem acima, escolhi por “grifar” o quarto parágrafo do texto.

A funcionalidade facilita o compartilhamento de conteúdo em plataformas instantâneas como Twitter e Facebook e propicia maior eficácia aos leitores que buscam compartilhar conteúdo indo direto ao assunto.

É mais uma manobra da publicação na tentativa de fugir do lugar-comum e oferecer ao leitor da versão on-line do jornal uma proposta, digamos, “nova” – o recurso já é conhecido há algum tempo, mas sob o ponto de vista técnico e menos prático.

No caso dos blogs, essa tarefa pode ser facilitada com o uso do Winerlinks, plugin presente no WordPress já há algum tempo e testado recentemente no Press Think, de Jay Rosen, professor de Jornalismo da Universidade de Nova York. O serviço será um dos recursos que serão posteriormente testados no blog.

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Times Extra, do The New York Times

Economia ‘mastigada’ em infográfico. O New York Times explica

Economia é um sistema complexo – às vezes até incompreensível -, mas recheado de informações úteis a qualquer cidadão. No Jornalismo, o papel do profissional nessa área é crucial: transformar o beletrismo excessivo presente em termos e mensagens com grande caráter de prestação de serviço. É uma das tarefas mais árduas – e uma arte, é claro.

Nesta semana, o New York Times desenvolveu a síntese da simplicidade na editoria de economia. A publicação reuniu dados e desenvolveu um infográfico, com tons lúdicos, que compreende o complicado trabalho em estabelecer prioridades políticas. Principalmente em um país com o porte dos Estados Unidos.

Budget Puzzle: You Fix the Budget permite que qualquer pessoa conectada à rede tenha a possibilidade de equilibrar os orçamentos do governo federal. Você pode hierarquizar e escolher quais são as prioridades – e quais serão os cortes de despesa – para atingir os níveis estipulados para 2015 e 2030.

O leitor pode escolher se irá reduzir gastos com armas nucleares ou eliminar ou adicionar os subsídios aos agricultores. Feito o orçamento, você tem a chance de compartilhar seu projeto com seus seguidores no Twitter – prática comum feita em parte da mídia brasileira. Segundo o New York Times, o infográfico foi um dos mais ‘tuítados’ na história da publicação.

Trata-se, acima de tudo, de um bom exemplo de empresa que soube aproveitar os preciosos recursos da web para trazer a melhor informação ao leitor.

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Como o New York Times foge do lugar-comum com um mapa de homícidios

‘A moment in time’ representa o poder mundial do NYT

Moment at Time, do New York Times

No último dia 02, às 12h (de Brasília), o New York Times convidou a população mundial para fotografar “o que ocorria com você naquele momento”. Para participar do ‘A moment in time’, não era necessário ser profissional – apenas ter o estímulo de registrar um momento do dia. Nesta terça, a publicação norte-americana disponibilizou o resultado, o que pode ser reflexo do poder mundial da empresa.

As imagens estão por todos os cantos – houve produção de conteúdo em todos os continentes. Foi interessante conhecer, por exemplo, as perspectivas diurnas e noturnas de Europa, América e Ásia. O trabalho, cooperativo no sentido de construção e individualista no registro, fora recebido de forma positiva: mais de 15.000 contribuições feitas por amadores e profissionais.

No cenário brasileiro, um teste acabou sendo publicado. Carlos Eduardo Jorge, colega de trabalho, tirou uma foto de sua cidade-natal, Lençóis Paulista. O registro está em destaque no site.

Fica a lição de quem busca produzir produtos colaborativos – a sensação de sentimento de pertencimento à rede é algo imprescindível. E isso é constatado no ‘A moment in time’.

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Lens, um mix de belas imagens do ‘onipresente’ New York Times

New York Times Insight Lab pesquisa interesse pelo iPad

Insight Lab, pesquisa sobre iPad

Uma nova pesquisa do Insight Lab do jornal The New York Times disparada hoje chama a atenção dos contribuintes para o iPad, da Apple. As perguntas, que podem ser respondidas em cinco minutos, se focam no interesse do leitor pelo dispositivo da Apple, sobre a cobertura do NYT sobre o assunto e sobre a intenção de compra do produto ou similares.

Uma das perguntas deixa escapar o que, na minha opinião, é a verdadeira intenção do jornal: colher informações úteis para aplicações do NYT para iPad em desenvolvimento e formas de oferecer conteúdo.

If you were creating your very own New York Times app for the iPad, what would it include?
Please be as specific as possible.

If you were creating your very own New York Times app for the iPad, what would it include?

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Como não fazer um aplicativo de mídia para iPad

A resposta do New York Times ao Wall Street Journal

Campanha do New York Times abre guerra contra o Wall Street Journal

Desnecessária e ofensiva a campanha que será propagada pelo New York Times nas próximas semanas contra uma possível apropriação de segmento hiperlocal a um de seus maiores rivais, o Wall Street Journal. A iniciativa, definida como Numbers, reforça a importância que um veículo norte-americano dá a  um grupo restrito para distribuição e fidelização de conteúdo.

O assunto rapidamente foi discutido no PaidContent e Business Insider, dois dos ambientes virtuais que mais acompanho ultimamente. A campanha começará em abril, terá a duração de seis semanas e focará em meios impressos e online.

A batalha para conquistar novos adeptos já é travada há alguns meses. O motivo é simples – o projeto de Rupert Murdoch, carro-chefe do WSJ, em disponibilizar um suplemento local aos nova-iorquinos em seu formato impresso. A estratégia é tirar o domínio de um terreno dominado até então por uma única marca – o NYT. A resposta, ofensiva, veio em números.

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Como o NYT quer ganhar dinheiro com um projeto hiperlocal colaborativo

O ato de compartilhar notícias do NYT por e-mail

e-mail

Dois pesquisadores da Universidade de Pensilvânia, nos Estados Unidos, produziram um estudo pertinente sobre o comportamento do internauta com a informação. A entidade fez uma análise da lista de notícias mais enviadas por e-mail do jornal The New York Times e, a partir da base constituída, caracterizou-a. O resultado é extremamente interessante e reforça um caráter ‘emotivo’ de compartilhamento.

Segundo o estudo – feito com mais de 3 mil artigos – leitores do NYT compartilham informações ‘positivas’ e das editorias de Ciência e Saúde. O que mais me chamou atenção é, que, cerca de 20% do que fica na página principal do site noticioso é compartilhado, ampliando o pensamento de que disseminação e armazenamento de informação não é sinônimo de hardnews.

Sobre a questão da extensão do texto, algo já esperado. Internautas compartilham notícias ‘longas’, de pouco destaque e com a premissa de que as pessoas tenham o mesmo sentimento ao ler o fato. Um caráter motivacional de reciprocidade, segundo princípios do sociólogo Peter Kollock. Sai de cena os incentivos moral ou social, além do prestígio, para dar destaque a correlação.

Infelizmente, toda pesquisa envolvendo mídia na web tem os seus defeitos. Nesta ocasião, o estudo foi feito a partir dos cliques no botão de compartilhamento do NYT. Logo, o estudo não pode ser considerado o espelho da realidade no site noticioso. O que ainda é comum hoje, na web, é copiar o link da matéria, jogá-lo no corpo do texto de uma mensagem e, posteriormente, realizar o compartilhamento com os outros.

Foto: Andygural.

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Quando leitores de meios digitais não querem pagar para obter informação na web

O New York Times na tela do iPad

nyt-tablet

Interessante conhecer como fica a interface de um dos maiores jornais do mundo no iPad, lançamento da Apple anunciado nesta quarta-feira, nos Estados Unidos. Desde o início do projeto, o New York Times trabalhou em conjunto com a empresa de Steve Jobs. Não à toa, anunciou no mesmo dia uma parceria.

O tablet confirma a tendência que teremos um futuro de dispositivos móveis e não apenas de celular. Mobilidade, há algum tempo, transcendeu a idéia de um aparelho que tornou-se um membro do corpo. E um acordo com o New York Times confirma esta tendência de marcas jornalísticas polivalentes.

Um iPad sozinho não faz verão. Logo, o jornalão não acredita que este formato salve a mídia impressa. Pelo contrário. Trata-se de mais um mecanismo de receita que comprova a necessidade de um meio tornar-se mais heterogêneo.

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Por uma informação mais flexível e distribuída