jan 27 2010

O New York Times na tela do iPad

Tag: culturaweb, nyt, tendenciasRafael Sbarai @

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Interessante conhecer como fica a interface de um dos maiores jornais do mundo no iPad, lançamento da Apple anunciado nesta quarta-feira, nos Estados Unidos. Desde o início do projeto, o New York Times trabalhou em conjunto com a empresa de Steve Jobs. Não à toa, anunciou no mesmo dia uma parceria.

O tablet confirma a tendência que teremos um futuro de dispositivos móveis e não apenas de celular. Mobilidade, há algum tempo, transcendeu a idéia de um aparelho que tornou-se um membro do corpo. E um acordo com o New York Times confirma esta tendência de marcas jornalísticas polivalentes.

Um iPad sozinho não faz verão. Logo, o jornalão não acredita que este formato salve a mídia impressa. Pelo contrário. Trata-se de mais um mecanismo de receita que comprova a necessidade de um meio tornar-se mais heterogêneo.

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nov 10 2009

Os 20 anos do Muro de Berlim do New York Times

Tag: midia, nytRafael Sbarai @

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Ousado e diferente o especial do New York Times sobre os 20 anos do Muro de Berlim. Sem o pensamento e valorização do texto, a publicação conseguiu agregar em um único ambiente virtual a sensação do antes e depois de um período histórico que pôs fim à estrutura que dividiu a Alemanha por 28 anos.

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set 22 2009

Quando leitores de meios digitais não querem pagar para obter informação na web

Tag: culturaweb, midia, nyt, pesquisa, tendencias, wsjRafael Sbarai @

Conteudo-pago

Bem interessante e reflexivo uma espécie de pesquisa realizada pelo Paid Content nos últimos dias. O canal britânico perguntava se os leitores de meios digitais pagariam por conteúdo na web. A velha máxima de informação paga. A resposta saiu nesta segunda-feira e diferente da premissa que o New York Times apresentou, apesar de acreditar que o jornalão anda no caminho certo.

Sem o mesmo “público-alvo” e com diversos modelos de negócio por aí, o estudo do Paid Content mostra que apenas 5% dos entrevistados pagaria para ler um conteúdo na web, enquanto a grande maioria (74%) buscaria a informação em um outro veículo rival ou ambiente especializado.

Pego, então, dois exemplos locais norte-americanos que promovem, quase mensalmente, mudanças para gerar novas receitas: NYT e WSJ.

Ponto para o New York Times, que sabe andar pra frente e vaias intensas ao Wall Street Journal, que continua com a marcha ré engatada na corrida do conteúdo. Enquanto o NYT abre espaço para discutir o futuro do jornal (um ex-jornal, por sinal), o WSJ vai no sentido oposto e, enquanto anda pra trás, tenta reinventar a roda.

Fica clara a política corporativa hierárquica de duas das maiores publicações do mundo: o New York Times, cada vez mais, mostra que seu futuro não vem de cima pra baixo, produzindo pesquisas e visualizando como o conteúdo pago afeta seus leitores. Já o Wall Street Journal tem um centralizador milionário com um discurso de Médici: pague ou deixe-o.

Alguns dos leitores reclamam que possuo uma crítica veemente ao WSJ. Acredito que seu modelo híbrido para mixar conteúdo pago e aberto, infelizmente, é a solução para conter o desespero de executivo de jornalões. O problema é que seus recentes discursos de seu chefão acabam, de certa forma, refletindo em outros países como uma espécie de praga.

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ago 20 2009

O NYT convoca leitores para tomar decisões e mostra como o WSJ anda na contramão

Tag: midia, nyt, tendencias, wsjRafael Sbarai @

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Mais de 3 mil fiéis leitores do New York Times começaram há alguns dias uma discussão no The New York Times Insight Lab, um ambiente com fins de diálogos comerciais, editoriais e, claro, modelos informacionais de negócio. Burocrático, cheio de perguntas, porém até o momento eficiente, a maior publicação no mundo pelo menos mostra como seus rivais andam cada vez mais na contramão.

O Insight Lab é a primeira aposta – ousada, diga-se de passagem – de uma grande publicação em todo o mundo. A intenção é ter uma percepção imediata de leitores, principalmente os mais assíduos, com um único objetivo: entender as reações com mudanças drásticas ou não em relação ao conteúdo.

A pauta do momento que aquece esta espécie de Fórum é a possibilidade ou não do New York Times ter conteúdos pagos nos próximos meses no site do jornalão. A decisão é discutida já há algum tempo entre seus executivos e nada mais justo que convocar quem visita o site todo dia: seus internautas.

Até o momento, pelo que vi lá, a opinião sobre pagar ou não por conteúdos é bem dividida, o que me surpreende até de certo ponto, já que o NYT não tem um diferencial ao seu “rival” WSJ, voltado a um nicho específico.

Mesmo assim, vale a pena dar uma olhada no argumento de cada um. É bem interessante ver pessoas dizendo: “pagar por 50 dólares por ano para ler a publicação online não me vai fazer mais rico ou mais pobre”.

Outros pensam desta maneira: “essa atitude de restringir a informação pode desencadear um processo muito grande na web. Aí só falta voltarmos ao início da internet, onde parte dos produtos que usávamos era pago. Se acontecer isso, blogueiros disponibilizarão a nós o conteúdo”.

A iniciativa vai bem no sentido oposto do australiano Rupert Murdoch com o Wall Street Journal. Há poucos dias, escrevi no blog sobre a confirmação do todo-poderoso da News Corporation em cobrar por conteúdo visualizado em todos os sites de jornais de seu domínio. O primeiro será o simpático The Sunday Times, do Reino Unido.

Fica evidente que o NYT é a antítese jornalística do WSJ. A discussão em um dos maiores jornais do mundo acontece de baixo pra cima e não ao contrário, como fez Murdoch com um discurso que mais me lembra a história dos Estados Unidos e a política do Big Stick: “fale macio, mas carregue um grande porrete”.

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jul 28 2009

Como o NYT quer ganhar dinheiro com um projeto hiperlocal colaborativo

Tag: colaboracao, midia, nyt, tendenciasRafael Sbarai @

nyt-the-local
Self-Service Advertise é a aposta publicitária do NYT ao The Local

Quem acompanha o blog diariamente sabe do meu interesse em visualizar o caminho do The New York Times no mundo web. Uma das maiores marcas jornalísticas do mundo promove, mensalmente, mudanças e posturas em busca de um único fim: lucro e, posteriormente, sobrevivência.

Foi com este princípio que lançou no primeiro trimestre do ano o The Local, projeto hiperlocal participativo que envolve blogs para fragmentar sua cobertura noticiosa no território norte-americano. Lá em março, falei do lançamento do serviço, avisando que ele não veio “à toa”.

Pois é. Segue, então, a frase que deixei no post após ver o anúncio oficial do negócio. “E é essa foi a sensação que tive ao descobrir a “novidade”. NYT quer alcançar anunciantes menores, LOCAIS, que não podem ou não tem condições de disputar um grande espaço em um dos maiores veículos de comunicação do mundo.”

Não deu outra. Depois de um pedido via e-mail de um amigo, resolvi tocar novamente no assunto. Para enfrentar a crise, NYT confirmou há poucos dias o “Self-Service Advertise“, espaço publicitário destinado às pequenas empresas.

A estrutura do Self-Service Advertise é, ao menos, interessante. Em apenas três passos, será possível criar seu próprio anúncio. Uma forma simples, rápida e prática para gerar receita. Mais do que isso: o jornalão entra num mercado em que o Google domina, o Google AdSense.

NYT dá sinais de como a crise lhe afeta. Trata-se de mais um mecanismo para aumentar seu leque de receitas – que não anda nada bem – com um interesse curioso: tal artifício mostra sua postura e preocupação com uma informação específica, de bairro, com um caráter experimental colaborativo.

Trata-se de mais uma carta na manga que aparece no jornalão como solução para eventuais novos problemas. Você corta gastos com agências de notícia e acaba dando destaque a um dos pilares para a sobrevivência do impresso: a hiperlocalidade. Soma-se a isso, é claro, a geolocalização com uma integração ao Google Maps.

Os valores já até foram definidos. Cinco dólares por 1000 visitantes únicos. A idéia é criar um novo mercado, absorvendo pequenas empresas ou negócios destes locais. No caso, bairros de Nova Jersey e Nova York, nos Estados Unidos.

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jul 24 2009

Quando a audiência não importa aos editores do New York Times

Tag: nyt, tendenciasRafael Sbarai @

nyt

De certo ponto surpreendente a entrevista de um dos editores do The New York Times ao The New York Observer nesta semana. Jim Roberts, responsável pela página principal de um dos maiores centros de informação online, revelou que a audiência não importa no momento de destacar um ou outro fato na home.

Roberts garante que o tráfego do internauta não é um fator essencial para hierarquizar acontecimentos, argumento que vai na contramão de qualquer pensamento jornalístico web em portais brasileiros.  Senão coisas como essa não seriam destacas em um dos maiores ambientes virtuais do país.

Em parte da conversa no The Observer, fiquei com a sensação de velho salto alto de parte da imprensa tradicional ao ouvir argunentos como os de Roberts. O estudo de comportamento dos leitores é um dos ingredientes mais importantes e pertinentes para avaliar e explicar o contexto informacional na web e como isso poderá refletir no futuro.

O editor do NYT produz argumentos tão fracos sobre valor e necessidade do leitor da web que sua soberba tornou-se um paradoxo das receitas do jornalão. Ontem mesmo, o grupo NYT anunciou um prejuízo de mais de 70 milhões de reais no 1º trimestre de 2009. No mesmo período do ano passado, havia lucrado 40 mi de reais.

Soma-se a isso o período turbulento e decisivo de rentabilizar o conteúdo online da publicação. Desde o mês passado, rumores reforçam a idéia de pagar dez reais por mês, aproximadamente, para acessar todos os conteúdos e bons recursos do site.

Roberts anda de salta alto e tem grandes chances de cair enquanto estiver andando. O The Business Insider já começou a dar um empurrãozinho nele.

Dica da Pati.

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jul 03 2009

Globe Reader, o leitor digital do Boston Globe

Tag: midia, nyt, tendenciasRafael Sbarai @

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Comecei a testar ontem o Globe Reader, o mais novo leitor digital do Boston Globe. A publicação, de posse do grupo do New York Times, foi mais uma vez na onda de sua matriz e lançou em 1º de julho sua versão impressa “offline”.

Globe Reader é a cópia do Times Reader, atualizado no último mês de maio. Ambos estão sob a bela plataforma AIR, da Adobe, que permite criar aplicações de escritório a partir de páginas ou aplicações web.

Seu princípio e uso é simples: entregar conteúdo jornalístico em forma de software. A partir da instalação em seu computador é possível ter informação sem estar conectado à internet.

Esta é a premissa que tanto NYT e Boston Globe usam para atrair um nicho muito específico: executivos nômades que vivem em viagens pelo mundo todo e não possuem condições de estar inserido a rede mundial de computaores.

Mesmo assim, não vi nenhuma novidade com este lançamento do Boston Globe. Não é de hoje que este impresso norte-americano respira por aparelhos devido aos problemas financeiros que assolam o grupo NYT. Já dizia em maio que o estado de saúde da empresa é delicado.

Infelizmente, Boston Globe é um dos “brinquedinhos” do New York Times que é largado no quarto. Em abril, por exemplo, o impresso esteve perto de acabar, mas um acordo PROVISÓRIO para garantir sua sobrevivência foi feito, reduzindo salários de funcionários e despesas da empresa.

O lançamento do Globe Reader não terá um grande efeito lucrativo. Apesar da publicidade explícita fixa gerada, não é um grande nicho de seu público-alvo. Fico com a sensação de um produto que está no mercado simplesmente por vontade da mãe NYT.

Tirando este pedido materno, o mais interessante desta movimentação é como NYT e Boston Globe brincam de “ratos de laboratório”: um pega a iniciativa do outro e vice-versa.

No presente, foi a vez dos leitores digitais. Em um passado recente – neste ano mesmo – houve a criação do Lens, uma espécie de The Big Picture em outro formato.

Ao invés de centralizar todo e qualquer tipo de experimentação em sua filial – o Boston Globe – NYT adota uma estratégia desorganizada, porém pertinente.

Funcionalidades que são inseridas em um dos maiores jornais do mundo são mais fáceis de serem propagadas. Assim, não sai das manchetes dos bons blogs e ambientes virtuais que abordam assuntos como mídia e tecnologia.


jul 01 2009

Gastar menos tempo em sites de notícias não é sinônimo de queda de tráfego

Tag: facebook, midia, nyt, pesquisa, redesocial, twitter, wsjRafael Sbarai @

audiencia-estados-unidos

Menos tempo em um ambiente noticioso, mas sempre informado. Este é o espírito de um estudo divulgado pelo instituto Nielsen que vi hoje no The Business Insider. Segundo a pesquisa, 17 dos 30 maiores sites de jornais norte-americanos perderam visitas em tempo médio.

No gráfico acima, quatro dos maiores jornais dos Estados Unidos tiveram um decréscimo de tempo de navegação do internauta comparando os meses de maio de 2008 e 2009. A maior queda acontece com o Wall Street Journal, publicação que defende com unhas e dentes um modelo de assinatura rentável em seu site.

WSJ adota uma espécie de modelo híbrido, misturando conteúdo pago com gratuito, atributo mais que elogiável pois é voltado a um nicho e que necessita da informação da publicação, “rara” hoje na web e em papel. É a velha máxima do quanto mais específico e fora do lugar-comum, melhor. Situação que a Last.fm e o Blip.fm não souberam lidar.

A métrica informada, por sua vez, vai na contramão aos números que divulguei aqui no mês de fevereiro. Na época, todos os citados acima – exceto o Washington Post – tiveram um crescimento. Destaque para o USA Today, que havia garantindo a segunda maior audiência no mercado local.

Mas em um todo, essa queda de segundos/minutos não é sinônimo de queda de tráfego. A página principal de um ambiente informativo não é mais a única fonte de tráfego para obter informações de um marca com New York Times, USA Today, Washington Post ou até mesmo Wall Street Journal.

A informação é uma espécie de sinédoque do canal informativo. Trata-se da parte de um todo. Um excerto extreamente essencial e imprescindível de um contexto que pode garantir o retorno a posteriori do internauta ao site.

Cada vez mais, as conhecidas “homes” perdem espaço para canais “alternativos” e extremamente participativos, como Twitter e Facebook. Por lá circula informação instantânea. O velho e bom buzz da rede. O Estadão conseguiu fazer isso muito bem ontem, com um bom post sobre as “subcelebridades” que acham que sabe fazer política no Twitter.

Plataformas sociais já são, há algum tempo, formas de contato com conteúdos de jornal. Não é à toa que grandes empresas de comunicação já começam a estudar a contratação de um gerenciador de mídias sociais, uma espécie de jornalista que tenha o faro e a experiência de apuração e reportagem, mesclado é claro à compreensão da dinâmica das redes.

Foi assim com o New York Times e The Guardian, lá fora. No Brasil, uso meu caso profissional com a Veja.  A página principal do site começa a dividir as mesmas atenções que o perfil no Twitter. Conversas diárias, troca de links e sugestões de pautas e matérias mostram o feedback positivo e a importância de ter um contato com o internauta.

Antes, havia apenas um holofote (home) que direcionava apenas a um lugar (conteúdo do site). Agora, novos focos de luz (aplicativos sociais) incidem no meio do trajeto e alcançam facilmente o mesmo espaço, seja físico ou não.