Por um Jornalismo Digital com a essência das startups

Na semana passada, o Pew Research Center´s Project for Excellence in Journalism divulgou o The State of The News Media 2013, relatório anual sobre as perspectivas de mercado do jornalismo americano. É a pesquisa mais importante no setor, que evidencia a crise que passar o setor – sobretudo no Brasil. Os problemas apresentados, contudo, chegam a uma solução descrita brevemente no relatório: o Jornalismo Digital precisa se reinventar. Para tanto, um ingrediente nada desprezível está disponível no mercado: a essência e inteligência do universo das startups, empresas que buscam a inovação em seu segmento e operam com uma lógica de experimentação rápida, segundo a qual apenas ideias que logo se mostram promissoras recebem mais investimentos.

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No Twitter, tem usuário que apenas “assiste” o conteúdo

Compartilho com os leitores do blog duas das minhas leituras nos últimos dias sobre a mensuração do que pode ser considerado como “mídia social”. Por conta do fraco referencial teórico presente no Jornalismo sobre o tema, tive que recorrer, mais uma vez, à área de exatas para compreender situações na área.

O argentino Bernardo Huberman, um dos pesquisadores do HP Labs, disponibilizou neste mês dois artigos sobre reflexões, influência e passividade em plataformas sociais como o Twitter. No caso, o professor de Física Aplicada da Universidade de Pensilvânia e parte de sua equipe foram exceção: abordam o assunto do valor de repassar um conteúdo para o seu círculo social de seguidores.

Um dos argumentos mais interessantes – que não é novo – é a competição desenfreada que acontece na rede de mensagens: a importância não está no número de seguidores, mas na atenção dos seguidores. O estudo de Influência e Passividade aponta algo interessante: a partir da mensuração de uma quantidade de “retweets”, percebe-se que a grande maioria dos perfis é passivo. Ou seja, fica como espreitador em rede: apenas assiste e não repassa. Falta “engajamento”.

No mais, deixo outra leitura de Huberman – que é a mais antiga e, sinceramente, a que me chama atenção. The Laws of the Web: Patterns in the Ecology of Information, publicado em 2001 pelo MIT Press, é uma leitura essencial para entender a complexidade da informação em ambientes estruturados por tecnologias digitais conectadas.

Foto: Rétrofuturs.

Por que você segue marcas no Facebook?

O que faz o ser humano escolher uma opção entre as diferentes preferências que lhe são oferecidas é ainda uma questão intrigante e feita sob diversas perspectivas. Uma simples regra geral estabelecida não é suficiente para explicar o estímulo de cada indivíduo. Para tentar entender essa relação, a consultoria especializada em web E-marketer realizou uma pesquisa com o objetivo de conhecer o que move pessoas a seguir marcas em redes sociais como o Facebook. O resultado, infelizmente, revela uma preocupação ‘marketeira’ sobre estímulos e motivação do usuário. Faltou apenas levantar a bandeira do auto-interesse pessoal. É o império do egoísmo.

Segundo o relatório, 25% dos entrevistados seguem uma empresa com a vontade de ganhar descontos ou promoções especiais. A fidelidade do indivíduo e a possibilidade de mostrar vínculo com uma marca à sua teia social aparece em segundo lugar, com 18%. Cerca de 10% das respostas coletadas se referem às características de acompanhar uma empresa por ‘diversão’.

Em pouco tempo, os dados pipocaram em blogs especializados em mídia. E o argumento que fora mais analisado envolvia possíveis erros de estratégia em rede. Só esqueceram do principal: tentar compreender a motivação o fenômeno do auto-interesse, que representou 1/4 das respostas dos entrevistados. O cenário é novo. A teoria, nem tanto.

Em 1776, Adam Smith escrevia ‘Riqueza das Nações’ e entendia que o auto-interesse movia a participação alheia e estimulava o trabalho e sua divisão. Diz o autor: “dê-me aquilo que eu quero e você terá isto aqui, que você quer – esse é o significado de qualquer oferta desse tipo.”

O egoísmo, um auto-interesse ‘excessivo’ segundo Smith, é considerado uma característica natural ao homem, reflexo de uma concepção estética ligada ao ‘amor-próprio’. “Cada homem, portanto, é muito mais profundamente interessado no que quer que imediatamente lhe diga respeito, do que naquilo que diz respeito a qualquer outro homem”. O egoísmo, nada mais é, que a possibilidade de converter tudo em utilidade exclusiva. E, parte dos indivíduos conectados em rede começa a pensar assim.

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Quando os ‘meios tradicionais e sociais’ não compartilham a mesma agenda

Um dos fatos que mais me intriga na mecânica do Twitter é como buscar uma relação entre informações que são propagadas entre seguidores na rede e o próprio conteúdo publicado por meios que são considerados ‘tradicionais’. Uma das primeiras respostas à minha pergunta veio nesta semana, com um relatório do Pew Research Center.

Segundo estudo da consultoria, publicações como jornais, televisão e revistas não compartilham a mesma ‘agenda informativa’ que é propagada em plataformas sociais, como Twitter, Facebook e YouTube. O mais interessante é descobrir que, em cada plataforma, há um assunto que ganha maior destaque.

Nos blogs, política aparece como preferência. No YouTube, política externa é o assunto de maior interesse. E, no Twitter, tecnologia domina – algo já esperado.

No mais, foi no mínimo inusitado saber que, na pesquisa, foram coletadas informações do vídeo do apresentador Boris Casoy ridicularizando a participação de dois garis no Jornal da Band, no primeiro dia de 2010. Três das produções com imagens do fato geraram mais de 2,2 milhões de visitas no YouTube.

Abaixo, um excerto dos resultados:

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Há pelo menos dois anos é comum acompanhar pessoas adeptas ao Twitter postarem mensagens durante palestras e conferências para propagar idéias e conceitos aos seus seguidores que não têm condições de presenciar o fato no momento – premissa colaborativa que tem o seu elemento de motivação, como sugere o professor Peter Kollock: autopromoção, reciprocidade ou prestígio.

Este modelo de distribuição, discutível em rede, é o tema de um paper bem interessante produzidos por cinco alunos de diferentes instituições européias. Nota: mais uma vez, não há nenhum integrante voltado aos estudos da Comunicação – a grande maioria faz parte de cursos envolvendo Tecnologia e Ciências Sociais.

Trata-se de um documento de 13 páginas que mostra o limite da utilidade de usar a rede de mensagens de até 140 caracteres em conferências. Caso queira, há a possibilidade de baixar o conteúdo.

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O Twitter e o século XVIII

Foto: Haja Nirina.

O Twitter e o século XVIII

Lee Humphreys é um dos nomes acadêmicos que mais respeito no segmento. Seus artigos são serenos e sem oba-oba em torno de redes sociais ou dispositivos móveis.

Professora do departamento de Comunicação e Ciência da Informação da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, ela produziu um paper de quatro páginas que sintetiza muitos dos meus pensamentos envolvendo o contexto “revolução de comunicação com o advento da internet”. Na web, não há revolução, mas adaptação.

Humphreys falou, nesta oportunidade, sobre como o Twitter é tão século XVIII – características e possibilidades de compartilhamento de conteúdo que já eram visíveis na época são evidentes na rede de mensagens de até 140 caracteres. Há mais de dois séculos, os tradicionais diários não eram considerados “publicações privadas” – eram compartilhados por amigos e familiares.

A pesquisadora faz também um alerta irônico em torno das supostas novidades na área da comunicação. Tanto que usa renovação entre aspas. “Nem tudo que está na web é inteiramente novo e revolucionário”. E, em quatro páginas, convence com argumentos sobre a popularidade do Twitter.

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Twitter e Facebook como fonte de tráfego nos sites de notícia

Interessante, porém sem muitos detalhes a pesquisa executada pelo consultor de mídia Adam Sherk sobre números envolvendo redes sociais e sites noticiosos do Reino Unido. Segundo o relatório, Twitter e Facebook geram menos de 2% de tráfego às dez maiores publicações on-line da região.

A curva em destaque mostra um desempenho crescente da rede de mensagens de 140 caracteres, mas ainda de forma tímida. E, de certa forma, diferente dos parâmetros nacionais. Por aqui, Twitter chega a quase 8% de toda a audiência de um site de notícias.

O único fato claro e de relevância é como o Digg perdeu espaço com a chegada de ambientes sociais participativos que circulam muita informação. Simplesmente parou no tempo.

O relatório é um excerto do que já disse aqui em algumas oportunidades. É a velha idéia do fim do poder de uma página principal e a valorização da hiperdistribuição de conteúdo em redes. O cartão de visitas de um canal de notícias não é mais a grande fonte de tráfego – sua audiência está segmentada. E, para fazer parte da troca de links entre usuários em redes, é necessário estar nelas. De preferência sem robôs e, com humanos.

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Quando os encurtadores de URL deixam a web mais lenta

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Interessante e, de certo ponto, coerente o estudo feito pela empresa de monitoramento web WatchMouse. A compania fez uma análise durante um mês com 14 encurtadores de link para avaliar a eficácia e relevância do serviço, cada vez mais usado em tempos de mensagens de até 140 caracteres. O Migre.me, popular no Brasil, não entrou na lista.

Entre os dias 14 de fevereiro e 16 de março, 12 dos 14 sites que diminuem o endereço (URL) apresentaram problemas de lentidão – atraso de mais de meio segundo para abrir uma página de web (em média, a marca de redirecionamento deve levar 350 milisegundos). Apenas goo.gl e youtu.be garantiram um desempenho satisfatório.

Surpreendente foi o péssimo resultado do fb.me, encurtador de link do Facebook. Criado em dezembro de 2009, o serviço apresentou a pior performance, acompanhado por tr.im.

O uso do Foursquare no Brasil

Trata-se apenas de um excerto, mas vale a pena conhecer os primeiros números sobre o uso do Foursquare no Brasil. Os dados foram divulgados há poucos dias por Maurício Maia, do BuzzVolume. Destaque para o número de postagens nos finais de semana – fato que comprova como o online potencializa o offline e vice-versa. Uma amostra misturar vida social e virtual dá certo.

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O ato de compartilhar notícias do NYT por e-mail

e-mail

Dois pesquisadores da Universidade de Pensilvânia, nos Estados Unidos, produziram um estudo pertinente sobre o comportamento do internauta com a informação. A entidade fez uma análise da lista de notícias mais enviadas por e-mail do jornal The New York Times e, a partir da base constituída, caracterizou-a. O resultado é extremamente interessante e reforça um caráter ‘emotivo’ de compartilhamento.

Segundo o estudo – feito com mais de 3 mil artigos – leitores do NYT compartilham informações ‘positivas’ e das editorias de Ciência e Saúde. O que mais me chamou atenção é, que, cerca de 20% do que fica na página principal do site noticioso é compartilhado, ampliando o pensamento de que disseminação e armazenamento de informação não é sinônimo de hardnews.

Sobre a questão da extensão do texto, algo já esperado. Internautas compartilham notícias ‘longas’, de pouco destaque e com a premissa de que as pessoas tenham o mesmo sentimento ao ler o fato. Um caráter motivacional de reciprocidade, segundo princípios do sociólogo Peter Kollock. Sai de cena os incentivos moral ou social, além do prestígio, para dar destaque a correlação.

Infelizmente, toda pesquisa envolvendo mídia na web tem os seus defeitos. Nesta ocasião, o estudo foi feito a partir dos cliques no botão de compartilhamento do NYT. Logo, o estudo não pode ser considerado o espelho da realidade no site noticioso. O que ainda é comum hoje, na web, é copiar o link da matéria, jogá-lo no corpo do texto de uma mensagem e, posteriormente, realizar o compartilhamento com os outros.

Foto: Andygural.

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