A TV na web: o HTML5

 HTML5

O HTML5 (Hypertext Markup Language, versão 5) é uma linguagem de marcação para a criação e interpretação do conteúdo exibido na internet. Para que qualquer conteúdo seja exibido na internet, a sua construção deve seguir os padrões do HTML.

Atualmente, a linguagem de marcação se encontra na sua quinta versão, e tem como principal melhoria o suporte para recursos multimídia e a incorporação de uma sintaxe que contribui para a criação de elementos semânticos, fazendo com que a linguagem seja produzida e lida de maneira mais fácil por humanos e melhor interpretada pelas máquinas.

Como produtor multimídia, achei legal levantar aqui os principais recursos do HTML5 e suas relações com a produção, distribuição e exibição do audiovisual. Dessa forma, pretendo criar argumentos para entendermos os rumos de uma “nova TV”.

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O fracasso da TV Digital no Brasil

TV Antiga

A primeira transmissão de televisão no Brasil foi em 1950 com a exibição ao vivo do Frei José Mojica cantando na TV Tupi. Desde então, a industria passou por diversas transformações tecnológicas, estruturais e de conteúdo. Os programas ganharam cor, as torres de radiodifusão e os satélites levaram a TV para locais distantes e remotos e a programação se diversificou nos canais a cabo, abordando temas de nicho para públicos específicos.

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Google, Giphy e a guerra pelos GIFs

Um verbete na Wikipedia sobre o termo Graphics Interchange Format, ou o nome verdadeiro e não abreviado do GIF, nos diz: o GIF é um formato de imagem em bitmap que foi apresentado pelo CompuServe (um dos primeiros provedores dos EUA) em 1987.

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Facebook é a nova Babel?

Em toda a Terra, havia somente uma língua, e empregavam-se as mesmas palavras.
Gênesis 11:1-9:1

Há 200 mil anos atrás nossos antepassados começaram a desenvolver uma inovadora habilidade que o fizeram prevalecer sobre os neanderthais. Não foram as machadinhas de pedra ou outra rudimentar arma pré-histórica que deram ao humano evoluído um diferencial nas guerras tribais, mas sim o poder da cooperação e organização social trazido pelo advento da linguagem.

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O conteúdo no reino da web-semântica

Em 1996, Bill Gates escreveu um artigo para o site corporativo da Microsoft intitulado: Content is king, em português seria: “conteúdo é rei”. Como o título do artigo sugere, para Gates, o sucesso da web está no conteúdo. No primeiro parágrafo, Bill Gates afirma: “Content is where I expect much of the real money will be made on the Internet”, ou seja, para um dos homens que mais souberam fazer dinheiro na era digital: conteúdo = $$$.

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#yosoy132 será a “primavera” mexicana?

Uma marcha de estudantes tomou as ruas da Cidade do México no dia 23/05. Alunos das instituições Ibero, UNAM, Instituto Politécnico Nacional, Universidade Autônoma Metropolitana, Universidade Autônoma da Cidade do México, Claustro de Sor Juana, TEC de Monterrey, ITAM e ANÁHUAC deram corpo ao movimento #yosoy132, que reivindica sobretudo a transparência dos meios de informação.

O movimento teve origem após uma visita do candidato a presidência Peña Nieto a universidade Ibero. Peña é membro do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México por 71 anos consecutivos. Em reportagem para o Opera Mundi, Federico Mastrogiovanni destaca que na ocasião os estudantes expulsaram Peña, em represalha a acontecimentos passados, como o massacre de Atenco, que deixou 2 mortos, 207 presos e 47 mulheres violentadas segunda a Comissão Nacional de Direitos Humanos do México.

Peña e o PRI afirmaram em rede nacional que sua expulsão da Ibero foi uma manobra da oposição, e que os estudantes não eram legítimos ou teriam sido pagos. Em resposta, 131 estudantes fizeram um vídeo com suas carteiras da universidade para contestar as alegações. Não demorou muito para o movimento #yosoy132 (eu sou o 132) se espalhar pelas universidades do país.

Articulado principalmente pelas redes sociais, o movimento ganhou um site, o yosoy132.mx. Além da passeata do dia 23, outros movimentos estão sendo articulados até a data das eleições, que devem acontecer no dia 1 de julho.

Assim como a primavera árabe teve como pontapé inicial o protesto de um jovem na Tunísia, que ateou fogo ao próprio corpo em 2010, o yosoy132 pode desencadear uma reação semelhante no México. Se comparado a anos de opressão a jornalistas, violência contra mulheres e controle do crime organizado, a briga dos estudantes da Ibero com Peña é só a minúscula ponta de um gigantesco iceberg.

Mesmo sendo um movimento ainda incipiente, e de maioria jovem, os resultados já começam a aparecer. Peña, até então favorito absoluto nas pesquisas, teve sua margem reduzida para só quatro pontos percentuais em relação ao adversário da oposição, Andrés Manuel López Obrador.

Caso Peña não seja eleito, parte dos manifestantes do #yosoy132 pode se considerar vitoriosa, reduzindo um pouco a vigília dos estudantes. O oposto, no entanto, pode desencadear eventos de grandes proporções. Mas, até que novos episódios aconteçam, nada estará certo.

Foto: Carlos Adampol

Preconceito virtual e, não, xenofobia


O offline como potencializador do online: intolerância do mundo “virtual” ao real

Xenofobia é um termo costumeiramente usado nas aulas de Geografia do Ensino Médio ou Fundamental das escolas de todo o país. Principalmente no momento em que o professor explana sobre o Velho Continente. Segundo o dicionário, xenofobia significa “aversão a pessoas e coisas estrangeiras”. Nesta segunda-feira, uma gritaria virtual em torno do tema chegou equivocadamente – e, mais uma vez -, ao Twitter.

A declaração em até 140 caracteres de uma jovem estudante pipocou na rede. Ela se mostrou revoltada com a vitória de Dilma Rousseff sobre José Serra na corrida presidencial e atribuiu o triunfo à população do Nordeste. Diz a jovem: “Nordestisto não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!”.

O tweet foi como um foguete – deixou o solo virtual do Twitter rapidamente. No entanto, a discussão em torno do assunto veio com um mero engano. Xenofobia pressupõe aversão a objetos e indivíduos de estrangeiros. No caso, a intolerância foi local. Xenofobia vem do grego. Xénos significa estrangeiro; phobos, medo.

A manifestação – que deve ser condenada – será um dos próximos princípios a serem discutidos no país. Não tem jeito. Com a popularização e acesso maciço à web, o episódio que sempre aconteceu na sociedade brasileira será transferido para plataformas digitais. É o on-line como potencializador do off-line e vice-versa. Para tanto, deixo uma sugestão de leitura, da pesquisadora Danah Boyd (em inglês), que trata de forma brilhante sobre o assunto.

A caixa de comentários: uma faca de dois gumes

Na mídia, o ano de 2010 pode ser marcado por duas frações: a agitação – e excitação – de publicações com o Tumblr e uma possível revalorização das caixas de comentários destinadas às páginas de blogs e sites. Virou lugar-comum ler discussões a respeito dos assuntos.

Na última semana, a possibilidade de ler o conteúdo do interagente em publicações on-line ganhou novos capítulos. A equipe que coordena a versão digital do Portland Press Herald interrompeu o espaço por um dia. O motivo: excesso de palavras agressivas e ofensivas, rotina para quem acompanha o movimento. Realmente a trollagem se expandiu. O serviço retornou pouco tempo depois, com novo formato – e novas possibilidades de produção de conteúdo. Buscando combater o anonimato, a publicação fundada em 1862 adotou o Intense Debate, plugin de comentários que permite a produção de conteúdo usando perfis de plataformas populares como Facebook e Twitter. Era uma tentativa do fim do disfarce digital.

Em outras ocasiões já comentei, no blog, estratégias de mídia com o recurso. Já houve até quem decidiu criar uma taxa para comentários produzidos no site. Nessa mesma linha, o Poynter postou a linha do tempo e a evolução de pensamento de sites de notícias com um espaço que sempre foi desvalorizado pela publicação – principalmente aqui, no Brasil. Assim como a web, é uma faca de dois gumes.

Entre as opções, compartilho com os leitores o modelo da NPR, que terceirizou o trabalho para liberar seus profissionais a produzir o melhor conteúdo. O jornalista perde a oportunidade de acompanhar de perto a opinião e avaliação do leitor sobre uma reportagem publicada. O argumento da empresa mostra a importância do espaço, mas não colou. Diz o funcionário Andy Carvin: “a medida busca deixar nosso profissionais mais concentrados e focados no trabalho”. É o eufemismo da desvalorização.

Foto: Animation Concept.

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Em 2010, uma web menos anônima

Reestruturação do Twitter aponta para um lado – o financeiro

Leitores do blog pediram para comentar a repentina mudança que ocorreu nesta semana no Twitter. Na última segunda, Evan Williams, um dos fundadores do microblog, decidiu deixar sua posição de CEO do site. E resolveu colocar Dick Costolo, diretor de operações no cargo. No entanto, a reformulação não vem à toa. Só fortalece e escancara uma preocupação – comum – corporativa: tornar um produto não apenas popular. Mas rentável.

O anúncio fomentou blogs e sites especializados em mídia e tecnologia. Não houve, em nenhum momento, uma convocação à imprensa para a confirmação da reformulação da empresa. A notícia foi confirmada no próprio blog do Twitter, com assinatura de Williams.

Em um primeiro momento, especulou-se que essa movimentação seria a primeira para Williams vender o microblog, assim como fez com o Blogger, plataforma de blogs do Google. No livro Startup, ele admite não ter o costume de se focar em um único projeto: inicia um serviço, espera crescer e, posteriormente, passa adiante.

Engano. Por trás do discurso rebuscado de Williams, há um motivo – real – do problema: a rentabilidade do microblog. Não é de hoje que o Twitter busca, de forma desesperada, formatos para gerar receitas. O anúncio das novas funcionalidades e a crescente aparição de recursos pagos mostra que o sonho de manter uma startup não é tão lindo assim. Por trás da mecânica de um serviço que conta com mais de 105 milhões de usuários cadastrados, alguém precisa pagar a conta.

No ano passado, havia comentado, no blog, os reais motivos do Twitter ter finalizado 2009 no azul. Aos 45 minutos do segundo tempo, Google e Microsoft fecharam uma parceria com a empresa. Nessa jogada, o Twitter faturou 25 milhões de dólares.

Desta vez, Williams deixa o principal cargo da empresa para ser o homem das estratégias. No seu lugar, entra a vertente financeira do produto – Dick Costolo. Aos 47 anos, o executivo é considerado a peça-chave dos novos investimentos ao Twitter. Está na empresa a pouco mais de um ano e vem de uma recente – e positiva – experiência do FeedBurner, site que fornece recursos para auxiliar a otimizar e divulgar o RSS do seu site ou blog. Nesta história, um ponto de intersecção: assim como Williams, Costolo vendeu um produto ao Google. Em 2009, FeedBurner foi negociado por 100 milhões de dólares. Coincidência?

Foto: Joi e Jolie.

“Estratégia em Mídia Social” existe?

Quem acompanha o blog conhece o meu ponto de vista crítico em torno do contexto do que se considera e conceitua como “mídia social” – minha última palestra, na Cásper Líbero, sintetiza meu atual espírito em torno do tema: é muito oba-oba, pouca criatividade e há um uso intenso de marketing em plataformas que foram desenvolvidas primeiramente para estreitar laços e facilitar a comunicação entre pessoas.

Em cada canto, ouço vozes veladas ubíquas que abordam o cargo de analista em mídias sociais. Até o momento, cheguei a uma conclusão: mídias sociais não existe – não há plural para mídia. E social, então: é possível defini-lo?

Nesta perspectiva, conheci o “What the fuck is my social media strategy?”, criado por Mike Phillips, responsável por criar “projetos de engajamento (?)” de uma agência de comunicação do Reino Unido. Antes de assumir este cargo, Phillips era responsável de mídia social de outra empresa.

O site basicamente reúne clichês utilizados por profissionais da área nos últimos dois anos, questionando realmente se as práticas realizadas em rede podem mesmo ser consideradas como estratégias. Acima da crítica, fica a reflexão: chegou o momento de repensar sobre o uso de ferramentas que a web dispõe e, claro, fugir do lugar-comum.

/via @james_rdv