No modelo tradicional de distribuição audiovisual são os donos do conteúdo que controlam os horários em que os filmes ou os programas de TV são exibidos. Esse padrão característico do broadcast é chamado pelo pessoal do Instituito de Tecnologia de Massachusetss (MIT) de modelo da escassez.
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Facebook é a nova Babel?
Em toda a Terra, havia somente uma língua, e empregavam-se as mesmas palavras.
Gênesis 11:1-9:1
Há 200 mil anos atrás nossos antepassados começaram a desenvolver uma inovadora habilidade que o fizeram prevalecer sobre os neanderthais. Não foram as machadinhas de pedra ou outra rudimentar arma pré-histórica que deram ao humano evoluído um diferencial nas guerras tribais, mas sim o poder da cooperação e organização social trazido pelo advento da linguagem.
O conteúdo no reino da web-semântica

Em 1996, Bill Gates escreveu um artigo para o site corporativo da Microsoft intitulado: Content is king, em português seria: “conteúdo é rei”. Como o título do artigo sugere, para Gates, o sucesso da web está no conteúdo. No primeiro parágrafo, Bill Gates afirma: “Content is where I expect much of the real money will be made on the Internet”, ou seja, para um dos homens que mais souberam fazer dinheiro na era digital: conteúdo = $$$.
#yosoy132 será a “primavera” mexicana?

Uma marcha de estudantes tomou as ruas da Cidade do México no dia 23/05. Alunos das instituições Ibero, UNAM, Instituto Politécnico Nacional, Universidade Autônoma Metropolitana, Universidade Autônoma da Cidade do México, Claustro de Sor Juana, TEC de Monterrey, ITAM e ANÁHUAC deram corpo ao movimento #yosoy132, que reivindica sobretudo a transparência dos meios de informação.
O movimento teve origem após uma visita do candidato a presidência Peña Nieto a universidade Ibero. Peña é membro do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México por 71 anos consecutivos. Em reportagem para o Opera Mundi, Federico Mastrogiovanni destaca que na ocasião os estudantes expulsaram Peña, em represalha a acontecimentos passados, como o massacre de Atenco, que deixou 2 mortos, 207 presos e 47 mulheres violentadas segunda a Comissão Nacional de Direitos Humanos do México.
Peña e o PRI afirmaram em rede nacional que sua expulsão da Ibero foi uma manobra da oposição, e que os estudantes não eram legítimos ou teriam sido pagos. Em resposta, 131 estudantes fizeram um vídeo com suas carteiras da universidade para contestar as alegações. Não demorou muito para o movimento #yosoy132 (eu sou o 132) se espalhar pelas universidades do país.
Articulado principalmente pelas redes sociais, o movimento ganhou um site, o yosoy132.mx. Além da passeata do dia 23, outros movimentos estão sendo articulados até a data das eleições, que devem acontecer no dia 1 de julho.
Assim como a primavera árabe teve como pontapé inicial o protesto de um jovem na Tunísia, que ateou fogo ao próprio corpo em 2010, o yosoy132 pode desencadear uma reação semelhante no México. Se comparado a anos de opressão a jornalistas, violência contra mulheres e controle do crime organizado, a briga dos estudantes da Ibero com Peña é só a minúscula ponta de um gigantesco iceberg.
Mesmo sendo um movimento ainda incipiente, e de maioria jovem, os resultados já começam a aparecer. Peña, até então favorito absoluto nas pesquisas, teve sua margem reduzida para só quatro pontos percentuais em relação ao adversário da oposição, Andrés Manuel López Obrador.
Caso Peña não seja eleito, parte dos manifestantes do #yosoy132 pode se considerar vitoriosa, reduzindo um pouco a vigília dos estudantes. O oposto, no entanto, pode desencadear eventos de grandes proporções. Mas, até que novos episódios aconteçam, nada estará certo.
Foto: Carlos Adampol
A iniciativa dos princípios de design do governo britânico

Com nomeação de sua majestade, a rainha, o governo britânico lançou uma cartilha de boas práticas para o design. A iniciativa, que parte do novo portal beta do governo, pretende não ser uma listagem de práticas ruins, mas um guia para processos mais estruturados e com foco na usabilidade e conforto dos usuários.
Para superar hiato, links e leituras
Após 34 dias viajando, conhecendo novos lugares (e tentando estudar), retorno para superar o hiato no blog. Por ora, disponibilizo links – sem ordem de importância – que foram discutidos durante minha estada na cidade de San Francisco, nos Estados Unidos. Alguns dos endereços indicados também estão em meu perfil no Delicious.
- E-mail: A caixa de mensagens terá vida longa. Pesquisadores, estudos e alguns “especialistas em social media” já vaticinaram por diversas vezes sua morte. Era o adeus dos conteúdos considerados pessoais para dar lugar aos tweets, likes e check-ins. Engano. Novos dados divulgados recentemente apontam a importância de gigantes de buscas como Yahoo, Bing e Google.
- Público e privado: Um novo capítulo entre uma das discussões mais antigas do Jornalismo recebeu destaque em maio. O mais recente episódio transformou-se numa polêmica de proporções inimagináveis. Tablóides britânicos disparavam rumores que o galês – e craque – Ryan Giggs, do Manchester United, teve um caso extraconjugal com Imogen Thomas, participante de uma das edições britânicas do Big Brother.
O caso ganhou grande repercussão: Thomas foi proibida pela Justiça, a pedido do jogador, de revelar o nome dele numa entrevista que seria publicada pelo tabloide The Sun. Não teve jeito. O nome de Giggs chegou ao público de uma forma, digamos, inusitada: durante uma discussão no Parlamento inglês. A publicação TIME fez um dos melhores textos a respeito do assunto levantando questões pertinentes sobre público, privado e imprensa.
- Facebook: Não faltaram especulações entorno do Facebook. A maior rede social do mundo foi, mais uma vez, alvo de boatos sobre parceria com Spotify – serviço de músicas que cada vez mais tem um caráter de biblioteca musical -, um possível navegador para competir, claro, com o Google, além de novos meios para compartilhar conteúdo – o que eu não duvido que ocorra.
O múrmurio de vozes virtuais mostram, cada vez mais, que Mark Zuckerberg é um dos poucos profissionais de internet que conhecem, de fato, a internet. Desde o início, o fundador do Facebook usa uma preciosa palavra em seus discursos: conectar. Há algum tempo, o Facebook não é mais uma rede social.
A plataforma que conta com mais de 600 milhões de usuários pretende se transformar em um ecossistema que permita novas ligações “sociais” e maior consumo de mídia. Não é à toa que a empresa lançou recentemente o Send ou até mesmo se aproximou da Casa Branca e Barack Obama. Em apenas duas – certeiras – tacadas quer tentar acabar com a mania de compartilhamento de links por e-mail e se proteger diante de Parlamentos e política, que tanto criticam o Facebook em relação à privacidade do interagente.
Mark Zuckerberg já mostrou a face de sua empresa – tornou-se um espaço de conexão entre pessoas. Chegou a hora de conectar pessoas, conteúdo e mídia. Uma possível recente parceria com o Spotify deixa isso evidente.
É o momento audacioso de Mark em criar uma internet dentro da própria internet.
“Jornalismo Empreendedor” na Universidade de Nova York

Há algumas semanas, publiquei em meu perfil no Twitter um post do Lost Remote sobre conselhos aos jornalistas que aspiram ao empreendedorismo no setor. Em tempos de supervalorização e banalização de dados – discussão que foi amplamente valorizada nos últimos dias com o discurso de Tim Berners Lee, pesquisadores de mídia esquecem um ponto crucial no segmento: a falta de modelo de negócios no Jornalismo.
Sem esse ingrediente, não há como desenvolver receitas de sucesso. Para tentar mudar esse cenário, a Universidade da cidade de Nova York (City University of New York – CUNY) busca se reinventar – e tem uma proposta sedutora para tal.
Hoje, a instituição vai apresentar o Mestrado em “Jornalismo Empreendedor“. O curso faz parte do novo plano de estudos do local e terá uma transmissão em streaming para quem quiser acompanhar de longe. Acredito que o evento vai começar por volta das 21h/22h (de Brasília).
O programa já disponível na rede conta com apresentações sobre novos modelos de negócios para notícias no Jornalismo Digital, com a possibilidade do pesquisador criar seu próprio formato – entenda-se aqui a chance de desenvolver startups de Jornalismo. É a mais uma tentativa de unir esferas acadêmica e de mercado.
Acredito que o desenvolvimento de empresas de pequena dimensão focadas, principalmente, em inovação vai crescer nos próximos anos. Fugir do lugar-comum é a regra – e, há alguns anos, aumenta o interesse de indústrias tradicionais na criação de parcerias com este mercado.
O recente exemplo – e que mostra há mercado no exterior aberto a novas idéias – é o projeto de Steven Johnson. Há quatro anos, o escritor desenvolve Outside.in, baseado em geolocalização e que permite reunir informações hiperlocais – apenas dos Estados Unidos, por enquanto -, do que está acontecendo ao seu redor. É o ingrediente inteligente que falta ao Jornalismo. No último mês de 2009, Johnson ganhou apoio de investidores. E, entre eles, está a CNN. É a mídia clássica tentando se reinventar.
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Economia ‘mastigada’ em infográfico. O New York Times explica

Economia é um sistema complexo – às vezes até incompreensível -, mas recheado de informações úteis a qualquer cidadão. No Jornalismo, o papel do profissional nessa área é crucial: transformar o beletrismo excessivo presente em termos e mensagens com grande caráter de prestação de serviço. É uma das tarefas mais árduas – e uma arte, é claro.
Nesta semana, o New York Times desenvolveu a síntese da simplicidade na editoria de economia. A publicação reuniu dados e desenvolveu um infográfico, com tons lúdicos, que compreende o complicado trabalho em estabelecer prioridades políticas. Principalmente em um país com o porte dos Estados Unidos.
Budget Puzzle: You Fix the Budget permite que qualquer pessoa conectada à rede tenha a possibilidade de equilibrar os orçamentos do governo federal. Você pode hierarquizar e escolher quais são as prioridades – e quais serão os cortes de despesa – para atingir os níveis estipulados para 2015 e 2030.
O leitor pode escolher se irá reduzir gastos com armas nucleares ou eliminar ou adicionar os subsídios aos agricultores. Feito o orçamento, você tem a chance de compartilhar seu projeto com seus seguidores no Twitter – prática comum feita em parte da mídia brasileira. Segundo o New York Times, o infográfico foi um dos mais ‘tuítados’ na história da publicação.
Trata-se, acima de tudo, de um bom exemplo de empresa que soube aproveitar os preciosos recursos da web para trazer a melhor informação ao leitor.
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“Twitter é uma moda passageira”

Nicholas Negroponte é o pai do Media Lab, o badalado e requisitado laboratório de multimídia do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Um dos personagens de maior prestígio – e respeito – no mundo acadêmico, o arquiteto de 67 anos tem uma definição clara e bem interessante entre átomos e bits. Diz o pesquisador: “o bit é o menor elemento atômico do DNA da informação”.
Na última semana, Negroponte concedeu uma entrevista ao diário espanhol El País. E, de certa maneira, fiquei surpreso com a falta de repercussão sobre a conversa. Poucos comentaram o conteúdo. Na ocasião, ele falou sobre comunicação, tecnologia, cultura digital e, claro, plataformas sociais.
Negroponte foi polêmico e, de forma positiva, explicou a amplificação da gritaria virtual em rede. “Qualquer ato público passa a ser relevante”. A frase veio em boa hora, momento em que a sociedade questiona o ato criminoso de uma estudante por propagar ofensas ao povo nordestino em rede. Falta bom senso – de todos os lados, celebridades ou anônimos – aos viciados nos 140 caracteres do passarinho azul.
No entanto, o que me chamou atenção foi o olhar crítico sobre o Twitter. Para Negroponte, o microblog é “moda passageira”. “Não creio que ele vá durar muito tempo”, afirma. “É um local em que se perde muito tempo”. O Twitter de amanhã, segundo o pesquisador, é o Facebook. “Ele me parece mais útil”, finaliza. Nota: Negroponte tem um perfil na rede. No entanto, não usa o serviço diariamente.
No mais, vale a pena conferir a entrevista em vídeo “A mente é o meio mais poderoso“.
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O Twitter e o século XVIII
Foto: Billhr.
Eleições 2010: quando sites de notícias dos EUA querem facilitar a vida do eleitor

Após o turbulento período que decidiu as eleições presidenciais no Brasil, parte das principais publicações on-line foca sua atenção nas decisivas votações parlamentares nos Estados Unidos. Neste mês, o presidente Barack Obama tentará manter sua sólida maioria no Congresso, desafiada por uma agressiva oposição republicana. Por lá, serão escolhidos representantes na câmara, ocupada por uma maioria democrata, no momento. Para tentar compreender o enredado sistema político americano, sites de notícia já começam a desenvolver ferramentas – usando dados distribuídos na rede – para facilitar a vida do eleitor.
Enquanto uma porção da mídia e blogs especializados se encantam com o recurso do Foursquare – que permitirá acompanhar a votação nas urnas por meio de um data visualization em HTML05 -, destaco uma postura ágil das publicações no quesito de visualização de dados e informação. E três delas aproveitaram bem o potencial da internet no quesito agrupamento de conteúdo.
(O Google também disponibiliza uma página dedicada ao tema).
Washington Post, New York Times, Huffington Post e, principalmente, MSNBC conseguiram aproveitar diversos recursos tecnológicos para produzir infográficos interessantes e que mostram a dimensão da divisão de votos em cada estado. Tanto que os 3 sites de notícias praticamente produziram, sob o mesmo tema, uma interface semelhante – com um mapa e descrição minuciosa de cada região.
Nesta oportunidade, gostei bastante da distribuição de informação da MSNBC. Pela primeira vez, o site de notícia de domínio da Microsoft irá conseguir usar a sua interface web inovadora para adaptar o conteúdo em vários dispositivos – entenda-se aqui smartphones e, principalmente, iPad.
Desde julho, MSNBC está com um site que é adaptado automaticamente em tablets, como o iPad, da Apple. Caso visualiza uma das páginas internas do site, note, por exemplo, os ícones na parte lateral à direita do seu navegador (imagem acima): são adaptados ao toque de um dedo. Com os infográficos dispostos na página, não é diferente.
Formato de letra preciso e agradável, dados compreensíveis e pouca informação mostram que, neste caso, a visualização de conteúdo sem uma barra lateral fica bem atraente.
Coincidência ou não, ao finalizar o post, a publicação on-line faturou o Online Journalism Awards 2010 na categoria “excelência de Jornalismo On-line em grandes sites”. A lista completa de vencedores pode ser vista aqui.