Quando os ‘meios tradicionais e sociais’ não compartilham a mesma agenda

Um dos fatos que mais me intriga na mecânica do Twitter é como buscar uma relação entre informações que são propagadas entre seguidores na rede e o próprio conteúdo publicado por meios que são considerados ‘tradicionais’. Uma das primeiras respostas à minha pergunta veio nesta semana, com um relatório do Pew Research Center.

Segundo estudo da consultoria, publicações como jornais, televisão e revistas não compartilham a mesma ‘agenda informativa’ que é propagada em plataformas sociais, como Twitter, Facebook e YouTube. O mais interessante é descobrir que, em cada plataforma, há um assunto que ganha maior destaque.

Nos blogs, política aparece como preferência. No YouTube, política externa é o assunto de maior interesse. E, no Twitter, tecnologia domina – algo já esperado.

No mais, foi no mínimo inusitado saber que, na pesquisa, foram coletadas informações do vídeo do apresentador Boris Casoy ridicularizando a participação de dois garis no Jornal da Band, no primeiro dia de 2010. Três das produções com imagens do fato geraram mais de 2,2 milhões de visitas no YouTube.

Abaixo, um excerto dos resultados:

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Twitter: nada de redes de anúncios, por enquanto

Sem anúncios automáticos enviados por redes em sua timeline. Pelo menos é essa a decisão do Twitter, segundo um post oficial do blog nesta segunda-feira. A decisão, segundo o texto, é para preservar a experiência de navegação e interação do usuário com a rede, uma “preocupação constante” da equipe do microblog.

First, third party ad networks are not necessarily looking to preserve the unique user experience Twitter has created. They may optimize for either market share or short-term revenue at the expense of the long-term health of the Twitter platform

E logo logo, sem sombra de dúvidas, o próprio time do Twitter irá encontrar uma maneira de acolher essa demanda de anunciantes afinal, o serviço precisa render financeiramente. Possivelmente o time de 200 pessoas destinada a analisar as possibilidades de mercado, vai acabar gerando um serviço para quem desejar anunciar, algo à la Google, na minha opinião. Resta esperarmos pelo andar das coisas.

Foto do Flickr

Quando há um limite ao usar o Twitter em palestras

Há pelo menos dois anos é comum acompanhar pessoas adeptas ao Twitter postarem mensagens durante palestras e conferências para propagar idéias e conceitos aos seus seguidores que não têm condições de presenciar o fato no momento – premissa colaborativa que tem o seu elemento de motivação, como sugere o professor Peter Kollock: autopromoção, reciprocidade ou prestígio.

Este modelo de distribuição, discutível em rede, é o tema de um paper bem interessante produzidos por cinco alunos de diferentes instituições européias. Nota: mais uma vez, não há nenhum integrante voltado aos estudos da Comunicação – a grande maioria faz parte de cursos envolvendo Tecnologia e Ciências Sociais.

Trata-se de um documento de 13 páginas que mostra o limite da utilidade de usar a rede de mensagens de até 140 caracteres em conferências. Caso queira, há a possibilidade de baixar o conteúdo.

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O Twitter e o século XVIII

Foto: Haja Nirina.

O Twitter e o século XVIII

Lee Humphreys é um dos nomes acadêmicos que mais respeito no segmento. Seus artigos são serenos e sem oba-oba em torno de redes sociais ou dispositivos móveis.

Professora do departamento de Comunicação e Ciência da Informação da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, ela produziu um paper de quatro páginas que sintetiza muitos dos meus pensamentos envolvendo o contexto “revolução de comunicação com o advento da internet”. Na web, não há revolução, mas adaptação.

Humphreys falou, nesta oportunidade, sobre como o Twitter é tão século XVIII – características e possibilidades de compartilhamento de conteúdo que já eram visíveis na época são evidentes na rede de mensagens de até 140 caracteres. Há mais de dois séculos, os tradicionais diários não eram considerados “publicações privadas” – eram compartilhados por amigos e familiares.

A pesquisadora faz também um alerta irônico em torno das supostas novidades na área da comunicação. Tanto que usa renovação entre aspas. “Nem tudo que está na web é inteiramente novo e revolucionário”. E, em quatro páginas, convence com argumentos sobre a popularidade do Twitter.

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UBizu, a rede social para baladeiros de SP e RJ

Hoje começou a funcionar a Bizu, uma rede social voltada aos baladeiros de São Paulo e Rio de Janeiro.
Muito ligada ao Twitter e com um ar de FourSquare, a rede se centra nos estabelecimentos (bares, casas noturnas, baladas, etc) para unir os interessados. Você pode “seguir” (sim, o termo e ideia são os mesmos do Twitter) seus estabelecimentos favoritos, grupos ou mesmo amigos. As informações, ou Bizus, de cada usuário irão aparecer numa espécie de timeline. A diferença é que, quando se segue um estabelecimento, tudo relacionado a ele irá aparecer por lá também, como uma lista ou search do Twitter.
A rede tem integração de duas vias com o Twitter, tanto para exibir os Bizus no perfil do usuário como para converter Tweets em Bizus.
O visual da rede é bem limpo, mas ainda há alguns problemas, como a busca, que dá bastante erro e a ferramenta para adicionar locais, que passa a impressão de “faltar alguma coisa”.

Você manda posts curtinhos (os bizus) pelo celular m.ubizu.com.br e pela web www.ubizu.com.br dizendo como está o lugar onde você está agora

Hoje começou a funcionar de vez a UBizu, uma rede social voltada aos baladeiros de São Paulo e Rio de Janeiro.

Muito ligada ao Twitter e com um ar de FourSquare, a rede se centra nos estabelecimentos (bares, casas noturnas, baladas, etc) para unir os interessados. Você pode “seguir” (sim, o termo e ideia são os mesmos do Twitter) seus estabelecimentos favoritos, grupos ou mesmo amigos. As informações, ou Bizus, de cada usuário irão aparecer numa espécie de timeline. A diferença é que, quando se segue um estabelecimento, tudo relacionado a ele irá aparecer por lá também, como uma lista ou search do Twitter.

A rede tem integração de duas vias com o Twitter, tanto para exibir os Bizus no perfil do usuário como para converter Tweets em Bizus.

O visual da rede é bem limpo, mas ainda há alguns problemas, como a busca, que dá bastante erro e a ferramenta para adicionar locais, que passa a impressão de “faltar alguma coisa”.

Twitter e Facebook como fonte de tráfego nos sites de notícia

Interessante, porém sem muitos detalhes a pesquisa executada pelo consultor de mídia Adam Sherk sobre números envolvendo redes sociais e sites noticiosos do Reino Unido. Segundo o relatório, Twitter e Facebook geram menos de 2% de tráfego às dez maiores publicações on-line da região.

A curva em destaque mostra um desempenho crescente da rede de mensagens de 140 caracteres, mas ainda de forma tímida. E, de certa forma, diferente dos parâmetros nacionais. Por aqui, Twitter chega a quase 8% de toda a audiência de um site de notícias.

O único fato claro e de relevância é como o Digg perdeu espaço com a chegada de ambientes sociais participativos que circulam muita informação. Simplesmente parou no tempo.

O relatório é um excerto do que já disse aqui em algumas oportunidades. É a velha idéia do fim do poder de uma página principal e a valorização da hiperdistribuição de conteúdo em redes. O cartão de visitas de um canal de notícias não é mais a grande fonte de tráfego – sua audiência está segmentada. E, para fazer parte da troca de links entre usuários em redes, é necessário estar nelas. De preferência sem robôs e, com humanos.

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O fim do “ghost writer” no Twitter?

Huffington Post no Twitter

Sutil e interessante uma funcionalidade em testes que começa a ser aplicada no perfil do Huffington Post no Twitter. Ao lado do registro cronológico que está em destaque na rede, é possível saber quem é a pessoa que produziu o ‘tweet’.

No caso da imagem acima, a mensagem de até 140 caracteres fora propagada por @whitneysnider, editor de esportes do site noticioso. Fiz a busca por outros perfis que já utilizam o recurso, mas não encontrei.

A possibilidade de visualizar quem enviou a mensagem em um perfil corporativo ainda aproxima mais o seguidor à marca. Desmascara, se quiser (a função deve ser opcional), o ghost writer de muitas contas…

/via @ligelena.

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A máscara da imparcialidade em redes sociais

A Comissão de Assessoria Ética Judicial da Flórida, nos Estados Unidos, iniciou no último mês de 2009 uma interessante discussão envolvendo advogados e juízes. A entidade quer coibir trocas de informações e vínculos entre os dois profissionais do estado no Facebook, rede social de maior popularidade no mundo.

Segundo a Comissão, há uma grande diferença entre amizades no sentido tradicional (offline) e amigos em plataformas sociais colaborativas (on-line), por exemplo. Laços estabelecidos em ambientes virtuais criariam alguns conflitos de interesses que devem ser evitados por profissionais.

É o que se considera hoje como a máscara da imparcialidade em perfis pessoais. O velho debate de até onde vai o limite do profissional e o pessoal em rede, cenário semelhante entre as principais empresas jornalísticas e a criação de regras internas aos jornalistas para uso de mídia social, como Twitter, por exemplo.

A versão norte-americana da ESPN é um caso que chama a atenção. Desde agosto deste ano, a empresa proibiu o uso do Twitter pelos profissionais que trabalham com comunicação. E ainda  redigiu uma espécie de cartilha de boas práticas em nichos participativos.

É o movimento de tornar-se menos distribuído e mais centralizado. Uma tática que tem os seus motivos corporativos, mas que explica a diferença entre usar e estar em rede.

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Foto: Fábio Trifoni.

Como a Microsoft e a Google salvaram o Twitter

O grande problema das boas startups que são lançadas em todo o mundo é a velha questão de monetização e custos. O limite entre sobreviver sem anúncios e investimentos é lugar-comum no segmento.

Nesta semana, uma reportagem da Bloomberg mostrou que o Twitter começou a ser rentável e fechará o ano no azul. E graças aos acordos feitos recentemente com Microsoft e Google. As parcerias anunciadas em outubro passado para indexação de conteúdo da rede de mensgens de 140 caracteres nos sites de busca gerou aproximadamente 50 milhões de reais. É a revalorização da pesquisa em tempo real.

Trata-se do primeiro foco de rentabilidade do serviço, mesmo com os investimentos já feitos avaliados em 300 milhões de reais. O processo é similar ao pensamento de Biz Stone, um dos fundadores do Twitter. Ele mesmo já havia garantido a criação de um modelo de negócio em 2009.

Foto: Respres.

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Seesmic Desktop permite visualizar Listas do Twitter

seesmic-desktop

Estava contando os dias para um aplicativo ligado ao Twitter colocar em sua plataforma as Listas que foram anunciadas pela ferramenta de 140 caracteres há algumas semanas e que mostram, aos poucos, que tal funcionalidade será mais um critério de relevância dentro da plataforma social.

Hoje pela manhã conheci a nova atualização do Seesmic Desktop, serviço instalado no computador que permite a atualização de perfis de Twitter e Facebook. A partir de sua nova versão, é possível visualizar grupos criados por você em uma interface fora da layout web do microblogging (http://twitter.com).

A função, de extrema importância, ainda é limitada: não tem a opção, a priori, de ver as listas nas quais fomos agregados e compartilhados, além de ser impossível criar listas a partir do aplicativo da Seesmic. Segundo a empresa, novas atualizações serão incorporadas nas próximas semanas.

Seesmic Desktop sai na frente do popular Tweetdeck – usado por muitos brasileiros – e já evidencia a importância da criação de grupos específicos taggeados pelo usuário, que promove um mapeamento e novos filtros de assunto, necessidade cada vez mais destacável no fluxo de informações que rola no Twitter.

Ainda não vi dados oficiais, mas a liberação de uma nova funcionalidade – que tornar-se-á cada vez mais um novo critério de relevância de análise superficial de perfis – deve ter aumentado o tráfego do Twitter a partir de seu próprio site oficial.

Apesar de ser uma ferramenta popular que cresce mensalmente, poucos usavam o seu serviço a partir da página do microblogging. A facilidade e a abertura de API´s permitiu a criação de inúmeros serviços não-oficiais ao Twitter. Casos dos já citados acima, além de Twittercounter e Twitlyzer, ambientes virtuais de métricas de contas.

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