Liberdade de expressão na rede

Com um certo atraso, disponibilizo no blog – e em meu perfil no Slideshare – a palestra ministrada na última terça-feira, na cidade de Mossoró-RN. Na ocasião, abordei a liberdade de expressão na rede e em suas plataformas de redes sociais como Twitter, Facebook, Orkut e Google+.

No mais, agradeço ao convite dos organizadores do evento e a hospitalidade dos convidados. Espero que a conversa sirva de reflexão para possíveis rastros deixados na rede.

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Faltam mulheres ao Google+

Na última semana, o Google+ alçou seu segundo mês de vida com um balanço nada desprezível: conquistou uma base de 25 milhões de usuários de cadastrados em todo o planeta, um crescimento destacável em países de grande apelo às redes sociais, como Estados Unidos, Cingapura, India e Brasil, além de um esforço desmedido da nave-mãe Google em concentrar força ao seu mais novo produto – na última sexta, o presidente Larry Page revelou o fim de dez produtos que não traziam lucro algum  com à compania, com o objetivo, claro, de focar ao Google+. Tal diligência, no entanto, não convenceu ainda uma importante fatia de usuários para que o Facebook, finalmente, tenha um rival à altura: faltam mulheres à rede social do Google.

A empresa ainda não divulgou dados oficiais a respeito de seu novo produto, mas sites especializados em métricas começam a desvendar dados pormenores da página: segundo o Findpeopleonplus, que oferece conteúdos relacionados à rede, 28% do público presente na rede é do gênero feminino. Tal dado é próximo ao apresentado pelo SocialStatistics: 33%. Portanto, três em cada dez pessoas conectadas ao Google+ são mulheres. E isso é pouco.

Segundo Google AdPlanner, serviço que oferece detalhes de todos os principais endereços da internet, 62% do público total do Twitter nos Estados Unidos é do gênero feminino – em todo o mundo, a escala é reduzida a 45%. No Facebook, maior rede social do planeta, tal fatia é sistematicamente equivalente: metade dos mais dos 750 milhões de usuários é mulher – com um detalhe: mulheres postam três vezes mais que os homens na rede de Mark Zuckerberg. Uma pesquisa divulgada pela empresa TNS Digital Life, especializada em mídia social, aponta que o público feminino passa sete horas em plataformas sociais, enquanto os homens dedicam seis horas.

Portanto, o mais novo e ambicioso projeto do gigante de buscas para desbravar terrenos sociais na internet, agora, deverá criar mais uma estratégia para que se torne, de fato, mais popular: a falta de alguma ferramenta exclusiva ainda coloca em xeque seu sucesso – e para tê-lo, é necessário angariar o público feminino.

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Foto: Grahamsblog

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NYtimes quer notícias no espelho

A versão digital do New York Times na web lançou em agosto o Beta620, endereço eletrônico que exibirá os projetos experimentais da publicação. O objetivo era atrair usuários de internet a testarem interface e ferramentas, além de reportar erros à equipe de desenvolvedores – essenciais para construir um Jornalismo de excelência na web. Nesta semana, o jornalão começou a dar o primeiro passo que toda publicação digital deverá tomar no futuro: aproveitar ao máximo o uso da tecnologia e abusar dos ricos recursos presentes na web para proporcionar maior interação e uma leitura, digamos, mais agradável aos usuários de internet.

O Laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento do New York Times apresentou dois protótipos – um espelho de banheiro e uma mesa de cozinha – que serviriam como plataformas de informação. Para usá-los, o New York Times usa recursos do Kinect, capaz de captar movimentos corporais e interpretá-los como comandos, e um computador – aos moldes de uma mesa – sem mouse e teclado: o famoso Surface.

Fica evidente que o New York Times está à frente de nosso tempo, mas com uma missão já conhecida: no futuro, os leitores não precisarão de dispositivos móveis ou um computador físico para consumir informação – conteúdo será um ingrediente onipresente e disponível em diversas plataformas, desde um brinquedo de criança a um carro.

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Minha participação no e-book do programa de Mestrado da Cásper

Já está disponível para download e apreciação dos leitores o livro Comunicação, Tecnologia e Rede, primeiro e-book do programa de Mestrado da Fundação Cásper Líbero. Lançado na última quinta-feira – não tive tempo para publicar anteriormente, apenas em meu perfil no Twitter – o livro aborda e analisa processos tecnológicos comunicativos e seus impactos na sociedade.

Na ocasião, fiz o primeiro texto “Minha Notícia, iReport e OhmyNews: modelos de colaboração e cooperação no Jornalismo Digital“. Em tempos de supervalorização do Huffington Post no Brasil, é uma boa hora para refletir e discutir o processo de participação do interagente no Jornalismo. A obra está em Creative Commons e disponível gratuitamente.

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Privacidade nas redes para quê?

Reclamações de exposição indevida de dados privados de usuários do Facebook não são novidade na história da rede social. Atento a essa insatisfação, mas não só, o site de Mark Zuckerberg apresentou nesta terça-feira a maior mudança de sua história, simplificando as configurações de privacidade. Além de agradar usuários, o Facebook quer evitar atritos com órgãos reguladores estatais e entidades que inundam a web com críticas à rede, além, é claro, de tentar conter o avanço do Google+, rede social da gigante de buscas. Mas será que a massa de usuários se preocupa mesmo com isso?

Em maio de 2010, problemas técnicos que permitiram a exibição de conversas privadas entre usuários provocaram uma onda de protestos contra o Facebook. Insatisfeitos, usuários fizeram barulho, divulgando na rede uma data – 31 de maio – em que todos deveriam abandonar o serviço. “Se você concorda que o Facebook não respeita você, seus dados ou o futuro da web, talvez queira se juntar a nós”, dizia o comunicado. Deu, como se sabe, em nada. Menos de 40.000 pessoas aderiram à iniciativa – nada, comparadas aos 750 milhões de usuários.

Outra tentativa malograda partiu de quatro estudantes da Universidade de Nova York. Em setembro de 2010, eles anunciaram a criação do Diaspora, concebido como uma alternativa ao Facebook, com uma linha nítida de separação entre os serviços. “Queremos recolocar o usuário no controle do conteúdo que ele compartilha”, afirmou o fundador Max Salzberg em entrevista ao jornal The New York Times. O projeto arrecadou mais de 200.000 dólares em doações de 6.500 pessoas – entre os benfeitores estaria o próprio fundador do Facebook, Mark Zuckerberg. Deu, novamente, como se sabe, em nada. O projeto não saiu do papel: está em fase de experimentação e ainda sem uma data oficial de lançamento ao público.

Dos dois episódios, pode-se concluir que, sim, há uma preocupação a respeito da eventual exibição não autorizada de dados privados. Daí a essa inquietação pautar o comportamento dos usuários em rede é tese a ser comprovada. Parte dos usuários, maioria por ora, parece ainda não ter consciência do quão delicado é tornar públicas informações pessoais como nome, sobrenome, foto, sexo e lista de amigos. Além de revelar dados pessoais, esses dados são minas de ouros nas mãos de empresas, uma vez que os conteúdos podem alimentar ações publicitárias dirigidas a perfis de potenciais consumidores.

Rede social, para certo grupo, é sinônimo de exposição e visibilidade. É uma ferramenta útil na tarefa de conhecer pessoas e, portanto, expandir horizontes. É possível que, a certa altura, o zelo pela privacidade se sobreponha a esse interesse. Mas isso só deve acontecer quando as redes de contatos pessoais se consolidarem. Por ora, isso ainda não aconteceu.

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Por que Apple, Yahoo e Google estudam a compra do site Hulu

Hulu, em mandarim, tem dois interessantes significados: um provém do provérbio chinês, que descreve o detentor do espaço destinado às coisas preciosas. Em um sentido secundário – mas não menos importante – o define como gravação interativa. A carga semântica, talvez, seja suficiente para explicar o sucesso de um serviço virtual que leva seu nome. Nas últimas semanas, o Hulu, site que exibe legalmente na web sucessos como The Glee – e principal rival do YouTube – foi alvo de gigantes do setor. Em menos de 20 dias, Yahoo, Apple e Google demonstraram interesse no produto, avaliado hoje em dois bilhões de dólares. Por ora, tudo especulação, apesar de parte de seus próprios controladores – um conglomerado formado por gigantes do setor do entretenimento – admitirem a venda. A recente e acirrada concorrência, no entanto, traduz o momento em que se discute o futuro dos vídeos na internet. Sobretudo, o poder do Hulu.

Lançado oficialmente em março de 2008 – após passar um ano por uma série de testes -, o Hulu é criação de uma parceria entre os canais de entretenimento Disney, NBC, Fox, para veicular gratuitamente na web os episódios mais recentes de programas de sucesso logo após a transmissão pela TV. Sua receita de sucesso, no caso, está na exclusividade nos direitos de transmissão de programas de popularidade no planeta, como os desenhos The Simpsons, Family Guy (Uma Família da Pesada) e seriados como The Glee, House, The Pretender e Saturday Night Live. Ao todo, são mais de 300 emissoras disponíveis ao usuário, número superior ao acervo dos canais pagos no Brasil. É considerada a principal invenção já desenvolvida pela “velha mídia” na internet – e, por acordos de direitos de reprodução e distribuição, está disponível exclusivamente aos Estados Unidos. Seu CEO, Jason Kilar, já foi executivo da Amazon e eleito um dos grandes profissionais de mídia, segundo o site de notícias Huffington Post.

Em sua fase embrionária, o Hulu criou artifícios para combater o câncer da indústria do entretenimento – a pirataria on-line. Os acordos com grandes estúdios permitiram a veiculação legal de conteúdos que eram distribuídos ilicitamente na rede. Não há mistérios em seu modelo de negócio: cada vídeo é precedido por anúncio, já que o acesso é gratuito. Cabe ao usuário escolher se quer ou não assistir à peça publicitária. Há ainda o serviço de assinatura mensal, por 9,99 dólares (menos de vinte reais), que permite assistir – em tablets, smartphones ou computadores – as temporadas completas de seriados e episódios exclusivos disponíveis no site. Estima-se que já exista um milhão de assinantes.

Como um foguete, veio o seu sucesso: segundo levantamento de junho da empresa de métricas Comscore, os americanos assistiram a 5,3 bilhões de vídeos publicitários, com o Hulu produzindo o maior número de impressões deste tipo: mais de um bilhão. É algo sem precedentes na curta história da web. No quesito audiência, o trono ainda é do YouTube, com 149 milhões de visitas únicas em território americano. Na ocasião, o Hulu é apenas nono site mais acessado no país, com 26 milhões.

Esses números não refletem, contudo, a lucratividade do negócio. Segundo o único registro desenvolvido há dois anos pela analista Spencer Wang, da CreditSuisse, o YouTube dá um prejuízo diário de 1,6 milhões de dólares diariamente ao Google. Para contornar o dano, o jornal americano Wall Street Journal revelou em abril que a gigante de buscas quer investir 100 milhões de dólares no YouTube para dar um formato “mais profissional” ao site, uma vez que todo o seu conteúdo é produzido por usuários da web. Os esforços do Google são evidentes – conquistar novos anunciantes e, consequentemente, aumentar a receita com publicidade. O Hulu, por sua vez, tem um lucro previsto para 2011 de 500 milhões de dólares, quase o dobro dos 263 milhões de dólares registrado no ano passado.

O conteúdo e suas ações colocam o Hulu no topo do segmento de vídeos na internet. Sobretudo, intensifica a concorrência no setor. Desde que a Comissão Federal de Comunicação dos Estados Unidos aprovou a compra da participação majoritária do canal NBC Universal (dona da Universal Pictures), pela Comcast (maior empresa de cabo dos EUA), a Disney e a Fox – outras duas empresas detentoras do Hulu – demonstraram preocupação com o futuro do serviço de vídeos on-line, uma vez que a aquisição deixou a Comcast com maiores poderes sobre o serviço on-line. Mas o próprio órgão americano refutou a estratégia e, no acordo, excluiu o Hulu do negócio. Mesmo assim, Bob Iger, presidente da Disney, confirmou a intenção: “queremos vendê-lo”. A declaração abriu espaço para que um curioso duelo virtual.

O Google e a Apple possuem serviços de TV – Google TV e Apple TV – que poderiam ser, de fato, mais populares. À gigante de buscas, sobretudo, a aquisição seria um novo trunfo para popularizar o Google+, uma vez que os adeptos à rede social compartilhariam ainda mais os vídeos assistidos. Mas, para chegar a tal patamar, falta conteúdo – ingrediente em abundância no Hulu. Para o Yahoo, que ainda é uma plataforma poderosa nos Estados Unidos, o serviço seria uma nova fonte de tráfego e receita.

Na última semana, foi a vez da rede de TV à cabo DirecTV demonstrar interesse pelo serviço. “O Hulu pode oferecer algo que nós não temos, que é disponibilizar conteúdo em qualquer hora e qualquer lugar”, admitiu Michael White, presidente da empresa, em uma conferência em San Francisco, nos Estados Unidos. É a quarta companhia interessado no serviço em menos de um mês – e uma nova tentativa de negociação que, pelo jeito, pode acabar como leilão: leva quem oferecer a maior quantia.

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A Casa Branca abraçou o Storify

A estratégia cuidadosa de Barack Obama com plataformas de redes sociais e uso, no mínimo, inteligente da tecnologia para promover diálogos virtuais ganhou um novo capítulo. Desde a última semana, a Casa Branca inicia uma série de estratégias – que, por ora, são diárias – no Storify, serviço que permite agregar e reunir em qualquer página (site, blog) conteúdos produzidos por usuários de plataformas sociais como YouTube, Flickr, Facebook e Twitter.

Na ocasião, o timing da Casa Branca foi certeiro. Na mesma semana de estreia, o Storify recebera o prêmio do Knight-Batten Awards for Innovations in Journalism, dedicado aos recursos mais inovadores na área de jornalismo. Nos últimos meses, várias publicações on-line aproveitaram os recursos do Storify para criar o que consideram como “narrativa social”. São os casos da MSNBC e Los Angeles Times, por exemplo. Há alguns meses, fiz um teste satisfatório no site de VEJA, durante o casamento real.

Mesmo que de forma tímida, é o primeiro indício de um governo na ferramenta – o que pode ampliar sua importância e, nos próximos meses, ser adquirida por um gigante, como Facebook e Twitter – o que não seria nenhuma surpresa.

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Tweets do dia que merecem leitura

Como se corrigem os erros online? http://bit.ly/rrCXzn
@agranado
Antonio Granado
"The Crowdfunding Cargo Cult" Adrian Hon for @ on startups that don't understand crowdfunding: http://tgr.ph/pE1uuw
@somethingtoread
Something To Read
App do Mozilla para bloquear ou avisar q usuario está em sites do Murdoch http://t.co/aIKnAHA via @ #atisvismo
@jasper
juliano spyer
no blog: sabia... que a AMAZON ainda está crescendo a mais de 50% por ano? http://bit.ly/qA3y2m [15 anos depois! por que?...]
@srlm
silvio meira
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NYT dá sobrevida à barra lateral

Os elementos fixos que, há algum tempo, ganharam popularidade no topo da página de sites como a da The Economist (imagem acima), Twitter ou Facebook, se concentram, paulatinamente, na parte lateral à direita do site. Depois da iniciativa da reformulação do Gawker – criticada por muitos de seus leitores – o New York Times apresentou as primeiras narrativas com tal recurso (imagem abaixo). É a sobrevida às barras laterais.

A leitura não apresenta publicidade e é desenhado em uma única coluna. A novidade, no caso, é a presença fixa da barra lateral à esquerda. Uma vez que a leitura é feita, o usuário acompanha informações adicionais, como galeria de fotos, vídeos e gráficos que completam a narrativa.

O formato e sua reformulação servem para valorizar o conteúdo e mostram que não é preciso adaptar conteúdo em novas plataformas, como tablets. Tal estrutura, como a do New York Times, já é ajustado aos dispositivos como o iPad.

É a velha ideia – em extinção – de usar e abusar recursos da rede.

Dica de Marco Túlio Pires.

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A MSNBC pensa no iPad – e no pageview.

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140 caracteres profícuos da rede

O jornalismo cidadão não morreu http://is.gd/RHAKfl
@alecduarte
Alec Duarte
Leitores preferem textos bem editados http://bit.ly/nTk0sG
@agranado
Antonio Granado
"Facebook and the Epiphanator: An End to Endings?" (Paul Ford, @): http://bit.ly/n4Vmr1
@somethingtoread
Something To Read
Is the internet making journalism better or worse? Yes http://dlvr.it/c3QVm
@gigaom
GigaOM
As demissões chegam ao Twitter após volta de Jack Dorsey, um dos criadores da empresa. http://t.co/b5dKGGT
@caiotulio_costa
Caio Túlio Costa
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