O futuro do Jornalismo é pensar ‘digital first’?

Um dos maiores questionamentos que recebo nos últimos anos acerca do Jornalismo é desvendar – se possível, claro -, quais elementos são imprescindíveis para o novo profissional, que emerge das universidades, chegar às tradicionais redações. Fornecer uma resposta simples e objetiva é, no mínimo, claudicante. Mas, independente dos ingredientes que são adicionados diariamente às novas estruturas da profissão, um fato jamais pode ser ignorado: a tecnologia – e seus aparatos – modificam a sociedade e, principalmente, o Jornalismo.

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API: fermento de gigantes da web

Se o Twitter fosse um bolo, seu fermento seria sua API pública – aberta aos olhos e criatividade de todos os programadores do mundo. A API (Application Programming Interface, ou interface de programação de aplicações) é um conjunto de padrões de programação que permite a programadores independentes criar aplicativos que “conversam” com o serviço original, inventando novas funcionalidades para ele. Hoje, o recurso virou gigante: só o Twitter recebe, diariamente, 13 bilhões de pedidos em sua API.

Desenvolvedores sedentos por visibilidade – e dinheiro, claro – buscam tapar deficiências apresentadas em serviços – ou às vezes – reinventar a roda. Sonham em ser um Tweetdeck ou Summize (foto acima), adquiridos pelo microblog. Ao todo, o Twitter gastou 58 milhões de dólares para tê-las.

Aos poucos, o que se percebe é que grande parte das boas funcionalidades ou novos recursos apresentados na web sai de startups que aproveitaram o recurso de API para desenvolver interfaces ou funcionalidades interessantes que, porventura, começam a ser usadas de forma freqüente. O Summize, atual sistema de buscas do Twitter, talvez seja o maior exemplo deste cenário. Dificilmente o microblog teria o poder e a influência que tem em rede sem um mecanismo de pesquisas em tempo real. A partir dele que o popular Trending Topics fora criado.

Nesta terça-feira, o WordPress começa a dar os primeiros sinais de que não quer parar no tempo – e busca se manter no topo de plataformas de blogs: se apropriou dos próprios recursos que são apresentados por terceiros em sua plataforma para lançar – tardiamente – uma funcionalidade preciosa em blogs (foto acima): a possibilidade em comentar a partir de Twitter e Facebook. Chegou o momento de revalorizar a caixa de comentários.

A versão da empresa é semelhante aos plugins gratuitos já disponíveis na própria plataforma, como Echo, Intense Debate e Disqus (usado, aqui, no blog). Após anos do uso maciço dos recursos, o WordPress descobriu que, a partir de construções sociais, há a possibilidade de descobrir com quem o como você se relaciona com o próximo. Pelo jeito, o WordPress aprendeu – só – em 2011 que o anonimato perde espaço.

A vez de liberar a API é, agora, do Spotify

Enquanto a mídia brasileira redescobre a roda com o Twitter, ferramenta que completou três anos há pouco tempo, a imprensa especializada em música/tecnologia do exterior não pára de falar do Spotify. O serviço de músicas online, aberto ao Brasil com um asterisco de restrição, confirmou uma liberação de sua API: a libspotify.

Spotify começa a dar passos largos em tão pouco tempo de vida e demonstra ser o futuro musical da web. A aplicação, que é nada mais uma biblioteca musical, um mix de iTunes, Last.fm e Pandora, permite ouvir um grande acervo de músicas online, sem custo algum.

A liberação da API, anunciada há poucos dias, permite desfrutar do ambiente social de música em qualquer dispositivo conectado a internet (televisores e videogames). O foco é, com certeza, o celular, permitindo uma flexibilização e mobilidade de sons, sem ao menos ter a necessidade de baixar músicas.

A libspotify é a grande sacada para a criação de terceiros para as plataformas como a Android, do Google, ou até mesmo um Windows Mobile, da Microsoft.

O projeto é tentador, pertinente e atrai mercado. Fundado em 2006, na Suécia, Spotify consegue agradar Gregos e Troianos. Com uma premissa experimental subjetiva e grandes nomes trabalhando, como Ludvig Strigeus, o criador do uTorrent, a aplicação consegue ganhar elogios de usuários e gravadoras, fato até então quase impossível de ser conquistado.

Spotify tem, por exemplo, acordo com EMI, Warner Music, Sony BMG. Ontem mesmo, conseguiu fechar com a questionável PRS, que briga há muito tempo com o YouTube no quesito direito autoral. E todas citadas, sem exceção, enxergam esta união de forma positiva. É um mecanismo de frear os considerados downloads ilegais.

Apesar do nicho de um milhão de usuários cadastrados – número que ainda é pequeno – Spotify ainda tem uma premissa inicial de afastar novas pessoas, partindo do pressuposto do grande público brasileiro que há na web.

Abrindo sua página principal, você se sente afastado da ferramenta simplesmente pela informação objetiva registrada: pague isso ou não entre, um caráter ruim que pode causar um grande vão entre Spotify e “público”.

E, claro, a restrição provoca um hackeamento. Já há na web uma possibilidade de acessar o Spotify sem pagar absolutamente nada, desconsiderando o local de onde acessa o ambiente virtual.

Minha crítica pessoal com a aplicação, com certeza, pode ser superada pela premissa de acessar e não de ter um arquivo. A política do ouço, mas não tenho a música é a mais pertinente no momento na web. Isso permite que você crie estações de músicas baseadas no que ouve, além de redirecionar e facilitar o seu gosto musical com rapidez. Receitas que já são rotina para o Spotify.

A importância da API no Facebook e o dia que passou o Google como fonte de tráfego


Facebook está no mesmo caminho do NYT: fidelização e muito conteúdo

A prova que o Facebook está no caminho certo para tornar-se a maior referência agregadora pessoal da web apareceu ontem, segundo dados divulgados que vi no Hitwise, via Lucasof. A maior rede social do mundo ultrapassou o Google como fonte de tráfego em três específicos nichos populares.

O registro mostra que o site de fofoca PerezHilton.com, a ferramenta social de vídeos Tagged.com e o Twitter geraram mais cliques a partir do Facebook do que o Google. O que pode não ser nenhuma novidade, já que o espaço promoveu diversas mudanças para se popularizar mundialmente.

Facebook não é mais uma rede social de nicho norte-americano: é do mundo. Com uma política de abertura de API´s, a rede social dá mostras que está no mesmo caminho do The New York Times: possui o lema “seja fiel, fique com o meu jornal (no caso acesse o Facebook): ofereço o melhor conteúdo”.

Não à toa, tanto Tagged, Twitter e PerezHilton possui aplicações integradas ao espaço, o que facilita e fideliza o leitor ao ambiente que acessa diariamente.

Apesar de ter arranhado sua marca por conta de uma onda de protestos de seus usuários, que promoveram uma crítica coletiva veemente a respeito dos novos termos de uso do ambiente, a rede social dá largos passos em diversos países, como no Brasil e na Espanha, por exemplo.

Por aqui, lançou sua versão completa e organizada em português, o que provoca um menor distanciamento entre o brasileiro e a ferramenta social. Outro ponto alto da reformulação é sua facilidade em encontrar amigos, conhecidos ou seguidores. Você não precisa fazer muito esforço, já que a ramificação de amizades criada em Facebook permite que você, em pouco tempo, encontre quem você iria procurar.

Na Espanha, Facebook parece que tirou o trono do Tuenti, uma bela rede social originária do país europeu. Segundo dados da Comscore, Tuenti permanece em primeiro. No Google Trends, as posições se invertem.

Foto: Rutty.

O ataque do Facebook às táticas de sucesso de seus “rivais”

E o Facebook começa a promover iniciativas para aproximar [ainda mais] o interagente de seu espaço. A rede social de maior audiência no mundo, segundo dados divulgados ontem, lançou uma nova e simples funcionalidade para comentar mensagens alheias: agora temos a opção Curti.

A ideia deste artifício a rede social é simples: reduzir conteúdos gerados por usuários considerados inúteis, como “ai, que linda esta foto”, “ai, gostei”, “muito bom”. A inserção do Curti já reduz a qualquer tipo de comentário, o que quantifica ainda mais o que você mesmo produziu.

E é neste momento que percebo, ainda mais, uma semelhança de movimentação entre Facebook e New York Times. Ambos analisam [bem] o seu redor – e principais rivais – e “copiam” ferramentas e estruturas dando um maior destaque. Esta funcionalidade lançada pela rede social é muito popular no FriendFeed, por exemplo. A situação é bem parecida quando o NYT lançou o Times Extra, serviço que já era conhecido no Washington Post.

Facebook dá mais um grande passo para incorporar o melhor de cada ambiente social colaborativo. Fez isso também quando abriu suas APIs para compartilhar informação entre todos os usuários, uma resposta clara ao Twitter, rede social de nichos que possui um leve defeito: é o hype do momento, mas veja se as pessoas ao seu redor conhece mesmo a ferramenta. E isso Facebook já fez: criou uma massa crítica de usuários fiéis.

Foto: Kelly_bel.

Por fidelidade, Newsweek não será mais uma publicação “família”


Menos leitores, mais fiéis: Newsweek aposta na especialização para obter novos lucros

Na semana dia em que o New York Times disponibiliza a sua API mais importante de seu meio, em busca de desenvolvimento de ferramentas envolvendo todo o seu conteúdo de jornal, a Newsweek, uma das três revistas de maior circulação no mundo, anuncia uma mudança ousada, perigosa e importante para sua sobrevivência.

A revista norte-americana produzirá mudanças em sua política editorial e revelou, de forma oficial, que vai abandonar a cobertura de todos os eventos durante a semana em sua edição impressa. A partir da próxima semana, Newsweek terá reportagens originais, com “algo a mais para dizer”. Nada de ser uma publicação “coletiva”, destinada a todos os públicos. Agora, prevalece a restrição, a especificação.

A medida vanguarda nada mais é do que definir um nicho de leitores. Instável, a poderosa revista prefere menos audiência e mais fidelidade. Quer fugir do lugar-comum de uma revista semanal, cada vez menos lida devido aos processos e rapidez de fatos na internet, para aproveitar os cinco dias úteis para informar as pessoas de uma forma “diferente”. Chegamos ao fim, por exemplo, de uma publicação “família”, lida por quase-todos integrantes de uma casa.

Os assinantes são nossos melhores clientes e eles merecem uma fonte de informação “diferente”, é o que diz Tom Ascheim, diretor da Newsweek. [frase de otimismo para manter a fidelidade]

Além de sua mudança de postura editorial, a revista pretende aumentar o seu conteúdo de Opinião, além de promover reportagens de tendências, aos moldes de uma publicação trendsetter mesmo. A boa notícia é uma maior valorização da imagem, fotografia.

A atitude possui características a teoria do New Journalism. Não teremos textos extensos, mas propostas ricas em histórias, em conteúdo, com um bom retorno ao leitor. Atualmente, o suporte de comunicação possui 1,2 milhões de assinantes, número que pode cair devido a orientação de promover uma única direção de informação.

New York Times entra na moda da API


NYT se sobressai e reinventa: entra na moda da API

O New York Times aproveitou a “onda mainstream” dos principais serviços de web e anunciou nesta quarta-feira que também vai lançar uma API para deixar o jornal programável.

[Para saber mais sobre API e sua definição, é imprescindível ler este]

O principal veículo impresso dos Estados Unidos confirma a novidade após a “moda” propagada por Google Maps, Microsoft Virtual Earth, Flickr, YouTube, Amazon e, por último, com a Reuters.

A partir desta Interface de programação de aplicativos, será possível criar aplicativos em torno de todo o conteúdo informacional, como mashups e newsgames [novidade que, por aqui, só pintou no G1].

A criação só traz retorno e, é claro, audiência.

Nas próximas semanas, NYT vai começar a testar a idéia nos guias de restaurantes e lista de livros. Se tudo der certo, em um mês tudo estará conforme planejado.

Essa “onda mainstream” que ronda a web por API é muito boa. Veículos de comunicação, extremamente tradicionais, se reinventam na web e, por isso, têm sobrevivência garantida.

Foto do Steve.