Twitter, 7 anos: 200 milhões de seguidores e um grande desafio

Às 18h02 (horário de Brasília) do dia 21 de março de 2006, nascia um dos maiores fenômenos tecnológicos e culturais da web. Curiosamente, o Twitter não surgiu para se tornar uma ferramenta popular. Nascido twittr (nome inspirado no site de compartilhamento de imagens Flickr), ele foi criado por Jack Dorsey (programador de software), Evan Williams (fundador do Blogger) e Biz Stone (outro homem por trás do Blogger) como um projeto paralelo de uma empresa de podcasting, a Odeo: a ideia era usar a ferramenta de microblog de 140 caracteres para promover a troca de mensagens de texto no âmbito empresarial. Foi muito além. Hoje, com 200 milhões de usuários – segundo informa a própria empresa nesta quarta-feira – o Twitter se tornou um espaço de diversão, autopromoção, informação e, especialmente, compartilhamento. Williams e Stone já deixaram a empresa, mas a permanência de Dorsey no comando da companhia mostra que seu destino é resumido a um termo: segunda tela. Ele define o hábito de usar a internet para comentar um programa de TV em tempo real.

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Facebook é a nova Babel?

Em toda a Terra, havia somente uma língua, e empregavam-se as mesmas palavras.
Gênesis 11:1-9:1

Há 200 mil anos atrás nossos antepassados começaram a desenvolver uma inovadora habilidade que o fizeram prevalecer sobre os neanderthais. Não foram as machadinhas de pedra ou outra rudimentar arma pré-histórica que deram ao humano evoluído um diferencial nas guerras tribais, mas sim o poder da cooperação e organização social trazido pelo advento da linguagem.

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As primeiras novidades de 2013

Depois de uma (merecida) pausa de quinze dias, compartilho com vocês leituras relativas ao mundo do Jornalismo Digital – e suas tecnologias – que não merecem ser desprezadas.

Ademais, faço o convite para participar da sexta edição da Campus Party, que acontece no espaço Anhembi entre os dias 28 de janeiro e 3 de fevereiro. Na ocasião, tenho a honra de fazer parte de mais uma mesa no evento, desta vez no espaço gratuito Expo. No dia 30, quarta-feira, das 14h30 às 15h30 (de Brasília), debaterei o tema “Por favor, Desliguem a Internet”, assunto recorrente no blog, ao lado de Pedro Burgos (editor da F451 que publica o Gizmodo, Kotaku e outros), Jacqueline LaFloufa (jornalista e editora executiva do Blue Bus) e Milada Gonçalves (Gerente da Fundação Telefônica).

1) As novidades da The Atlantic com HTML5

2) Financial Times adota estratégia “digital first””

3) Por que o Guardian não pretende adotar o Paywall

4) Os efeitos do novo mecanismo de busca do Facebook

Saída de executivo impõe (outro) novo desafio à rede Facebook

Na última sexta-feira, o mercado de tecnologia acompanhou a primeira saída de um dos principais executivos do Facebook após a recente entrada da empresa na bolsa de valores. Bret Taylor, chefe de tecnologia, comunicou sua decisão no próprio site, espaço onde também confirmou a criação de um novo projeto, em cooperação com Kevin Gibbs, ex-funcionário do Google. A maior rede social do planeta sofre um duro revés ao perder o autor de ações importantes realizadas recentemente. Mark Zuckerberg, CEO e fundador da rede, terá portanto outro desafio pela frente: conter o ímpeto dos funcionários – feitos milionários com a abertura de capital da empresa – que ajudaram a transformar o Facebook em gigante e agora podem buscar outros desafios.

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Novo Facebook a seus usuários

Nesta sexta-feira, o Facebook deu o passo mais importante de sua história, desde sua criação, em fevereiro de 2004, ao estrear no mercado financeiro com a maior oferta pública de ações (IPO, na sigla em inglês) na Nasdaq, a Bolsa do setor de tecnologia. Ao arrecadar cerca de 16 bilhões de dólares, a empresa teve seu valor de mercado elevado para 104 bilhões. Agora, a rede social criada para deixar o mundo mais aberto e conectado, utilizada hoje por quase um bilhão de pessoas em todo o planeta, não será a mesma: investidores vão exigir evolução constante e a rede social terá de atender às altas expectativas para mantê-los satisfeitos. Oportunidades de crescimento não faltam.

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Com Instagram, Facebook agrega inteligência para o ‘mundo móvel’

Nesta segunda-feira, o Facebook deu mais um passo que mostra que o serviço quer ser mais do que uma rede social. Por 1 bilhão de dólares, o serviço de Mark Zuckerberg arrematou o Instagram, aplicativo para as plataformas móveis iOS e Android que personaliza fotos. Já fiz um longo comentário em meu blog no site de VEJA, que revela dois objetivos que não merecem ser desprezados: a empresa agrega uma inteligência móvel imprescindível na batalha virtual contra o Google, além de incentivar engajamento à rede social, uma vez que os usuários do Instagram são fiéis ao serviço. A negociação, contudo, também levanta questões no mínimo auspiciosas.

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Por que o Facebook estuda aprimorar seu sistema de buscas

Na última semana, a versão digital da publicação americana The Business Week revelou que o Facebook planeja aprimorar seu mecanismo de buscas. O objetivo é estimular os mais de 845 milhões de cadastrados a pesquisar com maior eficiência atualizações de amigos, fotos e vídeos – hoje, uma tarefa nada fácil de realizar na rede social.

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API: fermento de gigantes da web

Se o Twitter fosse um bolo, seu fermento seria sua API pública – aberta aos olhos e criatividade de todos os programadores do mundo. A API (Application Programming Interface, ou interface de programação de aplicações) é um conjunto de padrões de programação que permite a programadores independentes criar aplicativos que “conversam” com o serviço original, inventando novas funcionalidades para ele. Hoje, o recurso virou gigante: só o Twitter recebe, diariamente, 13 bilhões de pedidos em sua API.

Desenvolvedores sedentos por visibilidade – e dinheiro, claro – buscam tapar deficiências apresentadas em serviços – ou às vezes – reinventar a roda. Sonham em ser um Tweetdeck ou Summize (foto acima), adquiridos pelo microblog. Ao todo, o Twitter gastou 58 milhões de dólares para tê-las.

Aos poucos, o que se percebe é que grande parte das boas funcionalidades ou novos recursos apresentados na web sai de startups que aproveitaram o recurso de API para desenvolver interfaces ou funcionalidades interessantes que, porventura, começam a ser usadas de forma freqüente. O Summize, atual sistema de buscas do Twitter, talvez seja o maior exemplo deste cenário. Dificilmente o microblog teria o poder e a influência que tem em rede sem um mecanismo de pesquisas em tempo real. A partir dele que o popular Trending Topics fora criado.

Nesta terça-feira, o WordPress começa a dar os primeiros sinais de que não quer parar no tempo – e busca se manter no topo de plataformas de blogs: se apropriou dos próprios recursos que são apresentados por terceiros em sua plataforma para lançar – tardiamente – uma funcionalidade preciosa em blogs (foto acima): a possibilidade em comentar a partir de Twitter e Facebook. Chegou o momento de revalorizar a caixa de comentários.

A versão da empresa é semelhante aos plugins gratuitos já disponíveis na própria plataforma, como Echo, Intense Debate e Disqus (usado, aqui, no blog). Após anos do uso maciço dos recursos, o WordPress descobriu que, a partir de construções sociais, há a possibilidade de descobrir com quem o como você se relaciona com o próximo. Pelo jeito, o WordPress aprendeu – só – em 2011 que o anonimato perde espaço.

As redes sociais já não servem apenas para conectar pessoas

Quando o Facebook alcançou a marca de 300 milhões de cadastrados, em setembro de 2009, Mark Zuckerberg, seu criador e comandante, definiu o rumo do serviço – e do negócio: “Nosso objetivo é conectar pessoas“. Sem dúvida. Com a popularização do site, a rede social (que já ultrapassou a barreira de 750 milhões de usuários) há muito deixou de ser uma brincadeira entre universitários.

Quando veio ao Brasil, Mark repetiu o discurso. E alimentou a discussão com o pertinente argumento de que seu site, na verdade, não é uma rede social: é um utilitário social. De fato, há algum tempo o Facebook vem se tornando uma ferramenta eficiente de comunicação – e de todas as maneiras possíveis: áudio, texto e, agora, vídeo. Sua mais nova tentativa de abraçar um mercado maior do que as plataformas sociais foi a parceria do Skype, popular empresa de telefonia via internet, que permite a criação de vídeochamadas por meio da rede social.

Apesar de não ser inovador – o Orkut já tinha tal funcionalidade há mais de dois anos – o Facebook buscar dar o seu segundo grande passo em sete anos de vida. O primeiro, feito em 2010, permitiu a criação de um grafo social, que entrecorta diversos sites – principalmente os de notícia. O objetivo, segundo o próprio Mark, era o mesmo dos primórdios da internet: conectar pessoas.

Agora, a integração com o Skype mostra o amadurecimento do Facebook – e de seres humanos – na internet. Chega ao fim o ciclo do discurso de conectar pessoas para dar lugar à ubiquidade virtual – ou até mesmo real. Diz o próprio Mark, ontem, no evento. “Até agora, as redes sociais foram basicamente ferramentas de conectar pessoas. Agora, o mundo acredita que as redes sociais vão estar em qualquer lugar. Acho que esse capítulo da história das redes sociais (de ser apenas uma ferramenta para conectar pessoas) foi encerrado.”

Para superar hiato, links e leituras

Após 34 dias viajando, conhecendo novos lugares  (e tentando estudar), retorno para superar o hiato no blog. Por ora, disponibilizo links – sem ordem de importância – que foram discutidos durante minha estada na cidade de San Francisco, nos Estados Unidos. Alguns dos endereços indicados também estão em meu perfil no Delicious.

- E-mail: A caixa de mensagens terá vida longa. Pesquisadores, estudos e alguns “especialistas em social media” já vaticinaram por diversas vezes sua morte. Era o adeus dos conteúdos considerados pessoais para dar lugar aos tweets, likes e check-ins. Engano. Novos dados divulgados recentemente apontam a importância de gigantes de buscas como Yahoo, Bing e Google.

- Público e privado: Um novo capítulo entre uma das discussões mais antigas do Jornalismo recebeu destaque em maio. O mais recente episódio transformou-se numa polêmica de proporções inimagináveis. Tablóides britânicos disparavam rumores que o galês – e craque – Ryan Giggs, do Manchester United, teve um caso extraconjugal com Imogen Thomas, participante de uma das edições britânicas do Big Brother.

O caso ganhou grande repercussão: Thomas foi proibida pela Justiça, a pedido do jogador, de revelar o nome dele numa entrevista que seria publicada pelo tabloide The Sun. Não teve jeito. O nome de Giggs chegou ao público de uma forma, digamos, inusitada: durante uma discussão no Parlamento inglês. A publicação TIME fez um dos melhores textos a respeito do assunto levantando questões pertinentes sobre público, privado e imprensa.

- Facebook: Não faltaram especulações entorno do Facebook. A maior rede social do mundo foi, mais uma vez, alvo de boatos sobre parceria com Spotify – serviço de músicas que cada vez mais tem um caráter de biblioteca musical -, um possível navegador para competir, claro, com o Google, além de novos meios para compartilhar conteúdo – o que eu não duvido que ocorra.

O múrmurio de vozes virtuais mostram, cada vez mais, que Mark Zuckerberg é um dos poucos profissionais de internet que conhecem, de fato, a internet. Desde o início, o fundador do Facebook usa uma preciosa palavra em seus discursos: conectar. Há algum tempo, o Facebook não é mais uma rede social.

A plataforma que conta com mais de 600 milhões de usuários pretende se transformar em um ecossistema que permita novas ligações “sociais” e maior consumo de mídia. Não é à toa que a empresa lançou recentemente o Send ou até mesmo se aproximou da Casa Branca e Barack Obama. Em apenas duas – certeiras – tacadas quer tentar acabar com a mania de compartilhamento de links por e-mail e se proteger diante de Parlamentos e política, que tanto criticam o Facebook em relação à privacidade do interagente.

Mark Zuckerberg já mostrou a face de sua empresa – tornou-se um espaço de conexão entre pessoas. Chegou a hora de conectar pessoas, conteúdo e mídia. Uma possível recente parceria com o Spotify deixa isso evidente.

É o momento audacioso de Mark em criar uma internet dentro da própria internet.