A “preocupação” do Google com a privacidade

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O Google foi uma das poucas empresas a lembrar o dia mundial da Privacidade dos Dados, comemorado nesta quinta-feira.

Para aproveitar o tema, um dos principais a serem discutidos no futuro, já que a geolocalização e o uso de redes sociais em plataformas móveis tornar-se-ão cada vez mais comum, o símbolo de buscas da web divulgou uma cartilha com cinco princípios adotados, porém só agora – em 2010 – foi colocada no papel:

1º Usar informações para dar aos usuários produtos e serviços de valor;
2º Criar produtos que refletem fortes padrões e práticas de privacidade;3º Tornar transparente a coleta de dados pessoais;
4º Dar aos usuários escolhas significativas para proteção da sua privacidade;
5º Ser um guardião responsável das informações que mantemos.

Apesar de um dos critérios soar como falso, o Google aproveitou o momento para não dar brechas a respeito da apropriação indevida e discutível de dados pessoais: acabou unificando sua política de privacidade no Google Privacy. O objetivo é claro: tentar ser o mais transparente possível com seus consumidores, fato já absorvido pelo Facebook há algum tempo.

Abaixo, um vídeo explica sua política de convergência de direitos:

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Como a Microsoft e a Google salvaram o Twitter

O grande problema das boas startups que são lançadas em todo o mundo é a velha questão de monetização e custos. O limite entre sobreviver sem anúncios e investimentos é lugar-comum no segmento.

Nesta semana, uma reportagem da Bloomberg mostrou que o Twitter começou a ser rentável e fechará o ano no azul. E graças aos acordos feitos recentemente com Microsoft e Google. As parcerias anunciadas em outubro passado para indexação de conteúdo da rede de mensgens de 140 caracteres nos sites de busca gerou aproximadamente 50 milhões de reais. É a revalorização da pesquisa em tempo real.

Trata-se do primeiro foco de rentabilidade do serviço, mesmo com os investimentos já feitos avaliados em 300 milhões de reais. O processo é similar ao pensamento de Biz Stone, um dos fundadores do Twitter. Ele mesmo já havia garantido a criação de um modelo de negócio em 2009.

Foto: Respres.

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A resposta da Google contra Murdoch no WSJ

Há quase um mês, havia comentado no blog qual seria a discussão que mais me chamou atenção em 2009. Hoje, quarto dia do último mês do ano, tenho certeza. A ríspida batalha entre agregadores informacionais e publicações tradicionais é o grande assunto, principalmente pelo alarde em torno de uma simples questão: Murdoch x Google.

Ontem, saiu mais um capítulo do debate. Horas depois do anúncio de micropagamento no Google News. Eric Schmidt, carro-chefe da Google, produziu um artigo no próprio Wall Street Journal, de domínio de Murdoch, respondendo aos ataques desferidos sobre uma possível apropriação de conteúdo da principal marca de buscas da web.

A tônica do seu argumento é válida. A Google não é culpada pela crise dos impressos e uma possível transição aos meios online. Schmidt usa o termo frustrado para descrever o executivo da indústria do papel e acredita que a mídia de papel busca de forma desesperada um culpado pelo momento. E encontraram uma das maiores referências na internet.

A Arianna Huffington – que também já foi alvo do debate – entrou na discussão e possui um discurso extremamente pertinente. A indústria do jornal e seus próprios funcionários pararam no tempo. Não tem jeito. Qualquer site pode deixar de ser visível em qualquer mecanismo de busca. A própria Google ensinou a prática.

Fica a lição que nem sempre é bom dizer adeus a Google. Agregar e distribuir é bem diferente de apropriar-se.

A Google mostra seu lado fraco contra Murdoch

Saiu a decisão na noite de ontem. A Google anunciou pela primeira vez a restrição de notícias em seu canal informativo – o Google News – e estabeleceu como cinco o númerode conteúdos que os internautas podem acessar de forma gratuita. A decisão acontece dias após um possível acordo financeiro envolvendo empresas de comunicação, Rupert Murdoch e Bing, buscador da Microsoft.

Josh Cohen, um dos responsáveis do setor de negócios da Google, explicou que a reformulação é feita após perceber que “cada clique de um internauta era processado como um acesso gratuito”. Muitos usuários notaram que era possível acessar de graça conteúdos pagos em sites de notícias a partir do Google News.

Há alguns meses, Murdoch queria impedir que os buscadores (com grande ênfase em Google) parem de indexar todo e qualquer conteúdo distribuído por uma de suas empresas. Um pensamento que bato sempre aqui na blog: tornar-se mais centralizado e menos distribuído. E tudo com a premissa da defesa do lucro das velhas empresas midiáticas.

Ficou evidente que a pressão midiática, encabeçada por Murdoch, todo-poderoso da News Corp., fez a Google pensar em novos formatos. A solução, que antes era de demonstrar o desinteresse perante às publicações na web, foi tornar-se fazer a velha boa política da vizinhança. E, pelo jeito, senti pela primeira vez o lado fraco do principal símbolo de buscas da web, postura que pode fortalecer o argumento de Murdoch.

Foto: Spencer.

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A amizade entre a BBC e os buscadores

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Admito que fico impressionado a cada dia com a transparência que a BBC tem com o seu leitor digital. Acompanho há algum tempo o The Editors, blog do editor da rede que posta frequentemente conteúdos com um belo caráter de prestação de serviço. Nesta semana, um em especial me chamou a atenção.

Steve Harmann, um dos curadores do canal, confirmou uma mudança estratégica da empresa na web: menos refinamento nos títulos de notícias e maior valorização de palavras-chave em chamadas para tornar-se cada vez mais vísivel aos motores de buscas disponibilizados em rede.

Sai o beletrismo e o objetivo em atrair o internauta com palavras fora do lugar-comum do noticiário, e entra o simples, prático e objetivo para fortalecer ainda mais uma grande parcela de tráfego do ambiente virtual: a boa e velha tática do SEO. A atitude, que não é inovadora, chama atenção por uma única questão.

A BBC já tomou a vacina para não contrair a doença que infectou Murdoch e seus 38 jornais há algum tempo. Mesmo que o magnata midiático tenha um acordo prévio com o Bing, buscador da Microsoft, como noticiou o Financial Times nesta semana, ele ainda não pensa de forma mais distribuída e menos centralizada. Pelo contrário.

Meus últimos posts sobre Jornalismo e site de buscas evidenciam o conflito envolvendo apropriação de conteúdo jornalístico por meio de agregadores espalhados pela rede. Só que estudos já mostram que não é nada bom dizer adeus a Google.

Enquanto isso, a BBC mostra que sabe se adequar ao formato no qual produz informação. Não reinventa a roda, não promove mudanças radicais e busca fortalecer ainda mais laços com quem contribui para uma maior distribuição de informação.

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Como não é bom dizer adeus a Google

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Conheci hoje o terceiro capítulo da novela envolvendo a ríspida discussão de apropriação de conteúdo jornalístico envolvendo Rupert Murdoch, o magnata das pubicações, e a Google. Nesta semana, o TechCrunch disponibilizou um gráfico de como seria o Wall Street Journal, carro-chefe impresso do australiano, sem a indexação de seus conteúdos ao principal símbolo de buscas da web.

A partir de dados estatísticos extraídos do HitWise, métrica não-oficial que tem uma “certa credibilidade”, WSJ perderia 27% de sua audiência mensal com a política de Luis XIV desenfreada por seu dono, Murdoch, ao proibir a visualização de conteúdos do jornalão em buscas do Google. O estudo baseou-se apenas nos Estados Unidos, principal nicho de tráfego da publicação.

O mais interessante é conhecer como há uma grande parcela de retorno de tráfego proveniente do Google News. Quase metade dos 27% provém do agregador de notícia que é alvo de ataques de diversas empresas de comunicação. Entre elas, a AP, uma das mais tradicionais agências de notícias do mundo.

Os números só refletem no pensamento do meu último post aqui no blog. Aos poucos, Wall Street Journal e os outros 37 jornais de Murdoch tornar-se-ão mais centralizadores e menos distribuídos.

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3,5% do que é o Google Wave, em vídeo

O Google Wave mal foi lançado de forma oficial e o alarde em torno de seu princípio de “revolucionar a maneira de como se comunicar por e-mail” segue intenso. Fiz alguns testes há alguns meses na ferramenta, mas não se fala sozinho em um ambiente centralizado social participativo. Logo, não tenho pretensão alguma de produzir alguma análise no momento.

Desde o último sábado, começou a circular um vídeo (em inglês) da Epipheo Studios que tenta explicar, em menos de três minutos, o que é e qual é a principal função do novo produto da Google. Uma outra produção mais extensa, com moldes de um tutorial – só que em português – mostra passo-a-passo do que pode ser feito no Wave.

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Google Fast Flip: quando a Google quer ser uma banca de jornal

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Na onda de uma apresentação de novas tecnologias com fins centralizadores, a Google apresentou nesta terça-feira um de seus produtos ligados a sites noticiosos. Google Fast Flip é mais um agregador de informação com um caráter visual superior ao Google News, e com um princípio de tornar-se uma banca de jornal virtual. Mas para editores.

Trata-se da criação do primeiro projeto após uma série de discussões envolvendo meios digitais e a empresa. Muitos dos sites de informação reclamaram que o Google bebe nas fontes de veículos, roubando certo tráfego na web. Desta vez, o serviço exibe telas que reproduzem as telas originais de revistas e jornais online, permitindo ao internauta mapear e filtrar o que é mais interessante em apenas uma página.

Google Fast Flip tem tudo pra ser o novo Google News, apesar da própria empresa não falar a respeito disso. Desta vez, só apresenta conteúdos informacionais a partir de contratos com publicações. Casos norte-americanos já fazem parte do leque de visualizações, como US weekly, TechCrunch, The New York Times e Washington Post.

O que me chamou atenção no projeto é o mecanismo de busca flexível que reconhece as editorias que você mais lê. A partir de suas leituras e cliques realizados, o serviço refina e gera uma espécia de gatekeeper automático de informação. No mais, considero o serviço uma vitrine eficiente aos editores de sites informacionais, que devem ficar de olho na concorrência.

Pelo que vi circulando, a intenção do Fast Flip, a priori, é estendê-lo aos impressos europeus. Sobre lucros, a Google já garantiu que vai dividir a receita gerada a partir dele. É a boa e velha política da boa vizinhança pra manter uma relação menos tensa com publicações, já que as reclamações sobre o uso “inadequado” da informação aquecem o mercado. Em uma leitura no NiemanLab, isso fica evidente.

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A nova página inicial do Twitter ficou menos Orkut e mais Google

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Pra quem havia pedido minha opinião, por e-mail, sobre a nova página oficial do Twitter, lançada nesta quarta-feira. Fica claro o princípio que a marca pretende alcançar.

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