O princípio hiperlocal de unir jornalista e cidadão-repórter: dois gritando

O tradicional O Globo começa a fazer uma bela campanha hiperlocal para convidar o cidadão a produzir informação e contribuir com o conteúdo jornalístico da empresa. Agora, a publicação lançou o Dois Gritando, um centralizador de dados que envolve desde denúncias a prestação de serviço no Rio de Janeiro.

Trata-se de mais uma boa iniciativa hiperlocal, atributo que não é visto e ressaltado no Brasil, além é claro de resgatar Eu-Repórter, serviço colaborativo de nicho de poucas contribuições. Uma espécie de espelho do que acontece principalmente nos Estados Unidos. Pela campanha, você percebe a qualidade do produto.

Posts relacionados
Quando uma mídia hiperlocal foge do WordPress e vai em direção ao Posterous

Como o NYT quer ganhar dinheiro com um projeto hiperlocal colaborativo

A suposta morte de Steve Jobs e o perigo do “furo” no iReport
Cidadão-repórter, jornalista-cidadão, produtor de conteúdo?

Como a gripe suína contaminou a web e o show jornalístico espanhol (Atualizado)


O belo infográfico do ElPaís feito às pressas

Positiva a cobertura e a importância que a Espanha dá a gripe suína, nomenclatura que provocou uma avalanche de informações e dúvidas nos principais portais do Brasil nesta segunda-feira. Sites de notícias de marcas já consagradas – como o El Mundo e o El País – aliados ao bom caráter local de um projeto colaborativo mostram a consolidação e o preparo na hora de produzir conteúdos instantâneos de excelente qualidade.

O ambiente colaborativo Soitu.es, por exemplo, percebeu a necessidade de atender um público específico e só amplia a necessidade da hiperlocalidade.

Aos poucos, começou a integrar em sua página principal três tipos de visualizações informacionais para contextualizar e aproximar – ainda mais – o ex-consumidor de informação para o noticiário. Um mapa colaborativo da Espanha, atualizado em tempo real, é realçado acima de uma caixa de textos só trazendo informações do ambiente colaborativo sobre o caso da gripe suína.

Soma-se a isso a chamada e o convite para buscar – em tempo real – o que se fala sobre a doença no Twitter, que possui a busca mais interessante para o caso. A hashtag mais utilizada no caso é #swineflu e está entre as dez mais propagadas na ferramenta.

No contexto da web em geral, já há bons casos destacados, como um wiki, que foi criado para agregar informações sobre a doença, além do bom e velho mapa localizando os focos do caso que é lugar-comum hoje nos sites de notícia.

O maior destaque, na minha opinião, é o belo infográfico produzido pelo ElPais, que fugiu da premissa local, criou uma interface de cunho global e, mais uma vez, saiu na frente. Atributo que a MSNBC não fez, privilegiando, é claro, o leitor norte-americano.

O ElMundo.es, outro grande nicho de audiência espanhol, criou uma espécie de hotsite para agregar toda a informação da epidemia. No quesito colaborativo, não inventou a roda e produziu a criação de um Fórum para agregar informações de internautas.


Mais conservador, NYT apostou no local para complementar informação

O The Guardian e a ABC News, por exemplo, realizaram rapidamente infográficos de prestação de serviço para complementar a informação. O The New York Times promoveu uma cobertura mais abrangente, preferindo abrir leques de informação.

A marca jornalística norte-americana promove quase um liveblogging no The Lede, além de produzir um pergunta e respostas sobre a doença, relacionando também um gráfico interativo com o mapa dos Estados Unidos, destacando focos locais. Todas as informações estão agregadas ao Times Topics.

Atualizado: Silvio acrescentou – via comentário – mais um importante dado para o contexto da epidemia: “a gripe suína foi tema de cerca de 4% de todos os spam de ontem (segunda-feira).”

Atualizado às 12h11: Dani adicionou ao bom contexto espanhol o infográfico produzido pelo “recente” La informacion.

Atualizado às 12h49: André Rosa (Marmota) produziu um mapeamento também no C-se. Vale a pena dar uma olhada.

Leitor é fonte ou “apurador” de informação?

Acredito que este tenha sido o foco mais interessante do The State of News Media 2009, relatório online de referência e que tem a Universidade de Columbia como carro-chefe: leitor ou consumidor é fonte ou “apurador” de informação?

Devido a sua periodicidade, o modelo tão alardeado na blogosfera traz referências lugar-comum, com conclusões já feitas há algum tempo, como a queda de audiência e, consequentemente, de renda publicitária entre impressos (jornais e revistas).

Pela segunda vez consecutiva, The State of News Media 2009 aborda o Jornalismo Colaborativo. Dou umas pinceladas:

- Ambientes virtuais colaborativos são raros, pouco atualizados, mas possuem qualidade
- Sites de Jornalismo Colaborativo ganharam nova amplitude, devido a falha ou falta de uma cobertura mais hiperlocal.
- Empresas online de mídia continuam com a mania de lançar novos produtos participativos, mas aos poucos percebem que o leitor, consumidor de informação é mais interessante como fonte do que apurador.

Este é o ponto-chave de uma discussão que a vale a pena. Vamos exemplificar com uma ferramenta famigerada: o Twitter. Hoje, o interagente que está no ambiente é fonte ou apura informação?

Não faltam casos para alimentar o tema. Em um acidente nos Estados Unidos, no final do ano passado, registrado minutos antes por um cidadão comum no Twitter: é um fato de entrar na questão de fonte ou de quem visualizou e apurou o fato? Ambos, não?

O tremor em São Paulo no mês de abril de 2008 é um outro exemplo. O cidadão seria fonte da notícia ou simplesmente apurou o fato? A fluidez de trocas informacionais entre pessoas permitiu que sua característica fosse qual?

E é neste ponto que há uma coisa em comum: a hiperlocalidade e a presença física do indivíduo em seu habitat como prestador de serviço. O público, antigo consumidor de informação, faz e ainda fará a diferença no quesito regional. Ao mesmo tempo em que apura o fato, acaba divulgando-o.

EM TEMPO: Aninha (Brambilla) e Tiago Dória deixaram suas impressões a respeito do relatório.

Foto: Osvaldo_Zoom.

Um crescimento [interessante] do agregador de notícias


Topix.net: um agregador com 140 mil comentários em apenas um dia

Interessante a divulgação do ranking de ambientes virtuais jornalísticos mais visitados nos Estados Unidos. Para minha surpresa [e de muitos brasileiros, já que o serviço é desconhecido por aqui], um intruso aparece na terceira colocação, atrás apenas dos poderosos The New York Times e Washington Post. Trata-se do Topix.net.

Já o conheço há algum tempo, desde à época em que li algo sobre no Jornalistas da Web. Topix.net [ou .com] é um agregador de notícias, aos moldes do Google ou Yahoo News, mas com alguns diferenciais que confirmam o motivo de sua popularidade.

Topix utiliza mais de 50 mil fontes diferentes para promover absorção de informação. Há pouco tempo, conta com uma ajuda de cidadãos-repórteres na produção de conteúdos, o que já o garante praticamente como uma “Comunidade Jornalística”.

Caracterizo o site desta maneira simplesmente por um dado que recebi: Topix recebeu, em apenas um dia, 140 mil comentários. Mas tudo isso não é mágica; soube agregar mais do que pessoas. Fidelidade é a marca para seu crescimento.

O ambiente conta com fóruns e grupos de discussão de cada região dos Estados Unidos, bem aos moldes da hiperlocalidade, o que atrai acordos publicitários nacionais e regionais. Logo, a audiência torna-se segmentada, porém a parte de um todo constrói respeito e, posteriormente, respeito do internauta.

Foto: Flickr.

O “boom” do hiperlocalismo


Aliar Jornalismo On-line aos mapas: teremos um boom do hiperlocal?

Via dica e sugestão de leitura de Brambilla.

As mudanças e novidades no De Repente, alidas ao trabalho para a cobertura do X Games no Brasil, me deixaram “um pouco” fora dos últimos acontecimentos envolvendo o Jornalismo Colaborativo.

Apesar da minha presença, física, em poucos minutos no Newscamp, durante o debate da participação do interagente no processo informacional, eis dois destaques virtuais que surgiram.

Meu Bairro e Bairros.com. Dois serviços destinados ao cidadão do bairro (é lógico), produzidos por pessoas comuns. A idéia parece ser pertinente. Ainda não testei os serviços.

O Jornalismo Colaborativo, tema tão discutido em formatos #camp, é novamente alardeado. Agora, por questões hiperlocais.

Eu sou um dos muitos (ou poucos) que defende a participação do cidadão como prestação de serviço nas práticas informacionais. Isso é visto em alguns casos em portais nacionais, como iG, Terra e Globo.

Mas o interessante é o lançamento ou possível “boom” do hiperlocalismo nos meios on-line. As novidades surgem, logo, com mídias consideradas tradicionais. Globo e Estadão. Estadão e Globo.

Um dá destaque ao Rio de Janeiro. O outro, por sua vez, a São Paulo.

Lá fora, isso é propagado por um outro segmento envolvendo New York Times e Geocoding.

Nos próximos dias, o De Repente faz uma análise sobre cada processo colaborativo.

Foto de Nataliej.