Huffington. Uma parada semanal para respirar

Capas da revista Huffington., do portal Huffington Post, exclusiva para iPad

Conhecido pelo alto volume de publicação e o poder de agregação, o lançamento da revista semanal do portal Huffington Post evidencia mais uma vez a importância da edição jornalística frente a velocidade do tempo real

Em sua passagem relâmpago pelo Brasil no ano passado, a mulher que empresta seu sobrenome para o maior (e mais veloz!) site de notícias do mundo me surpreendeu com seu andar sereno, a fala mansa, mas firme, e uma resposta que me intrigava muito até ontem.

Indagada pela platéia sobre como uma empresária com a agenda extremamente ocupada como ela conseguia se manter informada em meio a avalanche informativa da era das publicações em tempo real, incluindo aí seu próprio site, Arianna Huffington foi extremamente enfática: “Eu confio cegamente nos meus editores”.

Continuar lendo

A entrada do Huffington Post ao Foursquare é ‘mais do mesmo’

Pipocou em blogs especializados em mídia o anúncio do ingresso do Huffington Post ao Foursquare, rede social baseada em recomendações que tem menos de dois milhões de usuários cadastrados. A entrada de um dos canais de informação mais interessantes da web mostra a política ‘mais do mesmo’ das empresas de mídia em uma ferramenta que já foi taxada de ‘novo Twitter‘ por espaços virtuais que cobrem o superficial.

A prática encontrada pelo HuffPost é semelhante aos outros sites noticiosos que já foram destacados aqui, no blog: caso a pessoa que acompanhe Huffington Post no Foursquare e produza um check-in (um tweet na rede) em um dos lugares recomendados pelo site de notícia, receberá automaticamente alertas de informações e dicas hiperlocais, de acordo com a região na qual percorre.

O perfil do HuffPost no Foursquare se junta às propostas de CNN envolvendo Copa do Mundo, Wall Street Journal e Financial Times, esta última a que mais me chamou atenção até o momento – por fugir um pouco do lugar-comum.

O que me preocupa, nessas parcerias, é o anseio midiático em ser pioneiro. Já critiquei em outras oportunidades a supervalorização do serviço, que é menos popular que seu rival Loopt, criado em 2005 e que conta com quase o dobro do número de adeptos do Foursquare (3,4 milhões)

Antes de conhecer, desvendar e aprender sobre a rede, o mais importante – no momento – é se garantir. Mas nem toda garantia pioneira é o mais importante. Não podemos esquecer da limitação de uma rede.

A competição de comentários no Huffington Post

Nesta quinta-feira, o Huffington Post apresentou o seu novo sistema de comentários. Seguindo a característica de tornar-se um canal social de informação, a publicação on-line revelou a criação de hierarquia e moderação na produção de postagens de opiniões em cada notícia postada.

O Huffpost se baseou em um sucesso local do Foursquare, rede social baseada em recomendações, para incrementar e manter viva sua caixa de comentários. Cada internauta que acessa e produz conteúdo no site recebe um badge, espécie de medalha ou rótulo que promoverá a competição de mensagens postadas.

A apresentação dos novos recursos acontece 15 dias depois da boa discussão que o New York Times relatou ao mostrar novas estratégias das publicações on-line nestes espaços. Nos próximos meses, sites de notícias irão promover mudanças para anular  “disfarces digitais”. É quando sai de cena o anonimato.

Posts relacionados
Uma web menos anônima

O fim do “ghost writer” no Twitter?

Huffington Post no Twitter

Sutil e interessante uma funcionalidade em testes que começa a ser aplicada no perfil do Huffington Post no Twitter. Ao lado do registro cronológico que está em destaque na rede, é possível saber quem é a pessoa que produziu o ‘tweet’.

No caso da imagem acima, a mensagem de até 140 caracteres fora propagada por @whitneysnider, editor de esportes do site noticioso. Fiz a busca por outros perfis que já utilizam o recurso, mas não encontrei.

A possibilidade de visualizar quem enviou a mensagem em um perfil corporativo ainda aproxima mais o seguidor à marca. Desmascara, se quiser (a função deve ser opcional), o ghost writer de muitas contas…

/via @ligelena.

Posts relacionados
O agregador de ‘tweets’ dos Jogos Olímpicos de Inverno da NBC

A promessa do “social news” e o “curador de conteúdo”

huffpost

Li atentamente ao discurso feito por Peth Cashmore, do Mashable, em sua coluna semanal na CNN. Desta vez, ele conseguiu reunir em um único tópico de discussão muito do que penso e vislumbro no futuro do jornalismo. Mas, claro, sem vender um produto X ou Y e, não esquecendo das raízes de teorias propagadas.

O fundador de um dos blogs mais acessados no mundo resgatou o Digg, site norte-americano que reúne links, para falar sobre a categoria Social News. Segundo ele, os planos do serviço que caiu em desuso com a popularidade do Twitter é agregar informações compartilhadas por usuários em redes sociais.

Sobre o Social News, já destaquei em algumas oportunidades o uso do Huffington Post e como ele tem, cada vez mais, uma postura plural para levar adeptos de plataformas sociais ao seu site. Nada mais do que um agregador – característica em alta, segundo o último relatório do State of The News Media.

O grande “erro” de Cashmore em seu discurso, no caso, é ressaltar e vender curador de conteúdo como um novo profissional. Algo como “editor de mídia social de 2011″. A bola foi levantada em fevereiro de 2009, por Evan Willians, um dos fundadores do Twitter. Ele crê que o “novo jornalista” será um curador de conteúdo.

Logo, a onda foi rapidamente disseminada. Curador de conteúdo esteve entre as das palavras que ganharão maior importância para Cashmore, que esqueceu de avaliar e contextualizar este perfil. Conseguiu de certo modo permear seu discurso com a economia da atenção – o que é correto – mas pecou no quesito histórico.

Essa suposta novidade na área de comunicação tem uma fonte da metade do século XIX. Em 1945, o engenheiro e inventor norte-americano Vannevar Bush, em “As We May Think”, discute uma das questões mais interessantes na área científica: a possibilidade e modo de armazenar e buscar o conhecimento que desenvolvemos em pesquisas. Seu argumento é facilmente transposto à web.

O artigo, publicado na revista The Atlantic e produzido antes da Segunda Guerra Mundial, sugere a criação de um aparato tecnológico conhecido como memex, aparelho fixo em uma mesa, com telas de projeção e teclado – aos moldes de um computador – que armazenasse em um único ambiente ou espaço físico publicações, livros e todas as anotações para servir de suplemento a memória humana.

Foto: Will Lion.

Posts relacionados
Uma web menos anônima

Uma web menos anônima

anonimato

Recebi alguns pedidos por e-mail para falar sobre produtos que podem se destacar em 2010. Não é questão de futurologia ou vontade de escolher um ou outro recurso, mas destaquei no Vida em Rede três temas que, na minha opinião, ganharão relevância: a queda do anonimato na web, geolocalização e um uso mais inteligente da realidade aumentada.

Por aqui, queria abordar a apropriação de conteúdo e o início de uma nova geração de conteúdos pagos na web. Mas preferi focar um único tema e que evidencia uma postura amadurecida do internauta em rede graças aos recursos disponíveis.

Em 2010, teremos uma web menos anônima. A proliferação e, consequentemente, popularização de plataformas sociais provocam a construção de várias teias sociais, com aspectos de ligações carbônicas, e entrelaçadas umas às outras. A partir das construções destes laços – sejam fortes ou fracos – há a possibilidade de descobrir com quem o como você se relaciona com o próximo. É quando sai de cena o anonimato.

O conceito do lifestream está aí para dar resposta aos pseudo-voyueristas. No futuro, vamos acompanhar rastros de pessoas e não marcas, princípio básico que admiro em plataformas como o Tumblr ou Flavors.me. Este último, por exemplo, é espetacular. A capacidade em produzir um cartão de visitas minimalista confirma a tendência de que a web conecta pessoas e não dispositivos ligados a ela.

Christopher Sacca, ex-Google, comentou o assunto durante a LeWeb, um dos últimos eventos de internet em 2009. Ele crê na queda de ruídos anônimos em espaços abertos a discussão, como fóruns e caixa de comentários. Tudo graças aos recursos espalhados pela rede que garantem relevância e, principalmente, reputação ao seu círculo social.

twitter-huff-post

O Huffington Post é o maior exemplo de que o anonimato não impera mais na web. Para um dos agregadores de informação mais interessantes de 2009, Twitter é mais um mecanismo como caixa de comentários. Trata-se de uma das primeiras iniciativas que consegue extrair de plataformas sociais participativas comentários que saíram de seu domínio. Uma tentativa válida de de dominar o ciclo que a pedra faz ao cair na água.

Os grandes profissionais de mídia em 2009 no HuffPost

jason-killar-hulu

É muito interessante descobrir como o The Huffington Post, um dos ambientes de mídia mais interessantes hoje na web, enxerga o futuro do consumo de mídia. O reflexo de seu pensamento é concebido a partir de uma lista em destaque em sua página inicial.

O agregador informacional, considerada a atual “galinha dos ovos de ouro” da mídia norte-americana, saiu na frente no quesito de votações e retrospectivas que tornar-se-ão lugar-comum nos sites de todo o mundo e começou uma disputa em seu próprio site para eleger profissionais e marcas na área de mídia que mais inovaram e se destacaram em 2009.

Ao todo, são dez nomes, que envolvem desde projetos de caráter participativo, como a Wikimedia, a publicações de mais de um século de existência e que se reinventaram na web, como a The Atlantic. Dentre todos os nomes, o que mais me chamou a atenção foi a presença de Jason Kilar, fundador do Hulu, um dos sites de vídeos de maior sucesso há alguns meses.

Por enquanto, Hulu é rentável, produz lucro e é um dos projetos do segmento que mais é apreciado pelo YouTube, que nada em dívidas. Nas últimas semanas, porém, a intervenção de Rupert Murdoch – aquele conhecido por restringir e cobrar por todo e qualquer conteúdo – provocou a cobrança pela oferta do serviço a partir do ano que vem. Hoje, Hulu tem 1,9% da participação do mercado de vídeos.

Posts relacionados
Quando um agregador informacional supera um jornalão tradicional
Hulu sabe fazer social e já o 3º maior canal de vídeo dos EUA

Quando um agregador informacional supera um jornalão tradicional

huffpost

Considerada a atual “galinha dos ovos de ouro” da mídia norte-americana, o The Huffington Post mostra que organizar a informação com um cunho de centralização em um único ambiente, investindo pesado em jornalismo investigativo, dá certo.  Criado há apenas quatro anos, o portal deu um importante passo nesta terça-feira.

Segundo dados divulgados pelo Nielsen Online, o HuffPost ultrapassou em setembro o tradicional Washington Post em visitantes únicos, alcançando 9,4 milhões no mês passado, contra 9,2 mi do WP – publicação que cai anualmente de audiência na web. No último ano, a audiência de um dos maiores jornais dos Estados Unidos decresceu 30%.

HuffPost é um dos projetos mais bacanas criados nos últimos anos. Fundado por Arianna Huffington e Kenneth Lerer em 2005, o agregador informacional com um mix de opinião relevante sempre foi sinônimo de boas indicações de referências de conteúdo.

Há alguns meses, o ambiente virtual teve a idéia de tornar-se um “canal social de informação” ao lançar o “Social News“, funcionalidade que permite a criação de uma página personalizada de notícias, a partir de seu perfil existente no Facebook, rede social de maior popularidade no mundo. É a velha idéia do fim do poder de uma página principal e a valorização da hiperdistribuição de conteúdo em redes.

Engraçado que o destaque a queda mensal que acontece no Washington Post acontece dias após o anúncio de uma lista para controlar o uso de ferramentas sociais participativas por seus jornalistas: aos poucos, o WP torna-se mais centralizador e menos distribuído.

Posts relacionados
Jornais que ainda estão no século XX

Como a ESPN vai na contramão ao proibir o uso do Twitter por jornalistas
Um mapeamento de conteúdos pagos em meios online
Quando leitores de meios digitais não querem pagar para obter informação na web
Um Washington Post mais centralizador e menos distribuído

http://en-us.nielsen.com/tab/product_families/nielsen_netratings