
Li atentamente ao discurso feito por Peth Cashmore, do Mashable, em sua coluna semanal na CNN. Desta vez, ele conseguiu reunir em um único tópico de discussão muito do que penso e vislumbro no futuro do jornalismo. Mas, claro, sem vender um produto X ou Y e, não esquecendo das raízes de teorias propagadas.
O fundador de um dos blogs mais acessados no mundo resgatou o Digg, site norte-americano que reúne links, para falar sobre a categoria Social News. Segundo ele, os planos do serviço que caiu em desuso com a popularidade do Twitter é agregar informações compartilhadas por usuários em redes sociais.
Sobre o Social News, já destaquei em algumas oportunidades o uso do Huffington Post e como ele tem, cada vez mais, uma postura plural para levar adeptos de plataformas sociais ao seu site. Nada mais do que um agregador – característica em alta, segundo o último relatório do State of The News Media.

O grande “erro” de Cashmore em seu discurso, no caso, é ressaltar e vender curador de conteúdo como um novo profissional. Algo como “editor de mídia social de 2011″. A bola foi levantada em fevereiro de 2009, por Evan Willians, um dos fundadores do Twitter. Ele crê que o “novo jornalista” será um curador de conteúdo.
Logo, a onda foi rapidamente disseminada. Curador de conteúdo esteve entre as das palavras que ganharão maior importância para Cashmore, que esqueceu de avaliar e contextualizar este perfil. Conseguiu de certo modo permear seu discurso com a economia da atenção – o que é correto – mas pecou no quesito histórico.
Essa suposta novidade na área de comunicação tem uma fonte da metade do século XIX. Em 1945, o engenheiro e inventor norte-americano Vannevar Bush, em “As We May Think”, discute uma das questões mais interessantes na área científica: a possibilidade e modo de armazenar e buscar o conhecimento que desenvolvemos em pesquisas. Seu argumento é facilmente transposto à web.
O artigo, publicado na revista The Atlantic e produzido antes da Segunda Guerra Mundial, sugere a criação de um aparato tecnológico conhecido como memex, aparelho fixo em uma mesa, com telas de projeção e teclado – aos moldes de um computador – que armazenasse em um único ambiente ou espaço físico publicações, livros e todas as anotações para servir de suplemento a memória humana.
Foto: Will Lion.
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