Blip.fm não aprende e sofre mudanças que podem decretar seu fim

Quem avisa amigo é (em sua segunda versão). O impressionante alarde pelo lançamento do “buscador” Wolfram Alpha – que será discutido em um futuro post – e os problemas diários nos serviços do Google ofuscaram uma reflexão sobre um dos serviços de nichos mais fiéis hoje na web: o Blip.fm.

Na última sexta-feira, o TechCrunch anunciou: o “Twitter de músicas” sofrerá alterações drásticas que podem provocar até seu fim. Em meio a mudanças, crises financeiras, preocupação de direitos autorais e questões legais de distribuição de música de graça, Jeff Yasuda, CEO da marca, confirmou no blog do Blip.fm as primeiras mudanças na ferramenta.

A partir de agora, o streaming do Blip.fm – que permitia ouvir músicas a partir de um link – passará a ser feito pelo Imeem, e não mais do Seeqpod. Este último, por sua vez, já estava na UTI há algum tempo e, no final de abril de 2009, confirmou sua falência.

Então, o que já era nicho, torna-se um serviço extremamente hiperlocal. De praticamente um país mesmo. É sabido que o Imeem possui ainda uma estrutura pequena e de “retorno” norte-americano apenas. Quem estiver fora deste território, ou seja, o resto do mundo, terá maiores limitações para o uso do Blip.fm por simplesmente restringir acesso fora dos Estados Unidos.

A adição de bandas ou novas músicas ao Blip.fm passará por um “centro de qualidade”. O serviço terá um filtro que vai avaliar o que será disponível para ser compartilhado. Com um detalhe: a preocupação e a iminência de tornar-se um ambiente cheio de processos jurídicos provocou outra restrição – agora o usuário só conseguirá ouvir 30 segundos da música, o que é permitido por lei na web.

Pelo jeito, Blip.fm segue os passos e mostra, cada vez mais, laços de parentesco com o Last.fm: ambos começam a dar tiros no próprio pé e têm boas chances de desconstruir o que já foi construído.

O grande problema deste jogo de áudio na web é que poucos sinalizam ou trabalham para a construção de um bom produto, como o Spotify, uma livraria de músicas ainda não aberta ao Brasil que permite a criação de playlists e ouvir o que quiser sem a necessidade do download.


A premissa do Spotify é a melhor solução para música na web

Enquanto a mídia brasileira redescobre a roda com o Twitter, a imprensa especializada em música/tecnologia do exterior não pára de falar deste serviço.

Fundado em 2006, na Suécia, o projeto consegue agradar “Gregos e Troianos” da música: ouvintes e internautas, além de gravadoras, comprovando que estamos no momento de ACESSAR e não BAIXAR. Vide o caso Hulu.

Spotify já tem acordo para disponibilizar e permitir o compartilhamento de áudio simplesmente por ter acordos com os grandes do segumento, como EMI, Warner Music, Sony BMG. Se fosse necessário fazer uma comparação, Last.fm e Blip.fm estariam em 2009. Spotify, em 2012.

Last.fm dá um tiro no próprio pé e começa a cobrar seus usuários


Três euros mensais e não-necessários: custo para permanecer na Last.fm

A discussão envolvendo conteúdo pago na web ganha mais um capítulo nesta terça-feira. Last.fm, um dos serviços de streaming de música mais populares da internet, anunciou a cobrança de três euros por mês para seus usuários em todo o mundo, exceto Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha.

Segundo o blog oficial da ferramenta, a exclusividade a “tríplice aliança” deve-se ao simples fato que a publicidade gerada no ambiente só garante a gratuidade nestes três grandes nichos. A mudança acontece dia 30 de março.

Quem está fora deste eixo pagará por três euros (oito reais, aproximadamente) por mês. Quem não assina terá acesso gratuito a 30 músicas, o que não deixa de ser uma restrição da restrição.

Last.fm vai na onda do The Times, que restringe sua bela hemeroteca há alguns meses, e sua movimentação pode desencadear um novo momento de cobrar por diferencial, conteúdo que poucos detém. O serviço social de áudio possui 30 milhões de usuários mensais.

A restrição pode provocar uma possível migração, por sua vez, ao Blip.fm, que anda mal das pernas, além de popularizar mundialmente o IMEEM, que traz a mesma premissa da “nova” Last.fm, porém com uma estrutura pequena e pensamento ainda local.

Em tempo: Thomaz Fernandes comentou outra situação que promoveu uma bela discussão no fórum da Last.fm: a demissão de uma parte da equipe, envolvendo a brasileira Graziela. Seria este o primeiro tiro no próprio pé?

Foto: Diceliving.