As Olimpíadas dos dados

30a edição dos Jogos Olímpicos, finalizada na noite deste domingo após uma bela cerimônia na cidade de Londres, protagonizou também boas surpresas fora dos ambientes de atividades esportivas. No Jornalismo, as medalhas para produção e visualização de dados ficam com The New York Times e The Guardian, que aproveitaram recursos escondidos nos porões da web  para apresentar, de maneira amigável, informações sobre o maior evento esportivo do planeta. O diário britânico, por sua vez, foi o maior destaque ao oferecer a seus leitores uma infinidade de conteúdos que ajudam a rediscutir o Jornalismo – fez jus ao espetáculo produzido em seu país. Tivemos, sobretudo, a Olimpíada dos Dados. Alguns destaques:

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O jornalismo realmente morreu?

Conforme prometido, disponibilizo aos leitores do blog a palestra ministrada na última segunda-feira, em Montes Claros, norte de Minas Gerais. Na ocasião, conversei com cerca de 250 profissionais de comunicação sobre temas atrelados ao Jornalismo, como redes sociais, dados, mapas e recursos abundantes – e preciosos – disponíveis na rede.

 

Palestra – Montes Claros (MG)

Infografia virou commodity

Infografia é uma expressão gráfica que ganhou relevância após a Guerra do Golfo Pérsico, no início de 1990. É uma firula que explica, com maior clareza, um tema árido e de difícil compreensão: tem a função de ampliar o potencial de compreensão dos leitores – e não foi criada graças à web. Apenas aproveitou recursos do meio. É um modelo narrativo jornalístico atrativo, sedutor – e, há algum tempo, usual. Infografia virou commodity: começa a ser produzida em grandes quantidades e por vários produtores de conteúdo.

Uma das maiores críticas que faço ao Jornalismo Digital é a banalização da técnica. Qualquer informação virou sinônimo de uma arte, digamos, mais rebuscada. Falta dosagem ao recurso. E quem compartilha este mesmo pensamento é Jaime Serra, diretor do setor de infografia da publicação espanhola La Vanguardia.

Ontem, Serra concedeu uma entrevista sobre o assunto. Em uma das perguntas referentes ao tema, Serra sentenciou: “o problema da infografia, no momento, é a quantidade, e não a qualidade”. De fato. Nos últimos meses, sites de notícia, preocupados com a possibilidade de usar recursos da rede, acabam abusando. Infografia virou ferramenta de síntese de qualquer conteúdo. Ao meu ver, ficou clara a cutucada ao La Información, site de notícia que ganhou relevância na Espanha e é conhecido por construir muitos infográficos.

Outro assunto que chamou atenção durante a entrevista veio a seguir. Na mesma pergunta, Serra questionou a popularidade do tema “visualização de dados“. Diz o especialista na área: “há uma tendência em reduzir a infografia às visualizações de dados que, ao meu entender, é apenas um excerto da infografia”. Exato. Antes da popularização do tema, infografia é história. E história não se faz apenas com dados.

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iG foge do lugar-comum e faz um Hole in One com infográfico da F-1


Bem desenvolvido, infográfico do iG representa um amadurecimento na web

Interessante, pouco humilde e de ótima qualidade o infográfico de Fórmula-1 desenvolvido pelo iG, em parceria com o Grande Prêmio, divulgado na última sexta-feira. O ambiente é completo, de excelente produção e traz à tona uma boa discussão envolvendo a qualidade da informação sob nova representação.

O infográfico F1 2009 traz um pacote completo de conteúdos da principal categoria do automobilismo, que estreou neste final de semana na Austrália, em Melbourne: ficha detalhada de cada piloto e escuderia, etapas, além do novo regulamento e um tour virtual de todos os GP´s que serão realizados até o final do ano, atributo que já existe no portal desde 2008.

Há muito tempo não vejo uma produção tão bem feita no país. Bons infográficos são sinônimos, até hoje, de produções espanholas. Principalmente do El País, que valoriza e muito o recurso.

iG saiu do lugar-comum que é visto nos rivais Uol e Globo, que produzem com até certa periodicidade essas representações dinâmicas de informação. Enquanto os dois portais dão cinco tacadas pra acertar o buraco, o iG precisou de apenas uma para garantir o Hole in One.

O único ponto que deve ser criticado é o alarde e a adjetivação interna usada para definir o infográfico: “obra-prima”, segundo a notícia que o divulga. “Um novo conceito em arte sobre automobilismo.” Muita calma…

A infografia é um excelente recurso para contextualizar um conteúdo e não deve ser banalizada. Há uma preferência pessoal de construir uma boa representação informacional de recursos a cinco infográficos-padrão vistos por aí.


Super Bowl Twitter Chater foi uma das boas apostas do NYT

O New York Times, mais uma vez, pode exemplificar o meu pensamento. Não vive aí construindo muitos infográficos: foca um projeto, uma editoria e lançam um produto interativo, diferente e novo.

Duas belas representações de jogo foram construídas: o Inside the Playbook, um preview de algumas das jogadas do jogo, bem semelhante a um jogo de videogame, além do interessante Super Bowl Twitter Chatter, um mapa dos termos mais usados na ferramenta social durante o evento, o de maior audiência em todo o mundo.

El Pais e seus infográficos


El Pais é o ambiente virtual informacional mais completo da web

Não tenho dúvidas. O El País produz o melhor conteúdo jornalístico da internet. Há muito tempo.

Só tenho elogios ao Yo Periodista, canal colaborativo do portal, ao visual de página principal, estrutura, idéias e, claro, às produções de infografia.

Nesta sexta-feira, vi no CircaVie, site para produção de linhas de tempo sensacional, da AOL, o infográfico da história de 32 anos do principal veículo de comunicação da Espanha.

Foto de Flickr.