A resposta do New York Times ao Wall Street Journal

Campanha do New York Times abre guerra contra o Wall Street Journal

Desnecessária e ofensiva a campanha que será propagada pelo New York Times nas próximas semanas contra uma possível apropriação de segmento hiperlocal a um de seus maiores rivais, o Wall Street Journal. A iniciativa, definida como Numbers, reforça a importância que um veículo norte-americano dá a  um grupo restrito para distribuição e fidelização de conteúdo.

O assunto rapidamente foi discutido no PaidContent e Business Insider, dois dos ambientes virtuais que mais acompanho ultimamente. A campanha começará em abril, terá a duração de seis semanas e focará em meios impressos e online.

A batalha para conquistar novos adeptos já é travada há alguns meses. O motivo é simples – o projeto de Rupert Murdoch, carro-chefe do WSJ, em disponibilizar um suplemento local aos nova-iorquinos em seu formato impresso. A estratégia é tirar o domínio de um terreno dominado até então por uma única marca – o NYT. A resposta, ofensiva, veio em números.

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“Na internet, somos todos iguais”

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Confesso que respeito a perspicácia e a iniciativa que a mídia espanhola proporciona ao Esporte, uma das editorias de maior audiência no Brasil. O resultado desta admiração foi traduzido em um podcast disponível na web: trata-se de uma conversa com Álvaro Varona, um dos carros-chefe do bom Marca.es, ambiente virtual dedicado a um único tema (nicho) e que recebe cerca de dois milhões de visitantes únicos por dia.

Destaco aqui algumas frases ditas por Varona que merecem reflexões a respeito da participação do cidadão na produção informacional do jornalista. Além disso, ele vai na mesma linha de pensamento que tenho há algum tempo: o jornalista não é o único especialista da informação e tornou-se mais um nó na rede.

Quem quiser tem a possibilidade de acompanhar o podcast, com duração de 37 minutos.

Não troque os pés pelas mãos. Levar conteúdo web para o jornal ou vice-versa demonstra que o jornalista não conhece os critérios e linguagens que são distribuidas e realçadas nos formatos.

A participação do usuário, algo fundamental hoje, tem um grande lado moderno, porém trata-se de uma realidade distante da grande mídia, que não sabe usá-la.

O usuário TEM que estar registrado em Marca.com para produzir comentários. Isso mostra que ele faz parte da rede. Dá aquele sentimento de pertencimento a uma marca. Seu nickname possui grande valor.

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Como não é bom dizer adeus a Google

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Conheci hoje o terceiro capítulo da novela envolvendo a ríspida discussão de apropriação de conteúdo jornalístico envolvendo Rupert Murdoch, o magnata das pubicações, e a Google. Nesta semana, o TechCrunch disponibilizou um gráfico de como seria o Wall Street Journal, carro-chefe impresso do australiano, sem a indexação de seus conteúdos ao principal símbolo de buscas da web.

A partir de dados estatísticos extraídos do HitWise, métrica não-oficial que tem uma “certa credibilidade”, WSJ perderia 27% de sua audiência mensal com a política de Luis XIV desenfreada por seu dono, Murdoch, ao proibir a visualização de conteúdos do jornalão em buscas do Google. O estudo baseou-se apenas nos Estados Unidos, principal nicho de tráfego da publicação.

O mais interessante é conhecer como há uma grande parcela de retorno de tráfego proveniente do Google News. Quase metade dos 27% provém do agregador de notícia que é alvo de ataques de diversas empresas de comunicação. Entre elas, a AP, uma das mais tradicionais agências de notícias do mundo.

Os números só refletem no pensamento do meu último post aqui no blog. Aos poucos, Wall Street Journal e os outros 37 jornais de Murdoch tornar-se-ão mais centralizadores e menos distribuídos.

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Michael Jackson, 11 de setembro e a informação

Não tem como não tocar no assunto que paralisou o mundo nas últimas 24 horas: Michael Jackson morreu – de forma um tanto quanto inesperada – aos 50 anos de idade por uma parada cardíaca.

Até então, todo mundo já sabe disso. O que me motivou inicialmente  a escrever este post foi o porquê de “todo mundo  já saber disso”, apenas algumas horas depois do ocorrido?

Entusiastas provavelmente encheriam o peito para afirmar que a informação tem essa velocidade de atingir as pessoas hoje por causa da internet. Eu iria mais adiante. Ou menos adiante: a velocidade da informação já atingiu, para nós, seu limite há um bom tempo, e a internet não é o principal fator disso.


Difícil de acreditar que realmente aconteceu

Para explicar faço uma analogia com o 11 de setembro: quando a notícia de que o primeiro avião atingiu o WTC veio à tona  eu estava num hotel na Costa do Sauípe para assistir o Brasil Open (sou um grande fã de tênis). Coincidentemente a TV do quarto estava ligada. Eu me lembro bem: em menos de 10 minutos depois do acontecimento já havia uma cobertura no local comentando e especulando sobre o ataque terrorista.

A mobilidade da mídia permitiu que o segundo avião virasse um espetáculo macabro transmitido ao vivo para o mundo. Foi impressionante. O mundo parou e em função da velocidade com que as informações apareciam na TV: em poucas horas só se comentava isso. Todos os estabelecimentos da Costa do Sauípe tinham a TV ligada na cobertura do ataque durante o torneio inteiro. Eu e meu pai vimos os jogos, claro. Mas o 9-11 foi o que marcou a viagem.

Em 2001, a internet ainda engatinhava. E hoje, é jargão nos meios de comunicação afirmar que a informação trafega cada vez mais rapidamente em função dela. Do ponto de vista da capacidade de atingir as pessoas em geral talvez isso não seja tão verdade. A informação já é rápida – muito rápida – há um bom tempo.

Homenagem um tanto quanto inusitada ao astro

E isso é interessante: dessa vez, fiquei sabendo da morte do Michael Jackson pelo twitter. Despretensiosamente tentando aumentar meus seguidores num fim de tarde chuvoso micro-posts  sobre a possível morte do astro começaram a surgir de várias fontes. Em poucos minutos e depois do ‘furo’ da TMZ, vários sites de notícias começaram a especular e a cobrir o acontecimento (aproximadamente às 21hs já havia mais de 1000 artigos publicados sobre o tema).  Logo após os rumores, liguei a TV e a Globo estava com um plantão relutando em confirmar a morte.

Confirmada ou não a informação já estava efetivamente lá. Minha mãe chegou em casa do trânsito logo em seguida falando “Você viu?”. Ou seja, no rádio também só se falava nisso. A maioria dos outros canais de TV também se mobilizava.

Enfim, o que me fez pensar um pouco foi que a informação já trafega de forma quase instantânea há um bom tempo. Estamos de certa forma conectados instantaneamente com a informação muito antes da popularização da internet. Tragédias como o 11 de setembro e a morte de Michael Jackson são exemplos disso. A TV ainda mantém o trunfo de “juntar” 40 pontos de audiência de pessoas todos os dias na frente de sua tela para ouvir cariocas falando “namashtê” depois do tradicional noticiário das oito e pouco. Ela ainda é a principal fonte de assunto na sociedade brasileira. Novelas, jornais, futebol ainda têm na TV sua maior plataforma de contato com o público.

E isso nos traz a um ponto central na discussão: por que o Jornal Nacional só confirmou a morte quase no final da edição de ontem? De cara eu pensei que manter o suspense da confirmação de algo que já era fato na internet pelo menos meia hora antes do começo do jornal era uma manobra para mobilizar e atrair a audiência. Pode ser. Mas enquanto escrevia esse post percebi que talvez a questão seja menos, digamos, perversa: diferente de um site de notícias na internet que tem mobilidade e capacidade de atualização instantânea e uma audiência extremamente volátil e dinâmica, o Jornal Nacional tem uma única edição diária e a responsabilidade de trazer notícias a milhões de brasileiros que o têm como sua fonte principal de informação.

Responsabilidade e compromisso com milhões de espectadores: pelo menos em tese

Se o Jornal Nacional publica a confirmação da morte de Michael Jackson sem ter uma fonte segura e isso resulta em não ser verdade eles podem abalar um compromisso de credibilidade que têm com uma audiência muito mais tradicional e massiva no Brasil.

Com a internet potencializou-se, sem dúvida alguma, a capacidade de articulação e de troca de informações no mundo inteiro. As pessoas estão muito mais conectadas diretamente entre si etc. Mas não podemos negar a importância ainda gigantesca da televisão:  eu arrisco dizer que ela ainda é nosso parâmetro principal de percepção do mundo.

Quem sabe as próximas gerações não tenham um entendimento do mundo mais moldado pela internet. Os resultados disso ainda estamos por ver. Mas no que condiz à informação, ainda estamos inquestionavelmente acondicionados pela televisão.

A Internet ainda engatinha no Brasil como fonte de informação segura e de credibilidade.  E mesmo ainda sendo uma ‘criança precoce‘ já mudou nossa sociedade de várias maneiras. É preciso ter um pouco de calma para que ela não cresça traumatizada com seu sucesso estrondoso tão cedo e acabe virando notícia no plantão do Jornal Nacional.

O retrocesso da cultura do “algo a mais” volta a rondar o New York Times

Virou lugar-comum, agora, dizer que a restrição a conteúdos pode virar um grande potencial na web durante a crise econômica financeira mundial. Desta vez, quem estuda cobrar por informação online é o New York Times, meio que mais propaga mudanças e repensa modelos de negócio para sobreviver frente à turbulência do mercado.

Bill Killer, editor-executivo do NYT, revelou que ainda estuda uma forma de lucrar com o conteúdo que disponibiliza na internet e acredita que um plano de assinatura para acesso de qualquer informação ao veículo possa ser a solução. Há menos de dois anos o meio não cobra para acessar seu ambiente.

A apressada declaração só confirma o rumor da velha máxima da cultura do “algo a mais”. Sem novos modelos de negócio, gerentes e carros-chefe de bons produtos da web não têm escolha e apelam para a restrição, atributo “antigo”, pouco rentável e que é visto [infelizmente ainda] no Brasil, citando casos Folha de S. Paulo e Estadão.

E esse não é o primeiro retrocesso. Há uma onda de que serviços como Tumblr, Ustream, Issuu e até o Twitter criem algo que já é conhecido: as famosas contas “pro”. A estratégia é semelhante às buscas de popularizar uma rede social: você restringe, entrega convites a poucos, característica que provoca um burburinho e uma onda de “quero me inserir ao que é exclusivo”. O Vimeo fez isso há pouco tempo, com a criação do Vimeo Plus, por exemplo.

Este tipo de “cultura” chega bem no momento que o The New York Times promove suas maiores mudanças, vendendo pela primeira vez na história um espaço publicitário em sua página principal impressa. E a pressa de seu corpo de funcionários parece não transmitir seu bom momento: hoje possui uma premissa de tornar-se uma plataforma de conteúdo de interesse mundial (não apenas os EUA), tornando-se o oitavo jornal online mais lido no Reino Unido.

A vitória dos meios com Barack Obama


Pesquisa aponta CNN à frente do NYT na web

Não escrevi sobre a vitória e a movimentação de Barack Obama envolvendo novas mídias e tecnologia pois isso virou lugar-comum na blogosfera. É todo mundo comentando os passos de seu triunfo, aliado é claro ao [péssimo] falso holograma produzido pela CNN durante a cobertura das Eleições dos Estados Unidos.

O fato positivo da cobertura para os veículos de comunicação foi o crescimento. TV, Internet e, principalmente, o Jornal lucraram com a mudança cultural da população norte-americana nos próximos quatro anos.

Mais de 70 milhões de norte-americanos assistiram a movimentação eleitoral pela televisão. Em 2004, este número era de “apenas” 59 mi. Os diários locais tiveram um crescimento de 35% em suas vendas nos últimos dias, número extremamente interessante para comprovar a preocupação do norte-americano com assuntos mais “aprofundados”, céticos, com maior precisão de compreensão do contexto.

Na internet, a história não foi diferente. Cerca de 25% de crescimento em visitantes únicos e 61% maior de tráfego por tempo em ambientes virtuais, o que também comprova a preocupação em tempo real de muitos com o resultado oficial.


A criação bizarra de um falso holograma não permitiu hegemonia da CNN na TV

Apesar da espetacularização e atributos de ficção-científica, a CNN não foi o canal de TV mais visto pela população dos Estados Unidos. A ABC foi a líder da noite do anúncio da vitória de Obama, com 13,1 milhões de telespectadores, enquanto sua rival ficou com 12,3 mi.

Entre os jornais, não tem jeito. O tradicional The New York Times manteve sua autoridade frente às seus concorrentes. Aumentou suas vendas em 30%, à frente do Washington Post, outra importante referência impressa.

Na internet, novas surpresas [pelo menos pra mim]. A CNN teve a maior audiência, com 12,8 milhões de visitantes únicos; um crescimento de 51%! O fato é interessante pois considerei a cobertura do The New York Times bem mais atrativa e completa. MSNBC e Yahoo News! completam o “pódio” da web.

Toda essa movimentação só confirma a preocupação mundial, graças é claro ao alarde da imprensa, com o futuro dos Estados Unidos. Era esperada a vitória de Barack Obama nas urnas, mas havia ainda muito receio sobre o não cumprimento da palavra de seus eleitores. Essa frase vista no G1 sintetiza meu argumento de preocupação, levantando até uma hipótese do triunfo de John McCain.

‘Votei no McCain mas torço pelo Obama’
Acabei de votar na que vai ser a maior eleição da história americana. Apesar de ser Republicano e votar no Mcain (sic!), por questões puramente de princípios em ordem de importância – casamento com pessoas do mesmo sexo, aborto e nomeações para a Corte Suprema -, creio que se Barack Obama vencer este país estara dando um gigante passo nas questões de preconceito racial e divisão social.

A doença dos veículos tradicionais infecta novas mídias

MobuzzTV, uma das startup audiovisuais da internet, começa a fazer apelos. A empresa de televisão online realiza uma campanha para obter 120 mil euros até o dia 09 de novembro, um domingo, para garantir sua sobrevivência, logo, sua permanência como ambiente virtual.

A marca pede doações de seus usuários para dar fim a uma crise, ampliada graças às turbulências financeiras em todo o mundo. O apelo é, ao menos, interessante.

Durante quatro anos seguidos, levamos conteúdo grátis, em alta definição, em cinco idiomas a você. Agora, estamos aqui para pedir ajuda.

Não são apenas os tradicionais veículos de comunicação que sofrem com a oscilação do mercado. Novas mídias, pelo jeito, não sabem se movimentar perante ao potencial que é visto na web. MobuzzTV, com certeza, está pagando um preço caro por falta de novos modelos de negócio.

A empresa foi ousada no início, apostou em um conteúdo visual e atrativo, mas esqueceu do público-alvo. É, cada vez mais difícil, prender um internauta a apenas uma coisa, um ambiente virtual.

Outra. Os custos, despesas, e afins cresceram. E não foi à mesma proporção de novos internautas e interagentes no serviço.

Mais uma. Ser grátis não é a aposta do futuro. Vide as crises envolvendo jornais gratuitos, como Metro e Destak. Isso só levanta uma hipótese que disse há alguns dias: ter conteúdos ou espaços pro ou premium [pagos], para mostrar que usuários específicos são importantes, pode ser a chave de algum produto ou marca virtual.

Veja o vídeo do apelo:


O fim digital do Herald Tribune

O The New York Times resolveu agir e, antes mesmo de uma grande possível ecônomica que se envolva, promoveu o fim da edição digital do International Herald Tribune. O ambiente virtual será encerrado e todos seus conteúdos serão agregados à marca.

A medida vem na hora certa. NYT perde um nicho de usuários fiéis ao Herald Tribune (2,5 milhões de unique visitors), mas ganha em cortar gastos sem criar alarde e possíveis demissões, algum comum nos Estados Unidos ultimamente.

Os novos conteúdos, que serão inseridos a uma única página, podem promover uma nova oferta publicitária.

Foto: Bisonblog.

O fim do The New York Sun

Depois de sete anos, o fim. The The New York Sun tinha ensaiado o seu fechamento, mas agora é oficial. O “jovem” veículo fechou suas portas nesta terça-feira. A causa, é clara, simples e objetiva: problemas com publicidade e, consequentemente, financeiros.

O fracasso do impresso é mais um novo alerta aos suportes palpáveis de comunicação que não buscam repensar modelos de negócio. Já se viu, por aqui, problemas de verbas envolvendo Wall Street Journal, USA Today, Los Angeles Times, e até jornais gratuitos como Metro, veículos a priori relativamente lucrativos.

A crise impressa norte-americana não pára

Já não sei mais quantos posts produzi em pouco mais de dois meses envolvendo uma grande crise impressa norte-americana. A situação, extremamente preocupante, pode causar impacto no Brasil devido, é claro, pela migração publicitária de um suporte palpável para web.

A vítima desta vez por lá foi a McClatchy, uma das maiores empresas de periódicos do país. Pra você ter uma idéia da importância de seu nome no âmbito jornalístico, McClatchy controla nada mais que “The Miami Herald”, “El Nuevo Herald”, “Kansas City Star”, “Star-Telegram de Fort Worth” (Texas e “Star Tribune de Minneapolis”. São 80 periódicos em toda a extensão territorial dos EUA.


Em menos de um ano, mais de 2 mil funcionários foram demitidos na McClatchy

[Via Google News]

A empresa despediu mais de mil trabalhadores, o que equivale a 10% de todo o seu plantel. Em junho passado, houve um corte de 1400 pessoas. Pior. McClatchy promoveu o congelamento dos salários das restantes das pessoas por um ano.

Enquanto isso, no Brasil, veículos tradicionais inseridos na web insistem em restringir conteúdo ao internauta.

Foto: currybet.

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