The New Republic estampa (parte do) problema do Jornalismo: os jornalistas

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A revista americana The New Republic é uma referência de bom jornalismo. Por um século, foi responsável por exibir entrevistas saborosas, como a de Josef Stálin ao até então repórter HG Wells. Fez também, por meio de George Orwell, um guia de seis regras para escrever bem — ingredientes presentes em todos os Manuais de Redação do mundo. Nos últimos dias, a publicação recebeu atenção depois de uma saída em massa de seus jornalistas em protesto contra as mudanças de perspectiva da companhia: transformar The New Republic em uma empresa com DNA digital. Por consequência, a edição de dezembro, prevista para sair no dia 15, foi cancelada. O episódio convida à reflexão o primeiro (de muitos) conflitos de culturas completamente diferentes. De um lado, profissionais de redação ancorados em um modelo conservador e, do outro, pessoas que respiram princípios do Vale do Silício, o pulmão californiano da tecnologia mundial, com estratégias agressivas e obsessão por inovação. A batalha mostra as razões pelas quais o Jornalismo permaneça em crise: o problema não está na profissão — e, sim, talvez, em alguns profissionais.

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Um Native Ad por excelência

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O Native Ad, publicidade nativa ou natural em português, é um termo no qual sempre reservaram no universo do jornalismo adjetivos pouco lisonjeiros. Até meados de 2013, havia muita resistência ao formato exibido como um conteúdo editorial, mas com um asterisco nada desprezível de pago — há o nobre objetivo de não confundir o leitor sobre a origem do conteúdo. A crise instalada na profissão, no entanto, fez empresas de comunicação mudarem seus julgamentos. Huffington Post, The New York Times e BuzzFeed foram os motores para que o modelo começasse a ganhar corpo. Hoje, Native Ad é um ingrediente onipresente em redações digitais. Ganhou atenção com equipes dedicadas exclusivamente às tarefas de criar conteúdos patrocinados; consequentemente, os modelos ganharam novas roupas e interesse dos leitores. O The New York Times, mais uma vez, é o pioneiro no quesito inovação.

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O Jornalismo precisa de um iTunes?

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Em abril de 2003, o americano Steve Jobs surpreendeu o mundo ao apresentar a iTunes Store, complemento para os dispositivos da linha iPod  que mudou radicalmente a indústria musical. A ideia de oferecer uma alternativa legal de compartilhamento de canções reuniu 200.000 fonogramas em sua estreia — vendidos a 0,99 dólar. Rapidamente, recebeu a adesão dos maiores interessados: artistas e consumidores finais. O modelo contribuiu para a inovação no setor e foi replicado para diversos setores, inclusive no jornalismo. A startup holandesa Blendle é um bom exemplo. Concebida em março, a companhia oferece ao leitor reportagens de uma publicação de modo separado. Nesta segunda, a pequena empresa europeia de sete meses de vida ganhou um apoio que joga luz sobre seu desempenho: o jornal americano The New York Times, em parceria com a alemã Axel Springer, anunciou um investimento de 3,8 milhões de dólares na startup.

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Os pilares da negociação entre Jeff Bezos e Washington Post

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O tradicional jornal americano Washington Post, acostumado a estampar reportagens históricas, virou notícia. Nesta segunda-feira, o fundador e CEO da gigante de varejo digital Amazon Jeff Bezos adquiriu o grupo responsável pela publicação do impresso por 250 milhões de dólares. A negociação, pessoal e inesperada de Bezos, levanta mais uma discussão acerca do futuro do jornalismo – e mostra um novo olhar de um executivo de 49 anos que busca mudar completamente a forma como as pessoas e empresas distribuem, compram e consomem conteúdo.

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É o fim do Editor de Mídia Social?

Em agosto de 2010, o físico e editor-chefe da revista Wired, Chris Anderson, recebeu os holofotes virtuais para sentenciar a morte da web. Seu argumento é baseado no crescente uso de dispositivos móveis que possibilitam acesso à internet sem passar por algum endereço www. Não convenceu. O mesmo aconteceu com o iPod, e-mail e, recentemente, com o Facebook. Sentenciar o fim de uma plataforma ou profissão em detrimento da tecnologia já não é mais novidade. Chegou a hora, contudo, do cargo de editor de mídia social.

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O Brasil criou seu mercado de startups. O Jornalismo, por ora, não percebeu

O Brasil, enfim, começa a acompanhar o crescimento (e amadurecimento) das chamadas startups locais – empresas que têm geralmente em seu DNA a inovação e operam com lógica de experimentação rápida, segunda a qual apenas as ideias que logo se mostram promissoras recebem os maiores investimentos. Até recentemente, empreendedores e investidores brasileiros deslocavam seus negócios – e atenção – para o Vale do Silício, região na Califórnia, Estados Unidos, região que respira tecnologia. Hoje, contudo, os testes começam a ser verificados em solo nacional. O Jornalismo, uma das áreas que mais carece por inovação, acompanha atentamente o setor. Bem distante. Com um binóculo.

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O futuro do Jornalismo é pensar ‘digital first’?

Um dos maiores questionamentos que recebo nos últimos anos acerca do Jornalismo é desvendar – se possível, claro -, quais elementos são imprescindíveis para o novo profissional, que emerge das universidades, chegar às tradicionais redações. Fornecer uma resposta simples e objetiva é, no mínimo, claudicante. Mas, independente dos ingredientes que são adicionados diariamente às novas estruturas da profissão, um fato jamais pode ser ignorado: a tecnologia – e seus aparatos – modificam a sociedade e, principalmente, o Jornalismo.

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Para superar hiato, links e leituras

Após 34 dias viajando, conhecendo novos lugares  (e tentando estudar), retorno para superar o hiato no blog. Por ora, disponibilizo links – sem ordem de importância – que foram discutidos durante minha estada na cidade de San Francisco, nos Estados Unidos. Alguns dos endereços indicados também estão em meu perfil no Delicious.

– E-mail: A caixa de mensagens terá vida longa. Pesquisadores, estudos e alguns “especialistas em social media” já vaticinaram por diversas vezes sua morte. Era o adeus dos conteúdos considerados pessoais para dar lugar aos tweets, likes e check-ins. Engano. Novos dados divulgados recentemente apontam a importância de gigantes de buscas como Yahoo, Bing e Google.

– Público e privado: Um novo capítulo entre uma das discussões mais antigas do Jornalismo recebeu destaque em maio. O mais recente episódio transformou-se numa polêmica de proporções inimagináveis. Tablóides britânicos disparavam rumores que o galês – e craque – Ryan Giggs, do Manchester United, teve um caso extraconjugal com Imogen Thomas, participante de uma das edições britânicas do Big Brother.

O caso ganhou grande repercussão: Thomas foi proibida pela Justiça, a pedido do jogador, de revelar o nome dele numa entrevista que seria publicada pelo tabloide The Sun. Não teve jeito. O nome de Giggs chegou ao público de uma forma, digamos, inusitada: durante uma discussão no Parlamento inglês. A publicação TIME fez um dos melhores textos a respeito do assunto levantando questões pertinentes sobre público, privado e imprensa.

– Facebook: Não faltaram especulações entorno do Facebook. A maior rede social do mundo foi, mais uma vez, alvo de boatos sobre parceria com Spotify – serviço de músicas que cada vez mais tem um caráter de biblioteca musical -, um possível navegador para competir, claro, com o Google, além de novos meios para compartilhar conteúdo – o que eu não duvido que ocorra.

O múrmurio de vozes virtuais mostram, cada vez mais, que Mark Zuckerberg é um dos poucos profissionais de internet que conhecem, de fato, a internet. Desde o início, o fundador do Facebook usa uma preciosa palavra em seus discursos: conectar. Há algum tempo, o Facebook não é mais uma rede social.

A plataforma que conta com mais de 600 milhões de usuários pretende se transformar em um ecossistema que permita novas ligações “sociais” e maior consumo de mídia. Não é à toa que a empresa lançou recentemente o Send ou até mesmo se aproximou da Casa Branca e Barack Obama. Em apenas duas – certeiras – tacadas quer tentar acabar com a mania de compartilhamento de links por e-mail e se proteger diante de Parlamentos e política, que tanto criticam o Facebook em relação à privacidade do interagente.

Mark Zuckerberg já mostrou a face de sua empresa – tornou-se um espaço de conexão entre pessoas. Chegou a hora de conectar pessoas, conteúdo e mídia. Uma possível recente parceria com o Spotify deixa isso evidente.

É o momento audacioso de Mark em criar uma internet dentro da própria internet.

O jornalismo realmente morreu?

Conforme prometido, disponibilizo aos leitores do blog a palestra ministrada na última segunda-feira, em Montes Claros, norte de Minas Gerais. Na ocasião, conversei com cerca de 250 profissionais de comunicação sobre temas atrelados ao Jornalismo, como redes sociais, dados, mapas e recursos abundantes – e preciosos – disponíveis na rede.

 

Palestra – Montes Claros (MG)

Sobre colaboração e Jornalismo

OhmyNews sempre foi considerado uma das mais bem-sucedidas propostas participativas envolvendo o Jornalismo. Desde 2000, a publicação digital tinha o objetivo de que todo e qualquer conteúdo publicado no ambiente virtual – que possuía edições em sul-coreano, japonês e inglês – seja produzido por um interagente, chamado de “cidadão-repórter”.

Em virtude dos problemas financeiros – situação que não fora isolada ao site -, o OMNI buscou renovação. Paulatinamente, mudou seu formato e, hoje, é um importante centralizador de informações sobre colaboração no Jornalismo Digital.

Em uma de suas postagens, a seção lista pesquisas acadêmicas, oferecendo ao leitor temas que já foram abordados no exterior. Vale a leitura.

Foto: vidalia11