O Jornalismo precisa de um iTunes?

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Em abril de 2003, o americano Steve Jobs surpreendeu o mundo ao apresentar a iTunes Store, complemento para os dispositivos da linha iPod  que mudou radicalmente a indústria musical. A ideia de oferecer uma alternativa legal de compartilhamento de canções reuniu 200.000 fonogramas em sua estreia — vendidos a 0,99 dólar. Rapidamente, recebeu a adesão dos maiores interessados: artistas e consumidores finais. O modelo contribuiu para a inovação no setor e foi replicado para diversos setores, inclusive no jornalismo. A startup holandesa Blendle é um bom exemplo. Concebida em março, a companhia oferece ao leitor reportagens de uma publicação de modo separado. Nesta segunda, a pequena empresa europeia de sete meses de vida ganhou um apoio que joga luz sobre seu desempenho: o jornal americano The New York Times, em parceria com a alemã Axel Springer, anunciou um investimento de 3,8 milhões de dólares na startup.

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Os pilares da negociação entre Jeff Bezos e Washington Post

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O tradicional jornal americano Washington Post, acostumado a estampar reportagens históricas, virou notícia. Nesta segunda-feira, o fundador e CEO da gigante de varejo digital Amazon Jeff Bezos adquiriu o grupo responsável pela publicação do impresso por 250 milhões de dólares. A negociação, pessoal e inesperada de Bezos, levanta mais uma discussão acerca do futuro do jornalismo – e mostra um novo olhar de um executivo de 49 anos que busca mudar completamente a forma como as pessoas e empresas distribuem, compram e consomem conteúdo.

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É o fim do Editor de Mídia Social?

Em agosto de 2010, o físico e editor-chefe da revista Wired, Chris Anderson, recebeu os holofotes virtuais para sentenciar a morte da web. Seu argumento é baseado no crescente uso de dispositivos móveis que possibilitam acesso à internet sem passar por algum endereço www. Não convenceu. O mesmo aconteceu com o iPod, e-mail e, recentemente, com o Facebook. Sentenciar o fim de uma plataforma ou profissão em detrimento da tecnologia já não é mais novidade. Chegou a hora, contudo, do cargo de editor de mídia social.

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O Brasil criou seu mercado de startups. O Jornalismo, por ora, não percebeu

O Brasil, enfim, começa a acompanhar o crescimento (e amadurecimento) das chamadas startups locais – empresas que têm geralmente em seu DNA a inovação e operam com lógica de experimentação rápida, segunda a qual apenas as ideias que logo se mostram promissoras recebem os maiores investimentos. Até recentemente, empreendedores e investidores brasileiros deslocavam seus negócios – e atenção – para o Vale do Silício, região na Califórnia, Estados Unidos, região que respira tecnologia. Hoje, contudo, os testes começam a ser verificados em solo nacional. O Jornalismo, uma das áreas que mais carece por inovação, acompanha atentamente o setor. Bem distante. Com um binóculo.

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O futuro do Jornalismo é pensar ‘digital first’?

Um dos maiores questionamentos que recebo nos últimos anos acerca do Jornalismo é desvendar – se possível, claro -, quais elementos são imprescindíveis para o novo profissional, que emerge das universidades, chegar às tradicionais redações. Fornecer uma resposta simples e objetiva é, no mínimo, claudicante. Mas, independente dos ingredientes que são adicionados diariamente às novas estruturas da profissão, um fato jamais pode ser ignorado: a tecnologia – e seus aparatos – modificam a sociedade e, principalmente, o Jornalismo.

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Para superar hiato, links e leituras

Após 34 dias viajando, conhecendo novos lugares  (e tentando estudar), retorno para superar o hiato no blog. Por ora, disponibilizo links – sem ordem de importância – que foram discutidos durante minha estada na cidade de San Francisco, nos Estados Unidos. Alguns dos endereços indicados também estão em meu perfil no Delicious.

- E-mail: A caixa de mensagens terá vida longa. Pesquisadores, estudos e alguns “especialistas em social media” já vaticinaram por diversas vezes sua morte. Era o adeus dos conteúdos considerados pessoais para dar lugar aos tweets, likes e check-ins. Engano. Novos dados divulgados recentemente apontam a importância de gigantes de buscas como Yahoo, Bing e Google.

- Público e privado: Um novo capítulo entre uma das discussões mais antigas do Jornalismo recebeu destaque em maio. O mais recente episódio transformou-se numa polêmica de proporções inimagináveis. Tablóides britânicos disparavam rumores que o galês – e craque – Ryan Giggs, do Manchester United, teve um caso extraconjugal com Imogen Thomas, participante de uma das edições britânicas do Big Brother.

O caso ganhou grande repercussão: Thomas foi proibida pela Justiça, a pedido do jogador, de revelar o nome dele numa entrevista que seria publicada pelo tabloide The Sun. Não teve jeito. O nome de Giggs chegou ao público de uma forma, digamos, inusitada: durante uma discussão no Parlamento inglês. A publicação TIME fez um dos melhores textos a respeito do assunto levantando questões pertinentes sobre público, privado e imprensa.

- Facebook: Não faltaram especulações entorno do Facebook. A maior rede social do mundo foi, mais uma vez, alvo de boatos sobre parceria com Spotify – serviço de músicas que cada vez mais tem um caráter de biblioteca musical -, um possível navegador para competir, claro, com o Google, além de novos meios para compartilhar conteúdo – o que eu não duvido que ocorra.

O múrmurio de vozes virtuais mostram, cada vez mais, que Mark Zuckerberg é um dos poucos profissionais de internet que conhecem, de fato, a internet. Desde o início, o fundador do Facebook usa uma preciosa palavra em seus discursos: conectar. Há algum tempo, o Facebook não é mais uma rede social.

A plataforma que conta com mais de 600 milhões de usuários pretende se transformar em um ecossistema que permita novas ligações “sociais” e maior consumo de mídia. Não é à toa que a empresa lançou recentemente o Send ou até mesmo se aproximou da Casa Branca e Barack Obama. Em apenas duas – certeiras – tacadas quer tentar acabar com a mania de compartilhamento de links por e-mail e se proteger diante de Parlamentos e política, que tanto criticam o Facebook em relação à privacidade do interagente.

Mark Zuckerberg já mostrou a face de sua empresa – tornou-se um espaço de conexão entre pessoas. Chegou a hora de conectar pessoas, conteúdo e mídia. Uma possível recente parceria com o Spotify deixa isso evidente.

É o momento audacioso de Mark em criar uma internet dentro da própria internet.

O jornalismo realmente morreu?

Conforme prometido, disponibilizo aos leitores do blog a palestra ministrada na última segunda-feira, em Montes Claros, norte de Minas Gerais. Na ocasião, conversei com cerca de 250 profissionais de comunicação sobre temas atrelados ao Jornalismo, como redes sociais, dados, mapas e recursos abundantes – e preciosos – disponíveis na rede.

 

Palestra – Montes Claros (MG)

Sobre colaboração e Jornalismo

OhmyNews sempre foi considerado uma das mais bem-sucedidas propostas participativas envolvendo o Jornalismo. Desde 2000, a publicação digital tinha o objetivo de que todo e qualquer conteúdo publicado no ambiente virtual – que possuía edições em sul-coreano, japonês e inglês – seja produzido por um interagente, chamado de “cidadão-repórter”.

Em virtude dos problemas financeiros – situação que não fora isolada ao site -, o OMNI buscou renovação. Paulatinamente, mudou seu formato e, hoje, é um importante centralizador de informações sobre colaboração no Jornalismo Digital.

Em uma de suas postagens, a seção lista pesquisas acadêmicas, oferecendo ao leitor temas que já foram abordados no exterior. Vale a leitura.

Foto: vidalia11

Como a tecnologia altera o comportamento – e o Jornalismo

Conforme havia prometido, disponibilizo aqui, no blog, a palestra ministrada na última segunda-feira no curso de pós-graduação da PUC-MG. Na ocasião, tive uma conversa de como a tecnologia altera o comportamento – e o Jornalismo, traçando o atual momento de adaptação do profissional na área com os novos recursos que são disponibilizados às pessoas conectadas em rede. Ao profissiona, falta usar – e abusar – os recursos apresentados.

No mais, agradeço ao convite do professor Jorge Rocha – com quem já prometi a realização de um artigo acadêmico em 2011, e à professora Magaly Prado, que lançou nesta terça-feira o livro Webjornalismo.

“Jornalismo Empreendedor” na Universidade de Nova York

Há algumas semanas, publiquei em meu perfil no Twitter um post do Lost Remote sobre conselhos aos jornalistas que aspiram ao empreendedorismo no setor. Em tempos de supervalorização e banalização de dados – discussão que foi amplamente valorizada nos últimos dias com o discurso de Tim Berners Lee, pesquisadores de mídia esquecem um ponto crucial no segmento: a falta de modelo de negócios no Jornalismo.

Sem esse ingrediente, não há como desenvolver receitas de sucesso. Para tentar mudar esse cenário, a Universidade da cidade de Nova York (City University of New York – CUNY) busca se reinventar – e tem uma proposta sedutora para tal.

Hoje, a instituição vai apresentar o Mestrado em “Jornalismo Empreendedor“.  O curso faz parte do novo plano de estudos do local e terá uma transmissão em streaming para quem quiser acompanhar de longe. Acredito que o evento vai começar por volta das 21h/22h (de Brasília).

O programa já disponível na rede conta com apresentações sobre novos modelos de negócios para notícias no Jornalismo Digital, com a possibilidade do pesquisador criar seu próprio formato – entenda-se aqui a chance de desenvolver startups de Jornalismo. É a mais uma tentativa de unir esferas acadêmica e de mercado.

Acredito que o desenvolvimento de empresas de pequena dimensão focadas, principalmente, em inovação vai crescer nos próximos anos. Fugir do lugar-comum é a regra – e, há alguns anos, aumenta o interesse de indústrias tradicionais na criação de parcerias com este mercado.

O recente exemplo – e que mostra há mercado no exterior aberto a novas idéias – é o projeto de Steven Johnson. Há quatro anos, o escritor desenvolve Outside.in, baseado em geolocalização e que permite reunir informações hiperlocais – apenas dos Estados Unidos, por enquanto -, do que está acontecendo ao seu redor. É o ingrediente inteligente que falta ao Jornalismo. No último mês de 2009, Johnson ganhou apoio de investidores. E, entre eles, está a CNN. É a mídia clássica tentando se reinventar.

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