“Jornalismo Empreendedor” na Universidade de Nova York

Há algumas semanas, publiquei em meu perfil no Twitter um post do Lost Remote sobre conselhos aos jornalistas que aspiram ao empreendedorismo no setor. Em tempos de supervalorização e banalização de dados – discussão que foi amplamente valorizada nos últimos dias com o discurso de Tim Berners Lee, pesquisadores de mídia esquecem um ponto crucial no segmento: a falta de modelo de negócios no Jornalismo.

Sem esse ingrediente, não há como desenvolver receitas de sucesso. Para tentar mudar esse cenário, a Universidade da cidade de Nova York (City University of New York – CUNY) busca se reinventar – e tem uma proposta sedutora para tal.

Hoje, a instituição vai apresentar o Mestrado em “Jornalismo Empreendedor“.  O curso faz parte do novo plano de estudos do local e terá uma transmissão em streaming para quem quiser acompanhar de longe. Acredito que o evento vai começar por volta das 21h/22h (de Brasília).

O programa já disponível na rede conta com apresentações sobre novos modelos de negócios para notícias no Jornalismo Digital, com a possibilidade do pesquisador criar seu próprio formato – entenda-se aqui a chance de desenvolver startups de Jornalismo. É a mais uma tentativa de unir esferas acadêmica e de mercado.

Acredito que o desenvolvimento de empresas de pequena dimensão focadas, principalmente, em inovação vai crescer nos próximos anos. Fugir do lugar-comum é a regra – e, há alguns anos, aumenta o interesse de indústrias tradicionais na criação de parcerias com este mercado.

O recente exemplo – e que mostra há mercado no exterior aberto a novas idéias – é o projeto de Steven Johnson. Há quatro anos, o escritor desenvolve Outside.in, baseado em geolocalização e que permite reunir informações hiperlocais – apenas dos Estados Unidos, por enquanto -, do que está acontecendo ao seu redor. É o ingrediente inteligente que falta ao Jornalismo. No último mês de 2009, Johnson ganhou apoio de investidores. E, entre eles, está a CNN. É a mídia clássica tentando se reinventar.

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Eleições 2010: quando sites de notícias dos EUA querem facilitar a vida do eleitor

Após o turbulento período que decidiu as eleições presidenciais no Brasil, parte das principais publicações on-line foca sua atenção nas decisivas votações parlamentares nos Estados Unidos. Neste mês, o presidente Barack Obama tentará manter sua sólida maioria no Congresso, desafiada por uma agressiva oposição republicana. Por lá, serão escolhidos representantes na câmara, ocupada por uma maioria democrata, no momento. Para tentar compreender o enredado sistema político americano, sites de notícia já começam a desenvolver ferramentas – usando dados distribuídos na rede – para facilitar a vida do eleitor.

Enquanto uma porção da mídia e blogs especializados se encantam com o recurso do Foursquare – que permitirá acompanhar a votação nas urnas por meio de um data visualization em HTML05 -, destaco uma postura ágil das publicações no quesito de visualização de dados e informação. E três delas aproveitaram bem o potencial da internet no quesito agrupamento de conteúdo.

(O Google também disponibiliza uma página dedicada ao tema).

Washington Post, New York Times, Huffington Post e, principalmente, MSNBC conseguiram aproveitar diversos recursos tecnológicos para produzir infográficos interessantes e que mostram a dimensão da divisão de votos em cada estado. Tanto que os 3 sites de notícias praticamente produziram, sob o mesmo tema, uma interface semelhante – com um mapa e descrição minuciosa de cada região.

Nesta oportunidade, gostei bastante da distribuição de informação da MSNBC. Pela primeira vez, o site de notícia de domínio da Microsoft irá conseguir usar a sua interface web inovadora para adaptar o conteúdo em vários dispositivos – entenda-se aqui smartphones e, principalmente, iPad.

Desde julho, MSNBC está com um site que é adaptado automaticamente em tablets, como o iPad, da Apple. Caso visualiza uma das páginas internas do site, note, por exemplo, os ícones na parte lateral à direita do seu navegador (imagem acima): são adaptados ao toque de um dedo. Com os infográficos dispostos na página, não é diferente.

Formato de letra preciso e agradável, dados compreensíveis e pouca informação mostram que, neste caso, a visualização de conteúdo sem uma barra lateral fica bem atraente.

Coincidência ou não, ao finalizar o post, a publicação on-line faturou o Online Journalism Awards 2010 na categoria “excelência de Jornalismo On-line em grandes sites”. A lista completa de vencedores pode ser vista aqui.

“Impacto e uso de ‘mídia social’ no Jornalismo”

Conforme havia prometido, segue abaixo minha apresentação ministrada na Unisa – Universidade de Santo Amaro. “Impacto e uso de ‘mídia social’ no Jornalismo” segue na mesma linha traçada nas últimas palestras que fiz recentemente. Caso queira visualizá-las, há outros conteúdos disponíveis no Slideshare.

No mais, agradeço ao convite do professor Eric Carvalho, meu colega no mestrado, e aos alunos dos mais variados semestres de Relações Públicas. Lembrando que, nesta sexta, participo do Mashable Meetup, evento na ESPM – e com outra estrutura de conteúdo.

Há quem diga que os aplicativos irão salvar o Jornalismo…

Um dos fatos que mais me intriga nos últimos anos é a tentativa ininterrupta de buscar um produto, modelo ou fato para salvar o Jornalismo. Fala-se no fim apocalíptico do impresso, na lenda dos micropagamentos para direcionar a informação ao interagente e criação de modelos híbridos para gerar novas receitas em ambientes estruturados por tecnologias digitais conectadas. Pura especulação e nenhuma reflexão. Desta vez, chegou a hora de dizer que os aplicativos podem salvar os jornais.

Jimmy Wales, fundador da Wikipedia, concedeu uma entrevista no início do mês ao site da Associated Press sobre quais são os possíveis formatos para garantir a sobrevivência de publicações do Jornalismo. Para o empreendedor, as aplicações disponíveis em novos dispositivos conectados à web – como um iPad – podem ser a chave para resgatar o segmento, que se diz em crise há mais de 10 anos.

Wales se apoiou nas gigantes Apple e Google para comprovar seu argumento. E citou o termo “impulso” para garantir que publicações terão leitores querendo consumir seus conteúdos. Só esqueceu de lembrar da dificuldade de transferir modelos de negócio da música, por exemplo, para o mundo da informação.

Não é de hoje que sites noticiosos tentam encontrar a fórmula mágica para acabar com a queda de receitas de empresas. Os aplicativos – indispensáveis em tempos de acesso à web por tablets, celulares e iPods – podem, sim, contribuir para novos lucros. Mas não podemos colocá-lo como o salva-vidas do Jornalismo.

Na necessidade de sair à frente de seus rivais, muitas empresas do setor não fazem esforço algum ao pensar na perspectiva de como o interagente irá consumir o conteúdo. Resultado: os aplicativos são espelhos das publicações em outros formatos – impresso ou on-line. E é aí que mora o perigo.

Durante uma conversa que tive no Google com Chad Hurley, um dos fundadores do YouTube, ele soltou a seguinte frase: “conteúdos distintos demandam modelos de publicidade distintos”. Ou seja, o conteúdo é distribuído em várias plataformas, mas apenas sob um único formato, passo que todos as publicações já deveriam ter dado. Agora, há outro objetivo: falta adicionar o ingrediente “inteligência” aos dispositivos. Logo, chegou a hora das empresas de mídia aprenderem com a navegação do usuário.

Em tempo: estive ausente da produção de posts por conta do fim do Mestrado. Nas próximas semanas, vou disponibilizar minha dissertação para download no blog.

Foto: tismey.

‘O que faz um Editor de Mídia Social?’

Participei no último sábado do IV Seminário Tendências Conectadas nas Mídias Sociais, evento anual realizado na Faculdade Cásper Líbero organizado mais uma vez pelo professor Walter Lima e o jornalista Tiago Dória. Infelizmente não consegui acompanhar todos os paineis, mas recebi ótimas indicações de quem esteve por lá o dia todo.

Conforme havia prometido, segue abaixo a conversa que tive com os presentes, além dos ‘tuiteiros’ que acompanhavam o seminário via streaming. Foi uma honra ter a possibilidade de explicar o trabalho em VEJA ao lado de Rodrigo Martins, do Estadão, e Aninha Brambilla, do Terra – com quem eu não esperava dividir tão cedo uma mesa de discussões, já que sempre foi uma das minhas fontes de inspiração na área.

No mais, agradeço o convite do professor Walter Lima e a recepção de quem esteve presente no painel. Foi mais uma experiência bem interessante.

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Algumas das palestras já ministradas

New York Times Insight Lab pesquisa interesse pelo iPad

Insight Lab, pesquisa sobre iPad

Uma nova pesquisa do Insight Lab do jornal The New York Times disparada hoje chama a atenção dos contribuintes para o iPad, da Apple. As perguntas, que podem ser respondidas em cinco minutos, se focam no interesse do leitor pelo dispositivo da Apple, sobre a cobertura do NYT sobre o assunto e sobre a intenção de compra do produto ou similares.

Uma das perguntas deixa escapar o que, na minha opinião, é a verdadeira intenção do jornal: colher informações úteis para aplicações do NYT para iPad em desenvolvimento e formas de oferecer conteúdo.

If you were creating your very own New York Times app for the iPad, what would it include?
Please be as specific as possible.

If you were creating your very own New York Times app for the iPad, what would it include?

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Como não fazer um aplicativo de mídia para iPad

Um balanço do State of the News Media 2010

Uma leitura obrigatória para o primeiro semestre do ano aos jornalistas que trabalham em sites noticiosos é o The State of the News Media 2010. Em sua oitava edição – geralmente divulgado no meio de março e sob ponto de vista dos norte-americanos – o relatório guia o futuro do jornalismo, mas às vezes chove no molhado por ter uma publicação datada que envolve tendências.

Em 2009, abordou um tema que  envolve até hoje minha dissertação do mestrado: a inserção do cidadão na produção de um acontecimento ou fato. Na época, discutia-se se o leitor era fonte ou “apurador” de informação, discurso antigo e já ultrapassado aos moldes que a tecnologia permeou o ser humano no ato de comunicar-se.

Desta vez, o relatório aborda um importante dado sobre a possibilidade de sobrevivência apenas com publicidade. Os jornais, incluindo os online, perderam 26% de receita em 2009, reflexo da tendência de que o modelo não sustenta em si o negócio.

Outro ponto destacável é a importância que os agregadores de informação têm aos internautas hoje. Cerca de 56% dos entrevistados revelou usar um site que centraliza notícias, reflexo da amplitude que um Huffington Post tomou nos últimos meses. No entanto, a grande maioria afirma que visita de dois a cinco sites de notícia por dia, o que mostra a falta de fidelidade entre marca online e interagente.

De resto, acabou mais uma vez em “temas batidos”. Falou sobre o que considera-se por lá como “Jornalismo Cidadão” e chegou a uma conclusão já pré-estabelecida – sites colaborativos sofrem o mesmo problema do “Jornalismo Tradicional” ao tentar captar recursos. A melhor maneira de sobrevivência,  no caso, é parceria com empresa de mídia.

Foto: Alex Glickman.

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Jornais que ainda estão no século XX

A ABC pensa na integração de redações

Um dos jornais mais tradicionais da Espanha, ABC.es promove há algum tempo uma das maiores mudanças de pensamento desde a sua fundação, em 1903. O periódico iniciou em 2009 um projeto de integração de redações para promover a fusão entre o impresso e o on-line. Fato já consumado em marcas como Washington Post e BBC.

A estratégia mantém o discurso de seus rivais que já realizaram este processo – otimizar recursos e aproximar pensamentos para gerar o melhor modelo de conteúdo. A idéia é que os jornalistas da corporação sejam capazes de trabalhar em todos os suportes disponível. O velho conceito do profissional heterogêneo.

O processo de reestruturação já começou. Abaixo, um vídeo do que pode ser construído.

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New York Times e a cobrança por conteúdo online em 2011

New York Times

É, meus caros, tanto já se falou aqui no De Repente sobre a Crise nos impressos, sobre os novos rumos dos grandes meios de comunicação e hoje, em um texto oficial, o New York Times revela que cobrará pelo acesso a seu conteúdo online em 2011. Quando os usuários acessarem o site, vão receber alguns artigos gratuitos até serem cobrados pelo acesso total, revela o texto.

Uma mudança como essa, em um site de conteúdo tradicionalmente livre e de qualidade, tem sempre um único motivo, necessidade de mais receita (grana, $).  Se o NYT não está tão bem assim das pernas, como estariam então os outros grandes veículos dos EUA, ou ainda em mercados mais complexos, como o nosso? Afinal, o mercado brasileiro ainda não aprendeu a utilizar a internet para gerar receita, tanto que grandes veículos online se sustentam com a receita de suas versões tradicionais, impressas.

Houve um tempo em que o modelo de negócio dos EUA foi demonstrado como o mais eficiente, que o mercado brasileiro deveria se espelhar e trabalhar para atingir. Será mesmo?

A Famecos e a defesa do diploma de Jornalismo

Pode até ser um assunto batido, mas pelo menos trata-se de um dos poucos atos oficiais de instituições de ensino que vi até o momento. A PUC-RS, uma das maiores faculdades de Comunicação do país, disponibilizou na web e, em vídeo, sua defesa ao diploma de jornalismo.

Trata-se de um manifesto oficial da entidade se posicionando a respeito do polêmico tema que foi decidido há semanas no STF, Superior Tribunal Federal. Destaco-o simplesmente por fugir do lugar-comum. Instituições de renome paulista, como Cásper, USP e PUC simplesmente não comentaram ou não adotaram uma posição a respeito da desregulamentação da profissão.