O futuro do Jornalismo é pensar ‘digital first’?

Um dos maiores questionamentos que recebo nos últimos anos acerca do Jornalismo é desvendar – se possível, claro -, quais elementos são imprescindíveis para o novo profissional, que emerge das universidades, chegar às tradicionais redações. Fornecer uma resposta simples e objetiva é, no mínimo, claudicante. Mas, independente dos ingredientes que são adicionados diariamente às novas estruturas da profissão, um fato jamais pode ser ignorado: a tecnologia – e seus aparatos – modificam a sociedade e, principalmente, o Jornalismo.

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Para o JB, o “100% digital” é o início de uma era. Para os jornalistas, é o fim

O dia 31 de agosto de 2010 será marcado na história do Jornalismo. O Jornal do Brasil, um das publicações mais tradicionais do país, deixa de circular para se dedicar apenas ao “mundo digital”. Para o jornalão a estratégia marca o início de uma era. Para os jornalistas que passaram pela redação e os que respeitam o JB, é o fim de um registro histórico no setor de mais de 100 anos – fora fundado em 9 de abril de 1891.

A partir de 1º de setembro, o Jornal do Brasil será lido exclusivamente na web e se apresentará como “o primeiro jornal brasileiro na internet”. Mero eufemismo. Diz o JB: “Nesta era de leitores digitais e de internet, acrescida pela problemática ecológica, a ampla consulta que realizamos sobre o futuro confirmou que a maioria quer modernidade”.

A capa da última edição impressa evita abordar o assunto que marca o novo período de transição da empresa, conforme mostra a imagem acima. Apenas ressalta sua nova versão com o seguinte aviso: “JB Digital vai estrear com artigo de Lula” – o que provocará certo alarde e expectativa. No entanto, tem certo prazo de validade. É complicado conviver diariamente com novidades. Principalmente em esferas virtuais.

O motivo do fim da versão física não é velado – a onipresente crise financeira no mundo do Jornalismo enfrentado desde o início da década de 90, que levou a parcial queda de vendas, dívidas, reformulações no modelo de negócio e, por fim, demissões em massa. A redação conta, até o momento, com 60 pessoas.

O JB foi a 1ª grande vítima, no Brasil (tivemos o recente caso da Gazeta Mercantil), da visão apocalíptica e alarmista do fim do impresso. Que o restante não cometa o mesmo engano. No entanto, vamos ver quem será o próximo a se manifestar.

A BBC quer jornalistas ‘mais sociáveis’

A BBC, de Londres, segue o princípio de construir um site noticioso cada vez mais transparente. Depois do lançamento de um blog que anuncia todas as suas novidades e reformulações, a estatal fez um pedido aos seus profissionais do jornalismo: sejam mais ‘sociáveis’ em plataformas participativas.

A empresa quer aproveitar a economia da informação de ambientes virtuais como Facebook e Twitter e pediu aos jornalistas que usem e abusem de redes sociais. A solicitação foi feita de forma oficial por Peter Horrocks, novo diretor do Global News.

A ideia é laçar e buscar traços colaborativos de cidadãos comuns e transformá-los em informação. Interação modificada em prestação de serviço. Uma nova sociabilização de um profissional que deve saber conviver com as mudanças diárias de rotina de trabalho.

É a velha máxima dita no blog há alguns meses: BBC torna-se, desta maneira, um canal mais distribuído e menos centralizado. E não está apenas em rede – sabe usá-la da melhor maneira.

Foto: Strobist.

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Um Los Angeles Times mais centralizador e menos autoritário

Um Twitter para jornalistas

Não sei se é de grande utilidade, mas vamos lá.

Via Ryan Sholin, eis que conheço o ReportingOn. Um microblog similar ao Twitter, com mensagens curtas de até 140 caracteres, mas destinada apenas aos jornalistas.

A idéia, que possui apoio total da Fundación Knight, é compartilhar temas entre os profissionais da comunicação, promovendo novas idéias, direcionamentos e pautas para a construção de reportagens.

Mas aí vem a pergunta: é necessário ser jornalista para dividir/agregar todos estes conceitos?! Que premissa é essa? Que pretensão seria essa? Por que tal exclusividade?

Engenheiro, médico, estudante, músico, vagabundo, qualquer um pode dar uma boa idéia de pauta, “aconselhar” estruturas e conceitos de uma boa matéria jornalística.

E outra: se pararmos para pensar, o grande nicho de usuários do Twitter é de jornalistas/blogueiros/entusiastas da comunicação ou tecnologia. Ou seja, “ofícios” que possuem interesses próximos.

Por enquanto, 130 jornalistas estão na brincadeira.

Jornalistas em extinção nos Estados Unidos


Queda dos jornalistas em veículos impressos nos EUA é explicável

Via Pressgazette, descubro um dado importante nos Estados Unidos. O número de jornalistas que trabalham em veículos impressos no país é o menor nos últimos 25 anos.

Isso mesmo. Há 25 anos não há uma porcentagem tão baixa de jornalistas nos jornais.

A pesquisa é, ao menos, pertinente. Os valores podem ser parecidos aqui no Brasil.

Vamos pensar. Nestes últimos 25 anos, a tecnologia emergiu com uma velocidade impressionante e muitos destes jornalistas migraram do campo material, palpável, (jornal), para o virtual, o on-line.

Hoje, as redações em jornais são mais enxutas. Um único jornalista pode realizar uma cobertura de diversas maneiras, tirar fotos. O indivíduo torna-se multi-tarefas.

Foto do Steve.

Seu blog pode ser um jornal

A discussão retorna a blogosfera. Jornalistas x Blogueiros. Blogueiros x Jornalistas.

Blogueiros são quem mesmo? …

Vamos colocar “ingredientes fúteis” à polêmica.

Via Incubaweb.

Agora, o seu blog pode se transformar em jornal. Isso mesmo. Naquele tamanho e versão tradicional.


Seu blog pode ter uma versão impressa em minutos

Em formato PDF, o Feedjournal inova. Em cinco minutos, no máximo, sua página pessoal torna-se um Jornal.

Para testá-lo, é simples. Acesse o Feedjournal e clique em Publish Your Content.

Depois, digite seu e-mail pessoal e o feed do seu blog.

Pronto. Rapidamente chega uma mensagem no seu e-mail com o blog em versão impressa!

Ah, a novidade é que você consegue colocá-lo como link na barra lateral. Logo, seu blog pode ser lido em duas versões.

Pontos negativos:

Apenas as funcionalidades básicas são gratuitas. Logo, o site não consegue puxar todo seu feed. Apenas os últimos posts são inseridos para formar o Jornal pessoal. Tudo com duas páginas.

Para personalizá-lo, é necessário pagar. Entre 19 e 59 dólares (40 e 120 reais). Caso pague o serviço, terá liberdade total de diagramação, logo, coluna. Ou seja, aí o jornal é seu mesmo!

Jornalista: ser ou não ser?


Salários baixos e stress afastam jornalistas da profissão nos EUA

Estudo interessante de um professor da Ball State University. Um quarto dos jornalistas norte-americanos pensam em abandonar a profissão.

Among the biggest reasons for the high rate of burnout were low salaries, long and undesirable hours, and stress.

Traduzindo: Entre as razões por tal taxa são os salários baixos, os horários flexíveis em dias comuns de descanso, além do stress.

A pesquisa foi feita com 770 jornalistas dos Estados Unidos. Cerca de 25% dos entrevistados garantem que pretendem deixar uma das profissões mais importantes para o presente/futuro do cidadão.

Aqui, no Brasil, apesar de não existir uma pesquisa tal qual, acredito que a porcentagem seja a mesma. Jornalismo, antes de tudo, requer trabalho, empenho.

E, hoje, mesmo com tantos problemas de mercado e requisitos específicos de empresas, parece que o jovem busca isso. Não é à toa que o curso mais concorrido na Universidade de São Paulo seja Jornalismo.

Foto de Flickr.