
Participei nesta quinta-feira do lançamento do que se considera como novo Orkut, na sede da Google, em São Paulo. Sem tanto alarde da empresa e com um pensamento mais global e menos glocal, fica evidente o caráter de mudanças de um dos maiores nichos sociais do país para envolver, aos poucos, a economia da informação para que a rede se mantenha viva.
Comecei a testá-lo com mais calma na noite de ontem.A Google disponibilizou alguns convites para blogueiros e heavy-users do Orkut. Sobre convites, ainda não há uma distribuição oficial. Segue a mensagem da Google:
A migração para a nova versão será realizada por meio de convites e não terá impacto na experiência dos usuários e nem nos dados de seus perfis. A expectativa é que, até o final do primeiro semestre de 2010, todos os internautas já acessem o novo Orkut.
Mas vamos lá. A nova interface permite uma grande customização visual de cores e estrutura, mas o princípio de visualização de amigos, comunidades e seu próprio perfil permanecem intactos. Soma-se na página principal um número maior de atualizações de amigos e uma ferramenta semântica de sugestão de novos adeptos a sua rede.
Este último princípio, por sua vez, tem um jeito Facebook, com a possibilidade de remover as sugestões que o próprio Orkut oferece a partir de algoritmos. Mas percebe-se que tal funcionalidade quer ter relevância a partir da posição na qual é destacada: centro da página. Além disso, há um campo novo de busca externa via Google.
Há maior personalização e flexibilidade em um único espaço virtual, o que mostra a importância que a rede dá para não produzir muitos cliques e facilitar uma navegação intuitiva. É possível a partir da página inicial de seu perfil, por exemplo, visualizar todos amigos e comunidades.
Pra mim, a galinha dos ovos de ouro da rede social da Google é mesmo o compartilhamento e visualização de fotos: simples, prático e extremamente rápido. Agora, há a possibilidade de agregar e distribuir imagens em um álbum em poucos segundos e de uma única vez, personalizando por pessoa o que pode ou não ser visto.

Detalhe: fotos são uma das mais populares funcionalidades do Orkut para 67% dos usuários, segundo dados da pesquisa NetPop Research. A intenção aqui é explícita: unir a superexposição que o jovem valoriza, facilitando os mecanismos para tal prática.
No mais, levanto apenas dois pontos negativos. As comunidades perderam relevância e permaneceram com a mesma interface e estrutura. Outra: ainda não consigo ter o sentimento de ‘social utility’ ao Orkut. A rede social mais popular do país, que vem perdendo usuários como mostram estudos, tem um grande nicho de prestação de serviço colaborativo que nunca foi valorizado. As próprias comunidades fazem parte deste escopo.
‘Social Utility’ é um dos princípios que Mark Zuckerberg quer ao Facebook. Ele disse isso durante sua visita ao Brasil em um encontro com blogueiros, quando perguntei se ele considerada o Facebook uma ‘social network’ (rede social). Ele bateu na mesma moeda. Não quer este rótulo. O nicho social é de caráter de prestação de serviço. Transcende o que se considera site de relacionamento, característica que ainda vejo no Orkut.
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