A venda do Metro nos EUA: a batata-quente volta a estar nas mãos de Törnberg

Não vi tanto destaque nos últimos dois dias, mas o Metro, jornal gratuito que circula em São Paulo, anunciou a venda de suas três publicações nos Estados Unidos, perdendo cada vez mais corpo e – consequentemente – tornando-se uma leitura impressa de nicho no mundo.

Metro entrou em acordo com o grupo Seabay Media Holding na última segunda-feira para licenciar seus títulos da operação apenas no país da América do Norte. Agora, este grupo controla – a partir de junho – as edições de Nova York, Filadélfia e Boston.

O detalhe do imbróglio jornalístico regional acontece principalmente no último estado em destaque. A versão de Metro em Boston vai manter uma parceria com o Boston Globe, que anda muito mal das pernas e também pode fechar ainda neste ano. Ou seja, os dois têm boas chances de morrer abraçados na praia. Ou em Boston.

Não houve valores divulgados da negociação. Mas é certo que o grupo Seabay terá de controlar mais de 580 mil cópias diárias com a permanência da marca Metro, já que há um acordo de três anos por serviços e licenciamento com o Metro Internacional.

Detalhe é como isso se transformou em uma bola de neve. Em setembro de 2008, fiz um post sobre o desespero do impresso gratuito. Situação que só aumentou com o tempo. Metro chegou a rua sem-saída oito meses depois, em maio.

Outro acontecimento inusitado é para onde isso foi vendido. Para um velho conhecido do Metro: Pelle Törnberg, CEO da Seabay Media, e ex-controlador do impresso, que se mostrou feliz com o novo projeto. “Vamos iniciar um novo trabalho, que será duro, porém vamos garantir o sucesso do Metro”.

Pelo discurso, fica claro a nuance política produzida por Törnberg. Mesmo assim, está com a batata-quente na mão. O Metro não é um modelo de negócio mundial rentável e já fechou diversas de filiais que eram respeitadas, como sua versão espanhola e croata. Uns alegam a crise financeira. Outros comentam o fracasso da gratuidade informacional. Em meio a isso, Törnberg tem boas chances de queimar a mão.

Foto: Mikael Miettinen.

Um jornal impresso com conteúdos web


Um agregador de conteúdo palpável: The Printed Blog tem proposta “nova” e perigosa

Um “novo” modelo de negócio chega ao mercado norte-americano nas próximas semanas. The Printed Blog, um jornal gratuito com conteúdos produzidos por blogueiros e cidadãos-repórteres começará a ser distribuído em duas cidades dos Estados Unidos.

Mais de 300 produtores de conteúdo já aceitaram participar da primeira edição, um número digno de relevância. [pessoas, seja por auto-expressão ou publicidade pessoal, buscam sim ter seu nome preenchido em um jornal]. A primeira edição, que será distribuída nas estações de transportes públicos de Chicago e São Francisco, terá seis páginas.

A situação positiva de toda esta situação é a transparência com que Joshua Karp, fundador do ambiente, mostra: ele aproveitou a oportunidade da divulgação para revelar que a primeira edição teve uma despesa de 15 mil dólares, aproximadamente 33 mil reais.

Segundo entrevista ao PeriodismoCiudadano, The Printed Blog vai premiar os produtores de conteúdo a partir dos anúncios publicitários vistos em cada artigo ou conteúdo postado no jornal. Uma forma de dar satisfação e mostrar a importância de construir um novo meio a partir do “zero”.

A iniciativa, pertinente, “inovadora” e perigosa, promove um modelo midiático pouco conhecido hoje no mercado: um agregador de conteúdo palpável, que pode ser lido a qualquer momento, em qualquer lugar. Na Itália, por sua vez, a rede de blogs Blog.it já tentou fazer isso há algum tempo. E não deu certo.

Trata-se de algo “quase-inédito” visto hoje. No Brasil, o caso que mais se “parece” (um pouco) com a publicação é a revista Offline, que traz alguns conteúdos provenientes da web, mas com uma redação própria. Acredito que seja perigosa pelo simples fato da crise envolvendo impressos gratuitos, com exceção ao Brasil.

“Grandes marcas gratuitas” como Metro e Destak andam mal das pernas há algum tempo, com fechamento de filiais em diversos cantos, além de um resultado financeiro anual negativo. O grande diferencial e que pode alavancar o The Printed Blog é a preocupação e a vontade de, cada vez mais, unir redes sociais, cidadãos e conteúdo de relevância, situação que poucos fizeram até hoje.

Foto: Isabel.

Uma possível união impressa de gratuitos na França


Fusão de gratuitos gera novo ânimo nos impressos franceses

É evidente e impressionante a crise que envolve os impressos gratuitos, conhecidos aqui no Brasil por Destak e Metro. São casos isolados e distribuídos em regiões dos Estados Unidos e Croácia, por exemplo, que aumentam minha preocupação sobre o que [ainda] não acontece por aqui.

Enquanto isso, empresas de comunicação do exterior pensam em bons modelos de negócio. O modo de sobrevivência encontrado é o que já havia salientado em um post um dia aí: união. E é o que vejo hoje no Newspaper Innovation.

Metro e 20Minutos estudam uma fusão na França, já que a crise econômica mundial, aliada aos poucos recursos e renda publicitária, já incomoda as duas marcas.

Essa possível movimentação pode promover uma “consolidação gratuita local“, por exemplo. Logo, causa maior rivalidade com impressos pagos. O leitor, por sua vez, sairá no lucro, já que ganhará conteúdos mais interessantes, ousados e diferenciados.

Foto de micora.

A queda do Metro pode promover alianças gratuitas

O Metro, marca jornalística reconhecida por todo o mundo por sua distribuição gratuita de impressos, divulgou seus resultados financeiros nesta terça-feira. E, pelo jeito, a situação não anda nada boa.

Os “ingressos publicitários” caíram 14% no terceiro trimestre do ano. A Espanha é o país com maior queda dentre todos analisados (26%).

As perdas publicitárias em todo o mundo, só em 2008, somam 13,4 milhões de euros, quase 40 milhões de reais. O único caso positivo do impresso gratuito é no norte da Europa.

O Metro, que já teve perdas com o anúncio do fim de sua edição na Croácia, somados aos fracassos em diversas regiões nos Estados Unidos, podem promover mudanças hiperlocais em seus suportes informativos.

A possibilidade de se manter no mercado provoca rumores sobre possiveís alianças gratuitas. Espanha é um exemplo. Metro pode começar a estudar uma fusão com um outro rival. 20 Minutos, Qué e ADN são as possibilidades.

A alternativa já é vista nos Estados Unidos. The Miami Herald, Sun-Sentinel y The Palm Beach Post anunciaram que não disputam o mesmo leitor para, simplesmente, oferecer uma informação única.

O adeus croata do Metro


Metro perde um de seus principais nichos de disseminação de informação

O Metro, impresso gratuito conhecido no Brasil pelo público paulista, parece viver um momento ruim não só nos Estados Unidos. Sua edição croata acaba de fechar e o anúncio, inesperado, pode desencadear uma onda de fechamentos de filiais da empresa.

O suporte palpável de comunicação era o segundo diário em quantidade de exemplares no país. Uma tiragem de 220 mil lhe deixava com uma posição de destaque no Leste Europeu, atrás apenas do pago 24Sata.

A empresa, por sua vez, perde um de seus principais nichos em todo o mundo. A versão croata do Metro tinha cinco edições locais. Fator ímpar para ampliar sua importância como disseminador de informação.

Agora, as atenções estão voltadas novamente aos Estados Unidos. O país, nos próximos meses, deve perder filiais importantes do Metro, que podem provocar até um fechamento paulistano de sua versão.

Foto: Eddieboston.

O fracasso norte-americano do Metro


O fracasso local do Metro só confirma que não há cultura homogênea de informação

Via The Sunday Times.

A edição norte-americana do Metro, aquele impresso gratuito bem conhecido pelos paulistanos, não anda nada bem. O suporte comunicacional, que existe em 154 cidades de todo o mundo, está prestes a fechar filiais nos Estados Unidos.

A empresa não encontra lucro suficiente por sua sobrevivência na América do Norte e, consequentemente, pode buscar nova estratégia para arrecadar. Como não encontrou solução, a saída seria o fechamento.

O engraçado é que o Metro, “fenômeno” recente brasileiro junto ao Destak, já existe desde 2000 nos Estados Unidos. Ou seja, uma fixação local suficiente para o veículo impresso. Mas, mesmo sendo de graça, a situação não está nada boa.

Todas essas informações só comprovam o caráter cultural/publicitário de cada região com um veículo de comunicação. Uma empresa, que propaga informação por meio de um jornal de diversas línguas, não sabe como fazer para obter maior retorno e, de quebra, permanecer popular.

Foto: Mastermaq.