A adesão do Jornalismo Digital ao universo dos e-singles

A admiração pela reportagem multimídia Snowfall, do The New York Times, não está apenas no encanto visual e na excelência de seu texto, apanágios que contribuíram para a conquista de um Pullitzer, considerado o Oscar do Jornalismo. Está, sobretudo, no modelo de negócio de um setor que carece de inovação: a adesão ao universo dos livros. A reportagem está disponível gratuitamente na web – e também à venda por 2,99 dólares aos leitores que desejam armazenar a história em seu smartphone ou tablet. Esse caminho também é trilhado por outras publicações digitais: Washington Post Wall Street Journal têm histórias jornalísticas transformadas em minilivros. Há algumas semanas, o Brasil ganhou seu primeiro projeto no setor.

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Por um Jornalismo Digital com a essência das startups

Na semana passada, o Pew Research Center´s Project for Excellence in Journalism divulgou o The State of The News Media 2013, relatório anual sobre as perspectivas de mercado do jornalismo americano. É a pesquisa mais importante no setor, que evidencia a crise que passar o setor – sobretudo no Brasil. Os problemas apresentados, contudo, chegam a uma solução descrita brevemente no relatório: o Jornalismo Digital precisa se reinventar. Para tanto, um ingrediente nada desprezível está disponível no mercado: a essência e inteligência do universo das startups, empresas que buscam a inovação em seu segmento e operam com uma lógica de experimentação rápida, segundo a qual apenas ideias que logo se mostram promissoras recebem mais investimentos.

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No Brasil, New York Times tem missão crucial para o Jornalismo

Na última segunda-feira, o jornal americano The New York Times revelou ao mundo sua intenção de produzir uma versão digital da publicação em português a partir do segundo semestre de 2013. A investida, uma prática já traçada por outros grandes e importantes grupos de mídia, reforça a importância que o Brasil ganhou, há poucos anos do início dos dois maiores eventos esportivos do planeta – a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Seu ingresso, contudo, pode acelerar um caminho sem volta: o desenvolvimento acelerado de conteúdos em parceria com a equipe de tecnologia.

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Pagar ou não pagar? Eis a questão

O ano de 2012 ainda não terminou, mas pode ser considerado como um período crucial – ou de transição – entre empresas de jornalismo no mundo digital. Impulsionadas pelo certo sucesso do The New York Times com uma cobrança de conteúdo conhecida na rede como paywall poroso, publicações estudam e se questionam sobre o futuro de suas empresas – afinal dez em cada dez executivos do jornalismo ainda não apresentam um planejamento: será mantida a cultura do grátis e obter retorno a partir de publicidade ou será adotada a estratégia de pagamento?

Abaixo, reproduzo dois outros comentários sobre o assunto pinçados a partir de uma longa discussão produzida por mensagens eletrônicas. As opiniões são do escritor brasileiro Paulo Coelho e do jornalista Pedro Burgos, dois dos profissionais que mais respeito.

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A díficil missão do paywall no Jornalismo Digital chega ao Brasil

Recentemente, fui cobrado por amigos e leitores do blog para comentar acerca da cobrança criada pelo jornal Folha de S. Paulo para acessar conteúdos de sua versão digital, anunciada em junho pela publicação. Trata-se da primeira grande iniciativa de uma empresa impressa no país em um modelo que, até então, é observado com lupa pela maioria das companhias de comunicação – e uma questão crucial que, se for mal desempenhada, pode redefinir o formato da internet como seus usuários a conheceram.

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Como selecionar parágrafos e grifar textos no New York Times

Na última sexta, alguns blogs especializados comemoraram como um gol os novos recursos apresentados pelo The New York Times. Entre as inovações apresentadas no First Look – blog de novidades da empresa – o destaque ficou por conta da ampliação de vínculos presentes em um texto, com o uso dos links entre parágrafos.

Na prática, o leitor tem a possibilidade, agora, de criar links de um excerto do texto – e não o artigo completo, caso o mesmo seja extenso. Além disso, o interagente tem a chance de “grifar” o conteúdo que considerar mais importante – o uso de letras como h ou p no fim de cada url permite filtrar e hierarquizar assuntos. No caso da imagem acima, escolhi por “grifar” o quarto parágrafo do texto.

A funcionalidade facilita o compartilhamento de conteúdo em plataformas instantâneas como Twitter e Facebook e propicia maior eficácia aos leitores que buscam compartilhar conteúdo indo direto ao assunto.

É mais uma manobra da publicação na tentativa de fugir do lugar-comum e oferecer ao leitor da versão on-line do jornal uma proposta, digamos, “nova” – o recurso já é conhecido há algum tempo, mas sob o ponto de vista técnico e menos prático.

No caso dos blogs, essa tarefa pode ser facilitada com o uso do Winerlinks, plugin presente no WordPress já há algum tempo e testado recentemente no Press Think, de Jay Rosen, professor de Jornalismo da Universidade de Nova York. O serviço será um dos recursos que serão posteriormente testados no blog.

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Times Extra, do The New York Times

Economia ‘mastigada’ em infográfico. O New York Times explica

Economia é um sistema complexo – às vezes até incompreensível -, mas recheado de informações úteis a qualquer cidadão. No Jornalismo, o papel do profissional nessa área é crucial: transformar o beletrismo excessivo presente em termos e mensagens com grande caráter de prestação de serviço. É uma das tarefas mais árduas – e uma arte, é claro.

Nesta semana, o New York Times desenvolveu a síntese da simplicidade na editoria de economia. A publicação reuniu dados e desenvolveu um infográfico, com tons lúdicos, que compreende o complicado trabalho em estabelecer prioridades políticas. Principalmente em um país com o porte dos Estados Unidos.

Budget Puzzle: You Fix the Budget permite que qualquer pessoa conectada à rede tenha a possibilidade de equilibrar os orçamentos do governo federal. Você pode hierarquizar e escolher quais são as prioridades – e quais serão os cortes de despesa – para atingir os níveis estipulados para 2015 e 2030.

O leitor pode escolher se irá reduzir gastos com armas nucleares ou eliminar ou adicionar os subsídios aos agricultores. Feito o orçamento, você tem a chance de compartilhar seu projeto com seus seguidores no Twitter – prática comum feita em parte da mídia brasileira. Segundo o New York Times, o infográfico foi um dos mais ‘tuítados’ na história da publicação.

Trata-se, acima de tudo, de um bom exemplo de empresa que soube aproveitar os preciosos recursos da web para trazer a melhor informação ao leitor.

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Como o New York Times foge do lugar-comum com um mapa de homícidios

Eleições 2010: quando sites de notícias dos EUA querem facilitar a vida do eleitor

Após o turbulento período que decidiu as eleições presidenciais no Brasil, parte das principais publicações on-line foca sua atenção nas decisivas votações parlamentares nos Estados Unidos. Neste mês, o presidente Barack Obama tentará manter sua sólida maioria no Congresso, desafiada por uma agressiva oposição republicana. Por lá, serão escolhidos representantes na câmara, ocupada por uma maioria democrata, no momento. Para tentar compreender o enredado sistema político americano, sites de notícia já começam a desenvolver ferramentas – usando dados distribuídos na rede – para facilitar a vida do eleitor.

Enquanto uma porção da mídia e blogs especializados se encantam com o recurso do Foursquare – que permitirá acompanhar a votação nas urnas por meio de um data visualization em HTML05 -, destaco uma postura ágil das publicações no quesito de visualização de dados e informação. E três delas aproveitaram bem o potencial da internet no quesito agrupamento de conteúdo.

(O Google também disponibiliza uma página dedicada ao tema).

Washington Post, New York Times, Huffington Post e, principalmente, MSNBC conseguiram aproveitar diversos recursos tecnológicos para produzir infográficos interessantes e que mostram a dimensão da divisão de votos em cada estado. Tanto que os 3 sites de notícias praticamente produziram, sob o mesmo tema, uma interface semelhante – com um mapa e descrição minuciosa de cada região.

Nesta oportunidade, gostei bastante da distribuição de informação da MSNBC. Pela primeira vez, o site de notícia de domínio da Microsoft irá conseguir usar a sua interface web inovadora para adaptar o conteúdo em vários dispositivos – entenda-se aqui smartphones e, principalmente, iPad.

Desde julho, MSNBC está com um site que é adaptado automaticamente em tablets, como o iPad, da Apple. Caso visualiza uma das páginas internas do site, note, por exemplo, os ícones na parte lateral à direita do seu navegador (imagem acima): são adaptados ao toque de um dedo. Com os infográficos dispostos na página, não é diferente.

Formato de letra preciso e agradável, dados compreensíveis e pouca informação mostram que, neste caso, a visualização de conteúdo sem uma barra lateral fica bem atraente.

Coincidência ou não, ao finalizar o post, a publicação on-line faturou o Online Journalism Awards 2010 na categoria “excelência de Jornalismo On-line em grandes sites”. A lista completa de vencedores pode ser vista aqui.

A união entre cibercafés e Jornalismo

No mínimo interessante a estratégia que começa a ser desenvolvida em cibercafés, locais públicos que oferecem serviços de lanchonete com acesso à internet rápida. Os espaços, onipresentes em cidades populosas, começam a oferecer conteúdos noticiosos gratuitos aos seus clientes – caso do Starbucks.

A maior rede de cafeteria do mundo irá propor ao público norte-americano o acesso às informações pagas de jornais populares no país, como Wall Street Journal, New York Times e USA Today. O serviço chama Starbucks Digital Network e tem previsão de lançamento em 1º de julho.

A medida é parecida com uma iniciativa do Financial Times. O diário britânico foi um dos primeiros a fechar parceria com o Foursquare, rede social baseada na geolocalização que sofre um alarde midiático intenso.

A ideia é simples: centros de lazer e cafés próximos às prestigiadas universidades dos Estados Unidos e Inglaterra (Cass Business School, London Business School, London School of Economics and Political Science, Harvard e Columbia) terão senhas de acesso aos conteúdos pagos do Financial Times.

Para conquistá-las, um detalhe – ser um assíduo frequentador dos locais para desfrutar dos conteúdos especiais da publicação.