O uso do Foursquare no Brasil

Trata-se apenas de um excerto, mas vale a pena conhecer os primeiros números sobre o uso do Foursquare no Brasil. Os dados foram divulgados há poucos dias por Maurício Maia, do BuzzVolume. Destaque para o número de postagens nos finais de semana – fato que comprova como o online potencializa o offline e vice-versa. Uma amostra misturar vida social e virtual dá certo.

O uso do Foursquare por cidades no Brasil

O uso do Foursquare em dias da semana

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De 0 a 15 em 11 meses! Prestem atenção nesses números.

Uma vez vi num sábio filme – “No fundo do mar” – um personagem falar uma das frases que se tornariam um dos maiores nortes da minha vida: “uma hora na cama com uma loira espetacular parece passar em apenas alguns minutos, enquanto alguns minutos num tanque com um tubarão branco com certeza parece passar em  muitas horas”. É, a relatividade mudou a maneira do homem pensar o espaço e o tempo, sem dúvidas. Mas ela é uma faca de dois gumes.  Por isso, antes de nos impressionarmos com números ostensivos precisamos ficar atentos ao referencial em que eles estão inseridos.

De zero a quinze em seis meses: se estivéssemos falando de medidas de velocidade cotidianas com certeza estaríamos tratando de algo muito, mas muito lento. Afinal de contas nosso referencial é o de km/h, e segundo minhas contas enferrujadas estaríamos falando de algo que acelera a 1,4.10-7 m/s2. Quem tem memórias esparsas do colegial vai pereceber que se trataria de algo que acelera muito devagar. Se fosse um carro, não gostaria de tê-lo na minha garagem. No entanto, e é ai que devemos prestar atenção, se fosse um meteóro que começou sua jornada há 100 mil anos luz da Terra, não desejaria estar nem perto de sua trajetória!

E essa é a maravilha da relatividade: se mudarmos o nosso referencial para a porcentagem e avaliarmos algo que cresceu de 0% a 15% em 11 meses, por exemplo, estaríamos lidando com números que merecem um mínimo de atenção. Se fosse um investimento, em época de quedas bruscas em várias carteiras de ações no mundo inteiro, seria algo bastante lucrativo, com projeções fantásticas para curto/média prazo: 30% em dois anos, 60% em quatro, quem sabe?

Matéria completa do IDG Now aqui.

Esses são os números do crescimento da participação do internauta brasileiro no Twitter se compararmos os estudos F/Radar feitos pela F/Nazca com os estudos do Ibope Nielsen Online. Interessante, mas nada de novo. Estamos cansados de saber que o Twitter é um fenômeno desde o primeiro trimestre de 2009. Mas 15% da população brasileira de internautas? Nessa hora a relatividade entra em ação para questionar esses números.

Segundo a pesquisa F/Radar realizada em agosto de 2008  existem 64,5 milhões de internautas no Brasil e o Twitter nem figurava entre as redes sociais de relevância. 11 meses após, a pesquisa do Ibope indica 34 milhões de internautas brasileiros 15% dos quais acessam ou já acessaram o Twitter pelo menos uma vez, segundo a matéria do IDG Now. Pera lá: há algo de muito estranho nessas bases de pesquisa!

A população brasileira diminuiu em 50% por causa da crise? 30,5 milhões de usuários simplesmente desistiram da internet por causa do serviço de qualidade bastante questionável das operadoras?

Para apontar a robustez dos números da internet no Brasil – e como somos o “país do digital” – temos 65 milhões de internautas; já para apontar o crescimento da rede social-fenômeno (que foi responsável pela venda de muitas publicações nos últimos meses) aí passamos a ter 34 milhões de pessoas que acessam a internet.

?!

Obviamente, para que se esclareça desde já e antes que uma polêmica seja criada, esses números são tão discrepantes pois um considera o número de pessoas que têm acesso à internet como um todo (seja de locais públicos, seja de privados) e o outro considera apenas aqueles que têm acesso somente de suas casas e/ou de seus postos de trabalho. Se comparados os números absolutos, a pesquisa do Ibope Nielsen Online e da F/Nazca têm números similares. No entanto, esse não é nosso ponto de discussão: a questão principal não é qual o valor correto, mas sim, o contexto em que se inserem esses “valores relativos”.

Discutir de quem seria o interesse e se houve realmente a intenção de manipular essas informações cabe somente aos próprios orgãos de pesquisa que têm suas reputações em risco com esse tipo de ruído, na minha opinião. Só me chamou a atenção o fato de haver um relativismo bastante conveniente na hora de utilizar essas pesquisas. Afinal de contas todos nós adoramos ver números empolgantes de crescimentos dessas ferramentas que são tão importantes para nosso dia a dia de trabalho e comunicação.

Porém, antes de soltar fogos com os números favoráveis precisamos ficar atentos às suas origens e ao contexto em que são inseridos: tratando-se de internet, Brasil, época de crise, e – por que não – de gripe suína fica difícil saber ao certo se estamos no tanque com a loira ou na cama com o tubarão.

Às vezes me pergunto o que o Albert postaria sobre o mundo contemporâneo.

P.S.: este post está sujeito a uma margem de 99,9% de erro – para cima ou para baixo, claro.