New York Times cresce menos de 1% em 2012, e isso é sim uma boa notícia

O NYT parou de encolher, e pela primeira vez em seis anos apresentou um crescimento em sua receita. Quanto?! +0,3%. Pode parecer muito pouco, mas chegar no zero foi uma conquista e tanto. Dê uma olhada nos dados:

Receita do jornal americano New York Times cresce menos de 1% em 2012

Preste atenção: os números revelam outro dado importante; a receita com a circulação também voltou a crescer e ultrapassou a de anúncios no ano passado

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New York Times Insight Lab pesquisa interesse pelo iPad

Insight Lab, pesquisa sobre iPad

Uma nova pesquisa do Insight Lab do jornal The New York Times disparada hoje chama a atenção dos contribuintes para o iPad, da Apple. As perguntas, que podem ser respondidas em cinco minutos, se focam no interesse do leitor pelo dispositivo da Apple, sobre a cobertura do NYT sobre o assunto e sobre a intenção de compra do produto ou similares.

Uma das perguntas deixa escapar o que, na minha opinião, é a verdadeira intenção do jornal: colher informações úteis para aplicações do NYT para iPad em desenvolvimento e formas de oferecer conteúdo.

If you were creating your very own New York Times app for the iPad, what would it include?
Please be as specific as possible.

If you were creating your very own New York Times app for the iPad, what would it include?

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New York Times e a cobrança por conteúdo online em 2011

New York Times

É, meus caros, tanto já se falou aqui no De Repente sobre a Crise nos impressos, sobre os novos rumos dos grandes meios de comunicação e hoje, em um texto oficial, o New York Times revela que cobrará pelo acesso a seu conteúdo online em 2011. Quando os usuários acessarem o site, vão receber alguns artigos gratuitos até serem cobrados pelo acesso total, revela o texto.

Uma mudança como essa, em um site de conteúdo tradicionalmente livre e de qualidade, tem sempre um único motivo, necessidade de mais receita (grana, $).  Se o NYT não está tão bem assim das pernas, como estariam então os outros grandes veículos dos EUA, ou ainda em mercados mais complexos, como o nosso? Afinal, o mercado brasileiro ainda não aprendeu a utilizar a internet para gerar receita, tanto que grandes veículos online se sustentam com a receita de suas versões tradicionais, impressas.

Houve um tempo em que o modelo de negócio dos EUA foi demonstrado como o mais eficiente, que o mercado brasileiro deveria se espelhar e trabalhar para atingir. Será mesmo?

O princípio sazonal do Google Living Stories

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Não tive tempo pra comentar, mas a Google encontrou uma resposta rápida para a discussão envolvendo apropriação de conteúdo e publicações impressas. Exatos quatro dias de sua posição oficial divulgada no Wall Street Journal, por meio de seu carro-chefe, Eric Schmidt, o principal símbolo de buscas da web anunciou uma aliança que pode ratificar sua força.

A Google lançou na quarta o Living Stories (Histórias Vivas), projeto experimental de seu labs que agrupa informações produzidas por dois dos maiores rivais impressos de Rupert Murdoch, “pivô” da ríspida discussão do suposto roubo de conteúdo: New York Times e Washington Post.

Trata-se de mais um formato de agregador para visualizar informação. O que não é novo. Ao invés de navegar por todo o ambiente virtual, você visualiza grandes painéis do momento, como a reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos. Acima de tudo, Living Stories é um produto de visibilidade de conteúdo sazonal. O que o deixa a passos de ter mais um princípio de hub.

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Uma outra maneira de ler o New York Times

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Além da ríspida discussão envolvendo agregadores e jornais, um outro fato que me chama atenção no fim de 2009 é o reposicionamento visual de tradicionais empresas de mídia na web. A CNN, a Reuters e o portal MSN foram dois grandes exemplos recentes que ganharam destaques pelo caráter de repaginação. Na semana passada, foi a vez do New York Times. Mas com um adaptações de visualização de conteúdo.

O NYT lançou, de forma oficial, o Times Skimmer, uma nova forma de enxergar informação. Desenvolvido pelo próprio laboratório de Pesquisa e Desenvolvimento da publicação, o produto possui uma interface voltada a formatos ainda poucos usados aqui no Brasil: tablet e telas sensíveis a toque.

Os destaques são espaçados, sem poluição de palavras e publicidade, e feito sob medida a plataformas que tornar-se-ão cada vez mais populares entre consumidores domésticos. Acima de tudo, trata-se de um modelo que busca recriar ou aproximar o leitor acostumado com uma leitura impressa palpável.

É a boa questão do começar a informar e não sobrecarregar, premissa que o Spectra, da MSNBC, já tentou no no ano passado.

A nova roupa da CNN e o princípio de uma coluna central

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Não tive tempo para analisar em detalhes a nova página da CNN, que surpreendeu a todos ao estrear no último sábado. Já havia comentado sobre o lançamento de uma nova interface do site no último dia 22, no Twitter, com uma pré-visualização das estruturas e de como o layout havia sofrido alterações “drásticas”.

Nesta terça-feira, fiquei com a sensação que este projeto pode promover um novo modelo de desenho de interfaces de sites noticiosos, com uma desvalorização cada vez mais intensa da parte superior à esquerda da página, lugar-comum de seções flash de quase todos os portais brasileiros.

Lá nos Estados Unidos, já existem exemplos. É o caso da nova página da Salon Media Group, uma revista online da Califórnia, e da popular MSNBC. Porém, mais uma vez, o NYT saiu na frente neste quesito.

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Quando leitores de meios digitais não querem pagar para obter informação na web

Conteudo-pago

Bem interessante e reflexivo uma espécie de pesquisa realizada pelo Paid Content nos últimos dias. O canal britânico perguntava se os leitores de meios digitais pagariam por conteúdo na web. A velha máxima de informação paga. A resposta saiu nesta segunda-feira e diferente da premissa que o New York Times apresentou, apesar de acreditar que o jornalão anda no caminho certo.

Sem o mesmo “público-alvo” e com diversos modelos de negócio por aí, o estudo do Paid Content mostra que apenas 5% dos entrevistados pagaria para ler um conteúdo na web, enquanto a grande maioria (74%) buscaria a informação em um outro veículo rival ou ambiente especializado.

Pego, então, dois exemplos locais norte-americanos que promovem, quase mensalmente, mudanças para gerar novas receitas: NYT e WSJ.

Ponto para o New York Times, que sabe andar pra frente e vaias intensas ao Wall Street Journal, que continua com a marcha ré engatada na corrida do conteúdo. Enquanto o NYT abre espaço para discutir o futuro do jornal (um ex-jornal, por sinal), o WSJ vai no sentido oposto e, enquanto anda pra trás, tenta reinventar a roda.

Fica clara a política corporativa hierárquica de duas das maiores publicações do mundo: o New York Times, cada vez mais, mostra que seu futuro não vem de cima pra baixo, produzindo pesquisas e visualizando como o conteúdo pago afeta seus leitores. Já o Wall Street Journal tem um centralizador milionário com um discurso de Médici: pague ou deixe-o.

Alguns dos leitores reclamam que possuo uma crítica veemente ao WSJ. Acredito que seu modelo híbrido para mixar conteúdo pago e aberto, infelizmente, é a solução para conter o desespero de executivo de jornalões. O problema é que seus recentes discursos de seu chefão acabam, de certa forma, refletindo em outros países como uma espécie de praga.

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Minhas impressões no III Seminário Tendências Conectadas nas Mídias Sociais da Cásper

Casper

De excelente qualidade os três grupos de discussões apresentados no último sábado, na Faculdade Cásper Líbero, durante a terceira edição do Seminário “Tendências Conectadas nas Mídias Sociais“. Organizado por Walter Lima e Tiago Dória, o evento seguiu bem a linha apresentada nos anos anteriores.

Eu e o Cauã estivemos por lá e ficamos com a sensação de que a Tecnologia é signo implícito do Jornalismo. Uma frase do Marcelo Soares, um dos explanadores do encontro, sintetiza muito bem isso.

Dados e mapas sozinhos não são mesmo jornalismo. A diferença é o tratamento que damos a eles.

Isso se tornar-se-á cada vez mais comum: o ato de pensar em uma produção jornalística, atributo que o El Pais e New York Times já têm há algum tempo.

Por sinal, ambos meios digitais foram os mais citados durante as três apresentações, que envolviam desde cases de assuntos sazonais, como a eleição de Barack Obama, muito bem explicado por Fabi Zanni, até o uso de novas plataformas e o destaque ao hiperlocalismo para contextualizar um fato.

Fico com esta última característica bem ressaltada no último debate, envolvendo Pedro Valente, jornalista e desenvolvedor do Yahoo, e Marcelo Soares, colunista de políticas do Notícias MTV. Ambos falaram sobre a presença do data mining e a flexibilidade e o uso de APIs na produção de informação.

Não trata-se de um conceito novo, mas algo que começa a circular com “maior frequência” entre grandes meios do exterior. É uma espécie de fase Beta com estruturas paulatinas consolidadas.

EveryBlock

É o exemplo do EveryBlock, um site hiperlocal de notícias que comentei lá no meio do ano passado aqui no blog. Na época, ressaltava o uso ao Chicago Tribune, publicação tradicional nos Estados Unidos. Há menos de um mês, o agregador foi adquirido pela MSNBC, um dos sites informativos de maior audiência por lá.

Outro caso muito interessante que foi debatido é o mapa geotaggaeado produzido pelo New York Times a respeito do número de homicídios em sua cidade-sede e que fiz uma breve análise por aqui.

O New York City Homicides Map é mais uma narrativa sem as “características” jornalísticas bem definidas, porém mastigadas em cada conceito visual e informacional. O projeto mostra registros de homícidios desde 2003 e recorre a dados oficiais do departamento da polícia da cidade.

Trata-se de um mix de apuração e informações governamentais, bem ao estilo Obameter, do PolitiFact, uma das iniciativas que têm boas condições de dar certo aqui no Brasil no ano que vem.

No mais, deixo um texto para leitura e reflexão. O próprio Marcelo Soares nos mostrou que o “New Journalism” de Wolfe e Galese é passado. Isso, agora, é o futuro.

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Foto adaptada do Dória.

O NYT convoca leitores para tomar decisões e mostra como o WSJ anda na contramão

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Mais de 3 mil fiéis leitores do New York Times começaram há alguns dias uma discussão no The New York Times Insight Lab, um ambiente com fins de diálogos comerciais, editoriais e, claro, modelos informacionais de negócio. Burocrático, cheio de perguntas, porém até o momento eficiente, a maior publicação no mundo pelo menos mostra como seus rivais andam cada vez mais na contramão.

O Insight Lab é a primeira aposta – ousada, diga-se de passagem – de uma grande publicação em todo o mundo. A intenção é ter uma percepção imediata de leitores, principalmente os mais assíduos, com um único objetivo: entender as reações com mudanças drásticas ou não em relação ao conteúdo.

A pauta do momento que aquece esta espécie de Fórum é a possibilidade ou não do New York Times ter conteúdos pagos nos próximos meses no site do jornalão. A decisão é discutida já há algum tempo entre seus executivos e nada mais justo que convocar quem visita o site todo dia: seus internautas.

Até o momento, pelo que vi lá, a opinião sobre pagar ou não por conteúdos é bem dividida, o que me surpreende até de certo ponto, já que o NYT não tem um diferencial ao seu “rival” WSJ, voltado a um nicho específico.

Mesmo assim, vale a pena dar uma olhada no argumento de cada um. É bem interessante ver pessoas dizendo: “pagar por 50 dólares por ano para ler a publicação online não me vai fazer mais rico ou mais pobre”.

Outros pensam desta maneira: “essa atitude de restringir a informação pode desencadear um processo muito grande na web. Aí só falta voltarmos ao início da internet, onde parte dos produtos que usávamos era pago. Se acontecer isso, blogueiros disponibilizarão a nós o conteúdo”.

A iniciativa vai bem no sentido oposto do australiano Rupert Murdoch com o Wall Street Journal. Há poucos dias, escrevi no blog sobre a confirmação do todo-poderoso da News Corporation em cobrar por conteúdo visualizado em todos os sites de jornais de seu domínio. O primeiro será o simpático The Sunday Times, do Reino Unido.

Fica evidente que o NYT é a antítese jornalística do WSJ. A discussão em um dos maiores jornais do mundo acontece de baixo pra cima e não ao contrário, como fez Murdoch com um discurso que mais me lembra a história dos Estados Unidos e a política do Big Stick: “fale macio, mas carregue um grande porrete”.

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Como o NYT quer ganhar dinheiro com um projeto hiperlocal colaborativo

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Self-Service Advertise é a aposta publicitária do NYT ao The Local

Quem acompanha o blog diariamente sabe do meu interesse em visualizar o caminho do The New York Times no mundo web. Uma das maiores marcas jornalísticas do mundo promove, mensalmente, mudanças e posturas em busca de um único fim: lucro e, posteriormente, sobrevivência.

Foi com este princípio que lançou no primeiro trimestre do ano o The Local, projeto hiperlocal participativo que envolve blogs para fragmentar sua cobertura noticiosa no território norte-americano. Lá em março, falei do lançamento do serviço, avisando que ele não veio “à toa”.

Pois é. Segue, então, a frase que deixei no post após ver o anúncio oficial do negócio. “E é essa foi a sensação que tive ao descobrir a “novidade”. NYT quer alcançar anunciantes menores, LOCAIS, que não podem ou não tem condições de disputar um grande espaço em um dos maiores veículos de comunicação do mundo.”

Não deu outra. Depois de um pedido via e-mail de um amigo, resolvi tocar novamente no assunto. Para enfrentar a crise, NYT confirmou há poucos dias o “Self-Service Advertise“, espaço publicitário destinado às pequenas empresas.

A estrutura do Self-Service Advertise é, ao menos, interessante. Em apenas três passos, será possível criar seu próprio anúncio. Uma forma simples, rápida e prática para gerar receita. Mais do que isso: o jornalão entra num mercado em que o Google domina, o Google AdSense.

NYT dá sinais de como a crise lhe afeta. Trata-se de mais um mecanismo para aumentar seu leque de receitas – que não anda nada bem – com um interesse curioso: tal artifício mostra sua postura e preocupação com uma informação específica, de bairro, com um caráter experimental colaborativo.

Trata-se de mais uma carta na manga que aparece no jornalão como solução para eventuais novos problemas. Você corta gastos com agências de notícia e acaba dando destaque a um dos pilares para a sobrevivência do impresso: a hiperlocalidade. Soma-se a isso, é claro, a geolocalização com uma integração ao Google Maps.

Os valores já até foram definidos. Cinco dólares por 1000 visitantes únicos. A idéia é criar um novo mercado, absorvendo pequenas empresas ou negócios destes locais. No caso, bairros de Nova Jersey e Nova York, nos Estados Unidos.

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