Os efeitos de uma possível negociação entre buscadores e Foursquare

A publicação britânica The Telegraph destacou na última semana uma possível negociação envolvendo serviços de busca com o Foursquare, rede social baseada em geolocalização. A integração facilitaria a vida dos usuários nas tarefas mais simples, como escolher o bar ou restaurante mais populares da sua região em tempo real. Caso a negociação se concretize, é um grande passo para o nicho publicitário. E uma derrota à privacidade.

Dennis Crowley, fundador da rede social, confirmou ao site a negociação, sem revelar o nome do serviço de buscas. Até o momento, empresas como Microsoft, Google e Yahoo não tiveram sucesso com recursos de geolocalização. E o Foursquare pode ser a solução.

A integração expõe um perigo que, nos próximos meses, terá um impacto maior no cenário brasileiro – o compartilhamento de rotina e dos dados do local onde você está. Enquanto o Facebook quer conhecer as idéias que são compartilhadas e o Twitter anseia saber o que você faz neste momento, o Foursquare quer saber onde você está, em tempo real, direto de um dispositivo móvel (celular ou tablet). Foursquare e seus ‘rivais’ não tão populares Gowalla e Loopt são ferramentas de interação entre pessoas, mas têm um princípio de vigiar e ser vigiado.

Questionado sobre o problema de exposição, Crowley se defende usando o mesmo discurso de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, para destacar a importância da privacidade. “Nós levamos a privacidade muito a sério”, avisa. O argumento pode até ser plausível, mas o Foursquare ainda é uma rede de nicho – possui dois milhões de cadastrados e já possui um recente passado que mostra a periculosidade do serviço.

O Please Rob Me (Por favor, me roube) serviu de alerta aos adeptos do site – utiliza dados produzidos no Foursquare para mostrar que o uso excessivo da rede pode facilitar ainda mais a vida de possíveis ladrões de plantão. A vulnerabilidade do serviço também é questionada.

Em junho, um hacker acessou informações de mais de 870.000 marcações no site – inclusive as configuradas para serem visualizadas apenas por amigos. Por mais que o serviço consista em dar controle aos usuários sobre as informações que eles compartilham, é no mínimo discutível a maneira como as pessoas são estimuladas a participar do site. Resta saber como usuários e o próprio Foursquare irão reagir.

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Foto: MariSheibley.