#yosoy132 será a “primavera” mexicana?

Uma marcha de estudantes tomou as ruas da Cidade do México no dia 23/05. Alunos das instituições Ibero, UNAM, Instituto Politécnico Nacional, Universidade Autônoma Metropolitana, Universidade Autônoma da Cidade do México, Claustro de Sor Juana, TEC de Monterrey, ITAM e ANÁHUAC deram corpo ao movimento #yosoy132, que reivindica sobretudo a transparência dos meios de informação.

O movimento teve origem após uma visita do candidato a presidência Peña Nieto a universidade Ibero. Peña é membro do Partido Revolucionário Institucional (PRI), que governou o México por 71 anos consecutivos. Em reportagem para o Opera Mundi, Federico Mastrogiovanni destaca que na ocasião os estudantes expulsaram Peña, em represalha a acontecimentos passados, como o massacre de Atenco, que deixou 2 mortos, 207 presos e 47 mulheres violentadas segunda a Comissão Nacional de Direitos Humanos do México.

Peña e o PRI afirmaram em rede nacional que sua expulsão da Ibero foi uma manobra da oposição, e que os estudantes não eram legítimos ou teriam sido pagos. Em resposta, 131 estudantes fizeram um vídeo com suas carteiras da universidade para contestar as alegações. Não demorou muito para o movimento #yosoy132 (eu sou o 132) se espalhar pelas universidades do país.

Articulado principalmente pelas redes sociais, o movimento ganhou um site, o yosoy132.mx. Além da passeata do dia 23, outros movimentos estão sendo articulados até a data das eleições, que devem acontecer no dia 1 de julho.

Assim como a primavera árabe teve como pontapé inicial o protesto de um jovem na Tunísia, que ateou fogo ao próprio corpo em 2010, o yosoy132 pode desencadear uma reação semelhante no México. Se comparado a anos de opressão a jornalistas, violência contra mulheres e controle do crime organizado, a briga dos estudantes da Ibero com Peña é só a minúscula ponta de um gigantesco iceberg.

Mesmo sendo um movimento ainda incipiente, e de maioria jovem, os resultados já começam a aparecer. Peña, até então favorito absoluto nas pesquisas, teve sua margem reduzida para só quatro pontos percentuais em relação ao adversário da oposição, Andrés Manuel López Obrador.

Caso Peña não seja eleito, parte dos manifestantes do #yosoy132 pode se considerar vitoriosa, reduzindo um pouco a vigília dos estudantes. O oposto, no entanto, pode desencadear eventos de grandes proporções. Mas, até que novos episódios aconteçam, nada estará certo.

Foto: Carlos Adampol

Por que Mark Zuckerberg está de olho na Casa Branca

Na última semana, o Facebook anunciou a contratação de Joe Lockhart, ex-porta-voz da Casa Branca durante o governo Bill Clinton (1993-2001), que irá gerenciar a comunicação corporativa da rede social em nível mundial. Poderia ser apenas a chegada de mais um consultor de peso. Contudo, outros recrutamentos recentes promovidos por Mark Zuckerberg indicam que o empreendedor de 27 anos tem uma estratégia em mente: cercar-se de profissionais com ótimo trânsito político. O provável objetivo é lidar com a grande questão que virá pela frente: o número crescente de queixas de violação de privacidade do usuário por parte do Facebook.

Desde sua fundação, em fevereiro de 2004, a rede social mais popular do planeta já alterou seus termos de uso e políticas de privacidade 48 vezes – uma média de quase sete modificações por ano. Duas delas, em especial, aconteceram sem um aviso explícito ao principal interessado: o dono da informação. Em maio de 2010, dados de todos os usuários da rede, como nome, profissão, cidade, lista de amigos e álbum de fotos, passaram a ser considerados públicos – ou seja, se tornaram acessíveis aos demais cadastrados no serviço.

Recentemente, a rede ativou automaticamente (saiba como desabilitá-lo) o sistema de reconhecimento facial de usuários cadastrados em todo o mundo (nos Estados Unidos, a ferramenta já estava ativa). E, mais uma vez, sem aviso. O episódio provocou a reação de autoridades de proteção de dados da União Europeia, que consideraram inaceitáveis tais modificações.

Há tempos, Zuckerberg conhece a importância de se manter próximo ao poder. Ele possui laços com Barack Obama desde 2008. Na época, o partido do atual presidente americano contratou Chris Hughes, cofundador do Facebook, que se tornou responsável por parte da campanha on-line de Obama. Formado em história e literatura pela Universidade de Harvard, Hughes criou o MyBarackObama.com, rede social considerada decisiva para o sucesso democrata. Pouco depois, estampou a capa da publicação americana Fast Company: “Conheça o garoto que fez Obama presidente”. Em abril, o presidente americano participou de uma sabatina na sede do Facebook, em Palo Alto, na Califórnia.

Confira a seguir o grupo do Facebook proveniente da Casa Branca ou arredores:

• Sheryl Sandberg: ex-chefe de equipe do secretário de Tesouro do governo de Bill Clinton. Hoje, é chefe de operações do Facebook e considerada a pessoa mais próxima de Zuckerberg

• Ted Ullyot: advogado e ex-coordenador de gabinete do procurador-geral do governo George W. Bush. Atualmente, é conselheiro-geral do Facebook

• Marne Levine: ex-assessora da área econômica do governo Obama. Hoje, ocupa o cargo de vice-presidente de diretrizes públicas globais do Facebook

• Joel Kaplan: ex-subchefe de gabinete do ex-presidente George W. Bush. Hoje, é vice-presidente de políticas públicas federais do Facebook

Com Lockhart, o quinto elemento, é certo que o Facebook tratou de reforçar seu braço institucional e seus laços com Washington. É provável também que essa proximidade com a Casa Branca seja útil caso a discussão sobre a privacidade de dados dos quase 700 milhões de usuários da rede seja definitivamente colocada em pauta.

Leia também
Como armazenar links ‘curtidos’ no Facebook

Foto: Justin Sullivan/AFP

A preocupação do Twitter com a política dos EUA


Em apenas um minuto, foram postadas 26 mensagens no Election 2008

O sucesso do Twitter de Barack Obama que, até pouco tempo atrás, era o homem mais “seguido” no principal microblogging do mundo, rendeu algumas novidades que já são vistas por todos os usuários da rede social.

Agora, o serviço tão comentado por imprensa/blogosfera criou um espaço inteiramente exclusivo às eleições presidenciais dos Estados Unidos, o Election 2008.

A iniciativa, de destaque no quesito preocupação/impressão de disseminar conteúdos de até 138 caracteres de indivíduos comuns, pode até ser ressaltada por críticos e entusiastas das tecnologias na construção da informação. Mas uma coisa é fato: o projeto não é pioneiro.


Destaque para o Politweets, provavelmente serviço que inspirou o Twitter

Há algum tempo já conheço, por exemplo, Politweets, um segmento virtual que mostra em dois quadros as famosas tags Obama e McCain, além das “sub-palavras-chave” Republican, Sarah Palin e Joe Biden.

Comentário feito, destaco um quesito no Election 2008: a rapidez com que os usuários do Twitter produzem mensagens com alguma palavra envolvendo o tema político. Durante uma busca de fotos para ilustrar o post contei 26 mensagens em apenas um minuto!

O número é impressionante e demonstra a preocupação e vontade do norte-americano ou qualquer indivíduo de discutir um tema tão importante para o futuro mundial. Soma-se a isso, é claro, o empenho e a jogada correta do microblogging no lançamento de iniciativas para prender ainda mais os internautas a seu serviço.

Obama é a pessoa “mais seguida” no Twitter


Obama: “sou um político multimídia”

Barack Obama, sem dúvidas, é um sucesso na web.

Depois da ajuda dos estudantes Universidade de Standford com a criação do YouBama, o possível candidato às eleições presidenciais dos Estados Unidos é destaque no Twitter.

Segundo o Twitterholic, que mede a frequência de pessoas que seguem e são seguidas (famosos followers/following), Obama lidera o ranking do microblogging de maior sucesso no mundo com mais de 19 mil followers.

Scoble é o segundo, seguido de Calacanis, Laporte e Macrumors.

Outros destaques políticos entre os 100 mais seguidos no Twitter são John Edwards (41º), Bill Clinton (71º), além de Hillary, sua esposa, (81º).

Os dados só confirmam a presença e importância de Twitter nos Estados Unidos.

Provavelmente, quem alimenta cada microblog devem ser os assessores de imprensa de cada político, mas pode-se considerar um importante mecanismo de propagação de informação pessoal com 138 cc.

No Brasil, a idéia, com certeza, será adotada por alguns políticos. Twitter é de fácil acesso, existem uma boa porcentagem de brasileiros no serviço, e é fácil na questão de divulgação de propaganda política.

Alguns destaques do ranking interessantes:
- Darth Vader é a 24a “pessoa” mais seguida
- NYT e CNN, dois dois principais veículos norte-americanos, são bem requisitados

Foto de Flickr.