Paywall, Mobilidade e Privacidade

Depois de um curto período de quinze dias de descanso, compartilho com vocês conteúdos pertinentes que foram discutidos na rede durante minha ausência no blog:

* O futuro não é móvel – é sobre mobilidade

* Por que o Washington Post nunca terá o paywall (muro de pagamento)

* Resultados da versão digital do The Guardian

* Os problemas enfrentados pelo The Daily (que serão comentados no blog)

Novas falhas escancaram o maior defeito do Facebook

Desde o início do ano, uma escala começa a ser configurada no Facebook. Simultaneamente ao avanço da rede social de maior popularidade no mundo, com mais de 500 milhões de cadastrados, crescem as críticas aos problemas de privacidade encontrados pelo site. O novo espinhoso episódio da empresa de Mark Zuckerberg aconteceu nessa segunda-feira. O Facebook admitiu que dados confidenciais de usuários cadastrados em aplicativos populares da rede como o Farmville foram transmitidos a empresas de publicidade e de rastreamento na internet. Na prática, informações valiosas de dezenas de milhões de pessoas – como nome, idade, e-mail e localização geográfica – estavam nas mãos de empresas como a Rapleaf, capazes de cruzar informações disponíveis na web e vendê-las a anunciantes. Neste caso, o movimento aponta para uma única direção – o histórico de problemas que ilustra a vulnerabilidade da ferramenta.

Em abril, período que marcou a conquista de 400 milhões de cadastrados no site, dados como nome, profissão, cidade, lista de amigos e álbum de fotos passaram a ser considerados públicos. E pior: sem um aviso claro. Na ocasião, órgãos reguladores de diversos países condenaram a atitude, que previa a autorização de sites parceiros a extrair informações pessoais para personalizar seu conteúdo na página. Pressionado, Mark Zuckerberg publicou uma carta aberta no jornal Washington Post pedindo desculpas. “Erramos o alvo”, afirma. Desde a sua fundação, em 2006, o Facebook já mudou suas regras de privacidade em 23 oportunidades – uma média de quatro reformulações por ano.

E os tropeços virtuais não param. Em julho, o consultor de segurança online Ron Bowes, da Skull Security, reuniu e disponibilizou para download dados pessoais de 100 milhões de usuários. Segundo Bowes, os conteúdos foram publicados para alertar a população conectada na plataforma social.

Há dois meses, uma função criada para tornar o Facebook mais amigável levantou uma nova suspeita. Na época, a funcionalidade fazia com que a tela de “senha incorreta” do site mostrasse o nome completo do usuário – acompanhado de uma imagem e e-mail. Mais um erro, primário e básico, que um gigante das redes sociais como o Facebook não pode cometer. Mas comete, comprometendo o principal interessado da ferramenta: o dono da informação.

Foto: iti4u.

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Os efeitos de uma possível negociação entre buscadores e Foursquare

A publicação britânica The Telegraph destacou na última semana uma possível negociação envolvendo serviços de busca com o Foursquare, rede social baseada em geolocalização. A integração facilitaria a vida dos usuários nas tarefas mais simples, como escolher o bar ou restaurante mais populares da sua região em tempo real. Caso a negociação se concretize, é um grande passo para o nicho publicitário. E uma derrota à privacidade.

Dennis Crowley, fundador da rede social, confirmou ao site a negociação, sem revelar o nome do serviço de buscas. Até o momento, empresas como Microsoft, Google e Yahoo não tiveram sucesso com recursos de geolocalização. E o Foursquare pode ser a solução.

A integração expõe um perigo que, nos próximos meses, terá um impacto maior no cenário brasileiro – o compartilhamento de rotina e dos dados do local onde você está. Enquanto o Facebook quer conhecer as idéias que são compartilhadas e o Twitter anseia saber o que você faz neste momento, o Foursquare quer saber onde você está, em tempo real, direto de um dispositivo móvel (celular ou tablet). Foursquare e seus ‘rivais’ não tão populares Gowalla e Loopt são ferramentas de interação entre pessoas, mas têm um princípio de vigiar e ser vigiado.

Questionado sobre o problema de exposição, Crowley se defende usando o mesmo discurso de Mark Zuckerberg, fundador do Facebook, para destacar a importância da privacidade. “Nós levamos a privacidade muito a sério”, avisa. O argumento pode até ser plausível, mas o Foursquare ainda é uma rede de nicho – possui dois milhões de cadastrados e já possui um recente passado que mostra a periculosidade do serviço.

O Please Rob Me (Por favor, me roube) serviu de alerta aos adeptos do site – utiliza dados produzidos no Foursquare para mostrar que o uso excessivo da rede pode facilitar ainda mais a vida de possíveis ladrões de plantão. A vulnerabilidade do serviço também é questionada.

Em junho, um hacker acessou informações de mais de 870.000 marcações no site – inclusive as configuradas para serem visualizadas apenas por amigos. Por mais que o serviço consista em dar controle aos usuários sobre as informações que eles compartilham, é no mínimo discutível a maneira como as pessoas são estimuladas a participar do site. Resta saber como usuários e o próprio Foursquare irão reagir.

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Foto: MariSheibley.

Como o Facebook redefine a privacidade, por TIME

Interessante e longa a reportagem que a TIME destaca sobre o Facebook – que virou capa. A publicação norte-americana explica, em sete páginas para impressão, como a polêmica em torno da privacidade do usuário com a maior rede social do mundo é intensa.

As justificativas partem por todos os lados. Desde o F8, conferência realizada em abril entre desenvolvedores do Facebook para anunciar novidades da plataforma, informações pessoais como álbum de fotos e atividades desenvolvidas na rede social são informações públicas aos cadastrados do FB. Para alterá-las, o usuário deve conhecer os seis campos de privacidade que prevê 36 mudanças em relação ao seu perfil – fato que poucos usuários conhecem.

Em meio às polêmicas, a publicação permeou os fatos com números.Alguns chamam atenção:

  1. TIME revela que, nas próximas semanas, o Facebook alcançará 500 milhões de usuários
  2. Mais de 100 mil sites já usam as ferramentas sociais anunciadas pela rede em abril (Atividade Recente e botão ‘Curti’)
  3. 100 milhões de cliques únicos no botão Like (conhecido no Brasil como ‘Curti’

Em uma busca na web, recebi algumas informações interessantes e que foram pouco destacadas: em seis anos de vida on-line, as políticas de privacidade do site mudaram 17 vezes, uma média de quase três reformulações por ano. Os termos de uso, outra importante configuração da rede, só fora modificada em sete oportunidades.

Facebook e privacidade: o que merece atenção

Infográfico do New York Times mostra os passos da privacidade no Facebook

Nos últimos dias, o Facebook foi alvo de inúmeros protestos e críticas distribuídas em rede pelas mudanças importantes nas regras de privacidade, além de graves problemas que permitiram visualizar conversas privadas entre adeptos da maior rede social do mundo.

Coube aos sites noticosos, então, relatar o fato. Diariamente, fora uma enxurrada de informações por todos os lados – o que provocou a ausência de contextualização e explicação do que permeia as polêmicas envolvendo o site fundado por Mark Zuckerberg.

De tudo que acompanhei até o momento, sugiro apenas duas leituras: o panorama desenhado pela pesquisadora Danah Boyd – que inclui em seu texto um belo infográfico das mudanças que acontecem no FB – além da contextualização produzida pelo New York Times (imagem acima). A publicação mostra pontos específicos de dados pessoais abertos.

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A “preocupação” do Google com a privacidade

google-privacy

O Google foi uma das poucas empresas a lembrar o dia mundial da Privacidade dos Dados, comemorado nesta quinta-feira.

Para aproveitar o tema, um dos principais a serem discutidos no futuro, já que a geolocalização e o uso de redes sociais em plataformas móveis tornar-se-ão cada vez mais comum, o símbolo de buscas da web divulgou uma cartilha com cinco princípios adotados, porém só agora – em 2010 – foi colocada no papel:

1º Usar informações para dar aos usuários produtos e serviços de valor;
2º Criar produtos que refletem fortes padrões e práticas de privacidade;3º Tornar transparente a coleta de dados pessoais;
4º Dar aos usuários escolhas significativas para proteção da sua privacidade;
5º Ser um guardião responsável das informações que mantemos.

Apesar de um dos critérios soar como falso, o Google aproveitou o momento para não dar brechas a respeito da apropriação indevida e discutível de dados pessoais: acabou unificando sua política de privacidade no Google Privacy. O objetivo é claro: tentar ser o mais transparente possível com seus consumidores, fato já absorvido pelo Facebook há algum tempo.

Abaixo, um vídeo explica sua política de convergência de direitos:

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Facebook

O Facebook começa a seguir uma risca jamais vista na web: alcançar 50 milhões de novos usuários na ferramenta a cada dois meses. Nesta quarta-feira, segundo carta aberta publicada pelo fundador Mark Zuckerberg, a rede social chegou a marca de 350 milhões de usuários em todo o mundo. Em julho deste ano, contava com 250 milhões. Se fosse um país, seria o 3º mais populoso no planeta.

O anúncio destacado no blog foi apenas mais um artifício para delimitar a série de reformulações que serão feitas. Mas, no discurso da empresa, a história é diferente: esquecem do visual para pensar na privacidade pessoal. Mark Zuckerberg revelou a intenção em adotar uma série de recursos que possibilitam maior controle ao usuário. Com isso, qualquer conteúdo distribuído na rede social terá mais opções de como propagá-lo.

Nas próximas semanas, toda pessoa cadastrada no Facebook receberá uma notificação para revisar, atualizar ou até mesmo alterar configurações de privacidade, que envolvem desde dados pessoais a participação na rede.

E é este o caminho que Zuckerberg produz para diferenciar sua rede social de Twitter e Orkut: a privacidade é um elemento imprescindível para a construção de um ambiente virtual participativo. Não à toa que o próprio fundador define Facebook como uma “social utility” – utilitário social.

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