Um balanço do State of the News Media 2010

Uma leitura obrigatória para o primeiro semestre do ano aos jornalistas que trabalham em sites noticiosos é o The State of the News Media 2010. Em sua oitava edição – geralmente divulgado no meio de março e sob ponto de vista dos norte-americanos – o relatório guia o futuro do jornalismo, mas às vezes chove no molhado por ter uma publicação datada que envolve tendências.

Em 2009, abordou um tema que  envolve até hoje minha dissertação do mestrado: a inserção do cidadão na produção de um acontecimento ou fato. Na época, discutia-se se o leitor era fonte ou “apurador” de informação, discurso antigo e já ultrapassado aos moldes que a tecnologia permeou o ser humano no ato de comunicar-se.

Desta vez, o relatório aborda um importante dado sobre a possibilidade de sobrevivência apenas com publicidade. Os jornais, incluindo os online, perderam 26% de receita em 2009, reflexo da tendência de que o modelo não sustenta em si o negócio.

Outro ponto destacável é a importância que os agregadores de informação têm aos internautas hoje. Cerca de 56% dos entrevistados revelou usar um site que centraliza notícias, reflexo da amplitude que um Huffington Post tomou nos últimos meses. No entanto, a grande maioria afirma que visita de dois a cinco sites de notícia por dia, o que mostra a falta de fidelidade entre marca online e interagente.

De resto, acabou mais uma vez em “temas batidos”. Falou sobre o que considera-se por lá como “Jornalismo Cidadão” e chegou a uma conclusão já pré-estabelecida – sites colaborativos sofrem o mesmo problema do “Jornalismo Tradicional” ao tentar captar recursos. A melhor maneira de sobrevivência,  no caso, é parceria com empresa de mídia.

Foto: Alex Glickman.

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“Notícia não morre mais”


Relatório da Universidade de Columbia relata aspectos do jornalismo

Frase de impacto. Chama a atenção.

Pois é. Isso é uma das conclusões do The State of News Media 2008, relatório anual divulgado nesta segunda-feira que analisa, discute e repercute situações e tendências no jornalismo, aliado muito a tecnologia.

O projeto tem como carro-chefe a Universidade de Columbia e possui grande importância no meio on-line.

Pela primeira vez, enfim, falaram sobre o Jornalismo Cidadão. Repercutiram também aquela idéia de mídias tradicionais e confirmaram o que grande parte das pessoas sabem: elas não perderam audiência para a web. Só houve um “darwinismo digital“.

Mídias “tradicionais”
Não tem jeito. Jovens, em grande maioria, se informam por meios tradicionais. Pode vir Digg, OhmyNews e tantos outros sites que possuem o interagente como protagonista. As “marcas” fortes de jornalismo, como CNN, BBC, seguem como produto de leitura de muitas pessoas.

Interessante este fato pois comprova, mais uma vez, aquela discussão um pouco inútil sobre futuro do papel, veículos impressos e o fim do jornal. Só teremos um darwinismo digital.


Sociedade digital sul-coreana lê jornal

Exemplo? Fácil. Na Coréia do Sul. Conversando com Lúcia Malla, blogueira e bióloga, ela garante que os sul-coreanos permanecem lendo jornal, apesar de praticamente toda a sociedade ser digital. A única mudança nos veículos impressos foi o caráter de notas curtas.

Notícia
Considero o comentário mais pertinente do estudo. Notícia não morre mais. É um processo contínuo. Eternas suítes.

Jornalismo Colaborativo
Importante e interessante as análises sobre a produção de conteúdo por cidadãos. Segundo o relatório, ainda não há uma produção satisfatória e a melhor maneira de aliar colaboração e jornalismo é convergir. Nada de segmentar.

Li grande parte da análise, gostei e considero leitura obrigatória pra muitos. A única coisa que senti falta foi a aliança de conteúdos a algumas tecnologias que tornaram-se instrumentos das pessoas. Casos de microblogging, streaming media e tantos outros aí…

Confira-o, em versão, competa e pdf, aqui.

Foto de Eric Eggertson, Tuija.