O Jornalismo precisa de um iTunes?

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Em abril de 2003, o americano Steve Jobs surpreendeu o mundo ao apresentar a iTunes Store, complemento para os dispositivos da linha iPod  que mudou radicalmente a indústria musical. A ideia de oferecer uma alternativa legal de compartilhamento de canções reuniu 200.000 fonogramas em sua estreia — vendidos a 0,99 dólar. Rapidamente, recebeu a adesão dos maiores interessados: artistas e consumidores finais. O modelo contribuiu para a inovação no setor e foi replicado para diversos setores, inclusive no jornalismo. A startup holandesa Blendle é um bom exemplo. Concebida em março, a companhia oferece ao leitor reportagens de uma publicação de modo separado. Nesta segunda, a pequena empresa europeia de sete meses de vida ganhou um apoio que joga luz sobre seu desempenho: o jornal americano The New York Times, em parceria com a alemã Axel Springer, anunciou um investimento de 3,8 milhões de dólares na startup.

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As Olimpíadas dos dados

30a edição dos Jogos Olímpicos, finalizada na noite deste domingo após uma bela cerimônia na cidade de Londres, protagonizou também boas surpresas fora dos ambientes de atividades esportivas. No Jornalismo, as medalhas para produção e visualização de dados ficam com The New York Times e The Guardian, que aproveitaram recursos escondidos nos porões da web  para apresentar, de maneira amigável, informações sobre o maior evento esportivo do planeta. O diário britânico, por sua vez, foi o maior destaque ao oferecer a seus leitores uma infinidade de conteúdos que ajudam a rediscutir o Jornalismo – fez jus ao espetáculo produzido em seu país. Tivemos, sobretudo, a Olimpíada dos Dados. Alguns destaques:

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A “1ª vez” do @nytimes no Tumblr

Parte da imprensa e blogs especializados em mídia encontraram, há algum tempo, um novo recurso presente na web para jogar confetes e, posteriormente, produzir alarde. É a vez do Tumblr, uma plataforma de conteúdo para preguiçosos – conforme descreve David Karp, de apenas 23 anos e dono do produto virtual.

A gritaria virtual se acentuou em 2010, quando o jornalista Mark Coatney deixou a poderosa publicação americana Newsweek para integrar a equipe do Tumblr. É o “evangelizador” do Tumblr e representante da plataforma junto aos outros meios.

Por ora, sua tática atrai adeptos. Entre as que aderiram recentemente estão The Atlantic, Rolling Stone, BlackBook Media Corporation, National Public Radio, The Paris Review, The Huffington Post. Chegou a “primeira vez” do New York Times.

A publicação começou a disponibilizar conteúdos relacionados a Style Magazine, voltado a temas como moda e comportamento. De fato, não é a entrada oficial da publicação na plataforma – mas a primeira ação diária na rede. Em junho de 2010, o jornalão já havia dado o pontapé inicial – e experimental – no Tumblr.

Por fidelidade, Newsweek não será mais uma publicação “família”


Menos leitores, mais fiéis: Newsweek aposta na especialização para obter novos lucros

Na semana dia em que o New York Times disponibiliza a sua API mais importante de seu meio, em busca de desenvolvimento de ferramentas envolvendo todo o seu conteúdo de jornal, a Newsweek, uma das três revistas de maior circulação no mundo, anuncia uma mudança ousada, perigosa e importante para sua sobrevivência.

A revista norte-americana produzirá mudanças em sua política editorial e revelou, de forma oficial, que vai abandonar a cobertura de todos os eventos durante a semana em sua edição impressa. A partir da próxima semana, Newsweek terá reportagens originais, com “algo a mais para dizer”. Nada de ser uma publicação “coletiva”, destinada a todos os públicos. Agora, prevalece a restrição, a especificação.

A medida vanguarda nada mais é do que definir um nicho de leitores. Instável, a poderosa revista prefere menos audiência e mais fidelidade. Quer fugir do lugar-comum de uma revista semanal, cada vez menos lida devido aos processos e rapidez de fatos na internet, para aproveitar os cinco dias úteis para informar as pessoas de uma forma “diferente”. Chegamos ao fim, por exemplo, de uma publicação “família”, lida por quase-todos integrantes de uma casa.

Os assinantes são nossos melhores clientes e eles merecem uma fonte de informação “diferente”, é o que diz Tom Ascheim, diretor da Newsweek. [frase de otimismo para manter a fidelidade]

Além de sua mudança de postura editorial, a revista pretende aumentar o seu conteúdo de Opinião, além de promover reportagens de tendências, aos moldes de uma publicação trendsetter mesmo. A boa notícia é uma maior valorização da imagem, fotografia.

A atitude possui características a teoria do New Journalism. Não teremos textos extensos, mas propostas ricas em histórias, em conteúdo, com um bom retorno ao leitor. Atualmente, o suporte de comunicação possui 1,2 milhões de assinantes, número que pode cair devido a orientação de promover uma única direção de informação.

A preocupação do New York Times com as redes sociais


A preocupação com a reputação: NYT tem até cartilha de rede social para jornalistas

Li isso há alguns dias e esqueci de destacar. O New York Times estabeleceu já há alguns meses uma espécie de cartilha aos jornalistas de uso das redes sociais. A iniciativa busca observar e, claro, zelar pela qualidade da imagem do jornal, atributo que serve de elogios por simplesmente buscar uma “readaptação” ao meio.

O “manual” possui diversas sugestões, como algumas que destaco:

Não se una a grupos: isso pode ser interpretado de formas distintas.

Deixe sempre em branco perguntas envolvendo política.

Cuidado na hora de recomendar artigos via qualquer sistema de rede social.

Não aconselhamos perguntar sobre vida pessoal de pessoas em redes sociais. Perguntas privadas podem gerar questionamentos.

Muita gente pode criticar a iniciativa pelo simples fato, novamente, da questão subjetiva da existência do homem. Onde estará a questão da liberdade de expressão, de ter opiniões, gostos, defeitos? Isso robotiza a profissão no veículo?

É um ponto de vista respeitado (e que não pretendo discutir), mas de ressalvas. O New York Times propõs tal espaço como uma lista de sugestões. Nada de cobranças ou exigências. O objetivo é fortalecimento de marca, já que você padroniza e mostra a importância que dá às redes sociais, ambientes vazios incrementados por conteúdos alheios.

“A maior mudança cultural da história do El País”


Integração de redações para cortar custos: objetivo do El País em 2009

Foi com esta frase que o El País, um dos jornais mais importantes da Espanha, anunciou sua reformulação e a criação de um novo modelo de negócio: a integração de redações para promover convergência e, claro, cortar custos futuros devido à crise financeira mundial.

Juan Luis Cebrián, conselheiro do Prisa, grupo que edita o jornalão, fez um pronunciamento preocupado e que devem promover mudanças apenas para o funcionário. Quem ganha é o leitor, que terá uma maior atenção.

Depois de meses de especulação, o veículo espanhol uniu seu ambiente online com o impresso, além da criação de novas outras empresas. A idéia é tornar El País como um grande produtor de conteúdo, seja ele feito em papel ou visualizado na web.

Tá na cara que é a operação não é jornalística, mas sim econômica. El País é mais uma empresa jornalística que está preocupada [e muito] com o seu futuro e o modelo de negócio de maior eficácia, para eles, é a convergência de redações. O reflexo de tudo isso está na frase de Cebrián.

A mudança é a única solução vista e viável para que o El País continue existindo como meio de comunicação nos próximos dez anos. A taxa de mortalidade dos jornais será altíssima daqui há pouco tempo.

É evidente a preocupação exacerbada de Cebrián. Parece que o indivíduo entrou na onda do “fim dos blogs” ou do “fim do impresso“. Isso não acontece do dia pra noite e modelos de negócio estão aí, hoje, no mercado, para provar isso. Um grande exemplo é a sacada do The New York Times ao vender, pela primeira vez em sua história, um espaço de publicidade em sua capa.

Foto: Stttijn.

A importância do cidadão no The New York Times


Fotos do furacão Gustav já estão no Flickr

O The New York Times é um “jornalão”. Isso é fato.

Mas, duas coisas simplesmente o diferem de qualquer impresso de todo o mundo: a preocupação com novos modelos de negócio e a importância de inserir o cidadão na produção da informação.

É isso que percebo quando leio um destaque deles nesta segunda-feira: a mobilização para trazer a maior quantidade de informação ao seu leitor sobre o furacão Gustav. O veículo promoveu um espaço destinado apenas aos conteúdos produzidos por cidadão durante a passagem de mais um fenômeno natural pelos Estados Unidos.

Por meio do The Lede, blog do NYT, é possível enviar textos, fotos [inserindo-as no Flickr com tags “newyorktimes” e “gustav. ], além de vídeos que podem ser exibidos pelo meio impresso.

A mobilização não é novidade. Mas tal movimento só amplia a importância da construção de cidadãos-repórteres para auxliar na construção de uma informação completa. Não falo de “mão-de-obra escrava”, como muitos dizem por aí. Isso só promove o enriquecimento de informação pela cobertura.

Foto: Freestone.