A união entre cibercafés e Jornalismo

No mínimo interessante a estratégia que começa a ser desenvolvida em cibercafés, locais públicos que oferecem serviços de lanchonete com acesso à internet rápida. Os espaços, onipresentes em cidades populosas, começam a oferecer conteúdos noticiosos gratuitos aos seus clientes – caso do Starbucks.

A maior rede de cafeteria do mundo irá propor ao público norte-americano o acesso às informações pagas de jornais populares no país, como Wall Street Journal, New York Times e USA Today. O serviço chama Starbucks Digital Network e tem previsão de lançamento em 1º de julho.

A medida é parecida com uma iniciativa do Financial Times. O diário britânico foi um dos primeiros a fechar parceria com o Foursquare, rede social baseada na geolocalização que sofre um alarde midiático intenso.

A ideia é simples: centros de lazer e cafés próximos às prestigiadas universidades dos Estados Unidos e Inglaterra (Cass Business School, London Business School, London School of Economics and Political Science, Harvard e Columbia) terão senhas de acesso aos conteúdos pagos do Financial Times.

Para conquistá-las, um detalhe – ser um assíduo frequentador dos locais para desfrutar dos conteúdos especiais da publicação.

Como não fazer um aplicativo de mídia para iPad

iPad, da Apple, no Brasil

Já fiz alguns testes iniciais com o iPad, lançamento da Apple, nesta quarta-feira, graças ao empréstimo do aparelho por @macmasi. Apesar do glamour em torno do dispositivo, (não sou a pessoa correta para avaliá-lo) destaco algumas coisas – é eficiente, simples, prático. Mas, por enquanto, sem utilidade às tarefas que desempenho durante o dia.

O que mais me chamou atenção é como um adepto desta plataforma irá consumir mídia, seja informação, foto, texto ou vídeo. Neste aspecto, iPad é espetacular – mas refém das próprias empresas de mídia, que devem readptar o conteúdo ao aparelho, peculiaridade que espero nos próximos anos ao Jornalismo.

No futuro, as empresas de mídia serão também companias de tecnologia: devem ter o bom senso de reformular interfaces de seus sites às diferentes plataformas que terão acesso a internet – celular, tablet, carros e brinquedos. A NPR e a TIME saíram na frente. O reacionário grupo do Wall Street Journal, por sua vez, já ficou pra trás.

Por mais que o WSJ esteja entre os aplicativos mais baixados na AppStore, fato configurado durante meus testes com o iPad em mãos, o aplicativo do jornalão é mais do mesmo – tem a mesma interface do tradicional papel e seus espaços de publicidades são mais modernos que seus próprios conteúdos. E, para ter acesso a informação, é necessário pagar 16 dólares por mês.

Um vídeo disponível no YouTube mostra como é o aplicativo.

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O New York Times na tela do iPad

A resposta do New York Times ao Wall Street Journal

Campanha do New York Times abre guerra contra o Wall Street Journal

Desnecessária e ofensiva a campanha que será propagada pelo New York Times nas próximas semanas contra uma possível apropriação de segmento hiperlocal a um de seus maiores rivais, o Wall Street Journal. A iniciativa, definida como Numbers, reforça a importância que um veículo norte-americano dá a  um grupo restrito para distribuição e fidelização de conteúdo.

O assunto rapidamente foi discutido no PaidContent e Business Insider, dois dos ambientes virtuais que mais acompanho ultimamente. A campanha começará em abril, terá a duração de seis semanas e focará em meios impressos e online.

A batalha para conquistar novos adeptos já é travada há alguns meses. O motivo é simples – o projeto de Rupert Murdoch, carro-chefe do WSJ, em disponibilizar um suplemento local aos nova-iorquinos em seu formato impresso. A estratégia é tirar o domínio de um terreno dominado até então por uma única marca – o NYT. A resposta, ofensiva, veio em números.

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Cinco temas que chamaram a atenção em 2009

Já fiz uma lista no Vida em Rede sobre três eventos esporádicos que me chamaram a atenção em 2009. Como adoto um perfil diferente aqui, no blog, destaco cinco temas que que ganharam importância ao longo do ano.

1) Apropriação de conteúdo

Provavelmente o tema que mais gostei de debater no ano. A Google, principal símbolo de buscas da web, foi acusada por Rupert Murdoch, dono do Wall Street Journal, por “apropiar-se do conteúdo alheio de forma inapropriada, utilizando trechos sem uma autorização prévia”.

Foram ataques ríspidos dos dois lados nos últimos quatro meses, o que provocou até a criação de artigos de Eric Schmidt e Murdoch, carros-chefe das empresas. Até criou-se um estudo da importância de um buscador por trás de um site noticioso.

Mas a pressão midiática do chefão do WSJ fez a Google pensar em novos formatos. A solução, que antes era de demonstrar o desinteresse perante às publicações na web, foi tornar-se fazer a velha boa política da vizinhança e estabeleceu limite para visualização de informação ao Google News.

2) A máscara da imparcialidade em redes sociais

twitter-logo

O velho debate de até onde vai o limite do profissional e o pessoal com a participação em plataformas sociais participativas. Com a popularização de Twitter e Facebook, por exemplo, muitas questões ganharam evidência envolvendo o que pode ou não ser publicado em um perfil pessoal.

A lista de empresas jornalísticas que produziram um manual com regras internas é grande. Los Angeles Times, Washington Post, ESPN, Bloomberg, AP, Globo e Folha de São Paulo são os casos que garimpei e produzi uma discussão com o tema.

Trata-se do movimento de tornar-se menos distribuído e mais centralizado. Uma tática que tem os seus motivos corporativos, mas que explica a diferença entre usar e estar em rede.

3) Plataformas áudio-visuais

Duas plataformas áudio-visuais que ganharam respeito em 2009 por suas movimentações foram Hulu e Spotify. Enquanto o Hulu tornou-se o segundo site de vídeo mais acessado nos Estados Unidos – um marco para a hegemonia YouTube – o Spotify se reinventou em um segmento que vivia de torrents.

E, durante seu percurso, encontraram incorretamente um “salvador”: que o próprio Spotify salvaria a indústria da música.

O mais interessante é saber que o posicionamento dos dois serviços é semelhante: realizar a boa política da vizinhança, fechar parcerias com indústrias poderosas do segmento e atrair o consumidor doméstico com uma gama de produtos.

4) O salto do Facebook

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Números que valem mais que mil palavras. Em janeiro deste ano, o Facebook tinha uma margem de 150 milhões de pessoas cadastradas. Em dezembro, alcançou o número de 350 milhões de internautas na rede social. FB começa a seguir uma risca jamais vista na web: alcançar 50 milhões de novos usuários a cada dois meses.

5) Mineração de dados

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Como disse no início do post, não discuto temas novos que emergiram na web em 2009. A intenção é reforçar o que é relevante para trazer novas discussões sobre o uso e comportamento do ser humano na web. E a mineração de dados contribuiu para debater o futuro do jornalismo on-line.

O ano marcou um aprofundamento pessoal em um tema bem interessante: Data Mining. A técnica de raspagem de grandes dados para promover um conexão com o seu conteúdo evidencia a importância de centralizar informações em um único ambiente virtual. Ao invés de dados de caráter de prestação de serviço dispersos, uma única página para fornecer o essencial.

Foi com essa premissa que o New York Times, por exemplo, lançou o Homicides Map. Pra mim, um dos três melhores projetos jornalísticos do ano.

Como não é bom dizer adeus a Google

wsj-contra-google

Conheci hoje o terceiro capítulo da novela envolvendo a ríspida discussão de apropriação de conteúdo jornalístico envolvendo Rupert Murdoch, o magnata das pubicações, e a Google. Nesta semana, o TechCrunch disponibilizou um gráfico de como seria o Wall Street Journal, carro-chefe impresso do australiano, sem a indexação de seus conteúdos ao principal símbolo de buscas da web.

A partir de dados estatísticos extraídos do HitWise, métrica não-oficial que tem uma “certa credibilidade”, WSJ perderia 27% de sua audiência mensal com a política de Luis XIV desenfreada por seu dono, Murdoch, ao proibir a visualização de conteúdos do jornalão em buscas do Google. O estudo baseou-se apenas nos Estados Unidos, principal nicho de tráfego da publicação.

O mais interessante é conhecer como há uma grande parcela de retorno de tráfego proveniente do Google News. Quase metade dos 27% provém do agregador de notícia que é alvo de ataques de diversas empresas de comunicação. Entre elas, a AP, uma das mais tradicionais agências de notícias do mundo.

Os números só refletem no pensamento do meu último post aqui no blog. Aos poucos, Wall Street Journal e os outros 37 jornais de Murdoch tornar-se-ão mais centralizadores e menos distribuídos.

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Um mapeamento de conteúdos pagos em meios online

conteudos-pago

De extrema importância o gráfico construído pelo La Informacion.com envolvendo a velha máxima do conteúdo pago na web. O site produziu uma espécie de mapeamento com os principais meios digitais online e, em abas, mostrou o que é restrito ou não a um usuário comum da web.

No caso, foram selecionados onze veículos de quatro nichos específicos (Estados Unidos, Espanha, França e Reino Unido), ambientes virtuais que norteiam e “definem”, geralmente, o que vai acontecer por aqui daqui alguns meses.

Mais uma vez, fico com o destaque do Wall Street Journal, publicação “segmentada” e que consegue lucrar ou obter novas rendas a partir destas assinaturas por usar um método híbrido de propagação de informação: um mix de conteúdo pago e aberto a qualquer um. Dentre os analisados, o que há menos “restrições” é o bom LaVanguardia.es.

Outro aspecto bem relevante é a aba Micropagamentos: três dos onze em destaque já começam a usar tal artifício. Por acaso, o próprio WSJ estuda usá-lo nos próximos meses: o leitor vai pagar não por um todo, mas um excerto de artigos ou notícias. É uma alternativa a quem não pretende e não quer pagar uma assinatura completa de 103 dólares anuais.

No meio de toda essa discussão, o Jeff Jarvis fala em hiperdistribuição e não restrição como futuro dos meios digitais.

Dica do Boombust.

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O NYT convoca leitores para tomar decisões e mostra como o WSJ anda na contramão

Insight-lab-nyt

Mais de 3 mil fiéis leitores do New York Times começaram há alguns dias uma discussão no The New York Times Insight Lab, um ambiente com fins de diálogos comerciais, editoriais e, claro, modelos informacionais de negócio. Burocrático, cheio de perguntas, porém até o momento eficiente, a maior publicação no mundo pelo menos mostra como seus rivais andam cada vez mais na contramão.

O Insight Lab é a primeira aposta – ousada, diga-se de passagem – de uma grande publicação em todo o mundo. A intenção é ter uma percepção imediata de leitores, principalmente os mais assíduos, com um único objetivo: entender as reações com mudanças drásticas ou não em relação ao conteúdo.

A pauta do momento que aquece esta espécie de Fórum é a possibilidade ou não do New York Times ter conteúdos pagos nos próximos meses no site do jornalão. A decisão é discutida já há algum tempo entre seus executivos e nada mais justo que convocar quem visita o site todo dia: seus internautas.

Até o momento, pelo que vi lá, a opinião sobre pagar ou não por conteúdos é bem dividida, o que me surpreende até de certo ponto, já que o NYT não tem um diferencial ao seu “rival” WSJ, voltado a um nicho específico.

Mesmo assim, vale a pena dar uma olhada no argumento de cada um. É bem interessante ver pessoas dizendo: “pagar por 50 dólares por ano para ler a publicação online não me vai fazer mais rico ou mais pobre”.

Outros pensam desta maneira: “essa atitude de restringir a informação pode desencadear um processo muito grande na web. Aí só falta voltarmos ao início da internet, onde parte dos produtos que usávamos era pago. Se acontecer isso, blogueiros disponibilizarão a nós o conteúdo”.

A iniciativa vai bem no sentido oposto do australiano Rupert Murdoch com o Wall Street Journal. Há poucos dias, escrevi no blog sobre a confirmação do todo-poderoso da News Corporation em cobrar por conteúdo visualizado em todos os sites de jornais de seu domínio. O primeiro será o simpático The Sunday Times, do Reino Unido.

Fica evidente que o NYT é a antítese jornalística do WSJ. A discussão em um dos maiores jornais do mundo acontece de baixo pra cima e não ao contrário, como fez Murdoch com um discurso que mais me lembra a história dos Estados Unidos e a política do Big Stick: “fale macio, mas carregue um grande porrete”.

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No quesito conteúdo pago, The Guardian é tão Wall Street Journal

Guardian
Misturar conteúdo aberto ao fechado pode virar modelo no The Guardian

A alta cúpula do The Guardian parece que prestou muita atenção nas declarações de Rupert Murdoch, o todo-poderoso da News Corporation. Especula-se, agora, que um dos principais diários britânicos também comece a estudar o projeto de conteúdo pago visualizado na web. Mas com um diferencial imprescindível e que pode dar, sim, lucro à empresa: o bom e velho modelo híbrido.

Enfim, um grande meio digital começou a bater em uma tecla pouco comum, mas marca de um dos jornais mais respeitados dos Estados Unidos, o Wall Street Journal. Rumores apontam que o The Guardian vai mesclar conteúdo aberto ao restrito, com o objetivo de criar uma espécie de grupo “privilegiado”.

E é nesta premissa que o boato se prolifera: “um members club” que vai abrigar conteúdo exclusivo e diferenciado para atrair um nicho de leitores. Além disso, o The Guardian iria proporcionar a possibilidade de seguir eventos ao vivo e até entrar em contato, de uma forma mais eficiente, com os jornalistas da publicação.

Tá na cara que o impresso britânico quer encontrar uma maneira de garantir novos lucros à empresa, além de não perder audiência, é claro. E o Guardian se baseia em uma estrutura que já deu certo em outros produtos web. É a tal da cultura do algo a mais que descrevi há alguns anos aqui no blog.

Em outubro de 2008, falei que a restrição e a produção de um conteúdo considerado exclusivo poderia ser a chave para alcançar objetivos empresariais. Como o próprio blog Sillicon Valley falou em 2008, a restrição voltou a ser uma alternativa em potencial na web. E, pelo jeito, no quesito conteúdo pago, o The Guardian é bem Wall Street Journal.

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A redação do Wall Street Journal em imagens

Vale a pena conhecer, em belas imagens, a nova e moderna redação do Wall Street Journal, um dos veículos mais importantes dos Estados Unidos. Detalhe para a convergência de mídias e onipresença de um meio de comunicação no ambiente.

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Wall Street Journal quer a mulher


Revista de “luxo” só comprova a busca por especialização [e mais dinheiro] no WSJ

O anúncio de demissões e uma possível crise promoveram iniciativas no Wall Street Journal. O “jornalão” repensa modelos de negócios diariamente e, não à toa, acaba de lançar uma nova publicação segmentada: o WSJ.

A empresa arriscou. Vai apostar em uma revista de “luxo”. Simplesmente sobre estilo de vida [feminino]. A nova publicação será veiculada nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Com uma tira de 960 mil exemplares.

Fará uma cobertura interessante [do ponto de vista da reformulação de negócios com a informação]. WSJ terá como editorias moda, imóveis, viagens e, claro, personalidades.

Mas o que me chama mais atenção de tudo isso é o direcionamento do público-alvo, característica pouca destacada e que merece ser evidenciada. O Wall Street Journal, um dos maiores veículos impressos do mundo, tem como grande parcela de leitores homens, certo?

Há alguns meses, em busca de publicidade, houve uma flexibilidade com um objetivo único: lucro. Paulatinamente, começou a produzir conteúdos voltados apenas ao público feminino. A primeira aparição foi o Journal Women.

O ponto de vista reflexivo da criação da revista é extremamente benéfico para o futuro do jornalismo, seja qual suporte é desenvolvido. Pelo que observei na questão publicitária [a grana que tanto buscam], há um grande retorno ao grupo. Dos 51anunciantes que destacarão suas marcas na revista especializada, 19 ingressarão pela primeira vez ao jornal.

Isso é repensar modelo de negócio, sobreviver e se manter em destaque na imprensa mundial. Coisa que não é vista por aqui infelizmente.

Foto: Semantico.